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Peça sobre Grande Sertão Veredas celebra 70 anos da obra no Rio de Janeiro

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Para celebrar os 70 anos de uma das obras literárias mais influentes do Brasil, o Teatro Glauce Rocha, espaço gerido pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) localizado no Rio de Janeiro, sedia uma montagem dividida em três partes dedicada ao clássico romance escrito por João Guimarães Rosa (1908-1967). O projeto “Grande Sertão: Veredas – 70 Anos de Travessia” permanece em cartaz na capital fluminense, levando ao público a complexa narrativa sertaneja por meio da interpretação do ator Gilson de Barros, sob a direção do renomado diretor teatral Amir Haddad. A iniciativa busca popularizar o acesso à trama existencialista e quebrar barreiras sobre a suposta dificuldade de leitura do autor mineiro.

De acordo com informações da Radioagência Nacional, a temporada atual se estende ao longo do mês de abril de 2026, consolidando o esforço contínuo de adaptar a linguagem literária rebuscada para uma comunicação cênica direta, afetiva e capaz de dialogar com os mais variados perfis de espectadores.

Como a obra “Grande Sertão: Veredas” é adaptada para os palcos?

A adaptação teatral preserva a essência do livro publicado originalmente no ano de 1956, focando na figura do ex-jagunço Riobaldo. A trama centraliza as memórias do protagonista e a sua profunda paixão pelo também cangaceiro Diadorim, uma figura enigmática que posteriormente revela ser uma mulher. O pano de fundo da narrativa é marcado pelos intensos conflitos e pela dura realidade da vida no sertão brasileiro, elementos que construíram a reputação internacional do romance ao longo das últimas décadas.

Um dos aspectos mais inovadores da obra original, especialmente considerando a década de 1950, é a forma sutil e profunda com que aborda a possibilidade de afeto entre dois homens no ambiente hostil do cangaço. O ator e idealizador da montagem ressalta a magnitude do texto e o seu inegável impacto global.

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Ele está entre os 100 livros mais importantes do mundo no século 20. É um romance, mas que tem toda uma costura de existencialismo que torna o romance universal.

Por que a direção optou pelo minimalismo na encenação do texto?

A encenação da trilogia rejeita os grandes artifícios visuais e tecnológicos frequentemente encontrados nas produções contemporâneas. O diretor Amir Haddad, que é fundador do tradicional grupo teatral “Tá na Rua” e reconhecido como Patrimônio Imaterial da cidade do Rio de Janeiro, escolheu uma abordagem estética fundamentada na força absoluta das palavras escritas por João Guimarães Rosa.

No palco, a dinâmica estabelecida recria o ambiente de oralidade característico da literatura sertaneja, onde o protagonista assume o controle total da narrativa perante o seu interlocutor. O intérprete principal detalha o funcionamento deste formato intimista e a ousadia da proposta cênica elaborada pela direção.

Eu faço o personagem principal narrador que é o Riobaldo, né? E eu faço literalmente como é o livro, ele sentado como se fosse na varanda da fazenda dele, contando a história da vida dele para esse interlocutor, que no teatro é cada um dos espectadores. Isso eu devo totalmente ao grande mestre Amir Haddad. Não tem nada durante a peça de luz, de som, é luz branca e ele contando. Tem tudo para ser um espetáculo mais ou menos, mas não é.

Qual é o impacto social e educacional da trilogia teatral?

O sucesso da empreitada transcende o espaço físico do teatro tradicional. Com um histórico que contabiliza apresentações em diversas regiões do território nacional e também em palcos internacionais, a montagem já foi prestigiada por mais de 15 mil espectadores. O objetivo primordial, segundo os idealizadores, é aproximar o público acadêmico e em geral do universo singular construído pelo autor.

Esse trabalho é fundamental para a gente dar substância para Guimarães Rosa na academia e desmistificar essa história de que ele é de difícil leitura, a gente mostrar o Guimarães Rosa pelo afeto. Esse é o meu trabalho e tem funcionado muito bem.

Para fortalecer essa vertente pedagógica, o projeto cultural estruturou uma série de ações complementares que envolvem diferentes frentes de interação com a sociedade. O cronograma de atividades inclui os seguintes tópicos:

  • Realização de oficinas teatrais e literárias focadas na interpretação de textos complexos.
  • Montagem de uma exposição temática sobre a trajetória da obra e sua influência cultural.
  • Organização de rodas de conversa em instituições de ensino, como universidades públicas e o Colégio Pedro II, tradicional rede de ensino público federal no Rio de Janeiro.

Até quando a peça fica em cartaz?

A aceitação do público tem superado as expectativas da equipe de produção. O contraste entre a aparente erudição do texto e a simplicidade da entrega no palco gera um engajamento emocional imediato na plateia. Gilson de Barros comemora o retorno positivo, tanto por parte dos espectadores quanto da crítica especializada, que reconhece o desafio de transpor um marco literário para a linguagem dramática.

A recepção é maravilhosa. Primeiro, da mídia, porque todo mundo valoriza quem entra nessa obra e consegue tirar um produto artístico. Então, eu tenho grande cobertura de mídia. E o público ama quando vê aquele personagem que parece tão sofisticado, tão difícil de leitura, falar numa linguagem simples que todo mundo entende e todo mundo, principalmente, se emociona.

Os interessados em assistir à adaptação literária têm até o dia 24 de abril de 2026 para conferir a temporada no Teatro Glauce Rocha. Situado na região central da capital fluminense, o espaço cultural realiza as sessões de quarta a domingo.

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