O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Chagas, afirmou nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, em São Paulo, durante participação no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, que medidas adotadas pelo Governo Federal e pela Petrobras ajudaram a frear a alta das passagens aéreas. Segundo ele, as ações não impedem o aumento, mas reduzem seu impacto sobre o consumidor. De acordo com informações da Agência Brasil, a desaceleração ocorre em meio ao reajuste do querosene de aviação e à pressão internacional sobre o preço do petróleo.
Chagas disse que as medidas oficiais foram importantes para conter parte do repasse de custos às tarifas. Em entrevista, ele afirmou que o objetivo foi aliviar o caixa das companhias aéreas para reduzir o impacto imediato sobre os preços cobrados dos passageiros.
“As medidas tomadas pelo Governo foram importantes para frear o aumento e não para evitar o aumento”
Por que o preço das passagens aéreas subiu?
Segundo a reportagem, a Petrobras anunciou em 1º de abril um reajuste médio de 55% no preço do querosene de aviação, o QAV, combustível usado por aviões e helicópteros e apontado como um dos principais custos das empresas aéreas. O aumento foi relacionado à escalada do preço do barril de petróleo em razão da guerra no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
De acordo com Tiago Chagas, o querosene de aviação representa 40% do custo da passagem aérea. Por isso, um reajuste dessa magnitude no combustível teria potencial para pressionar de forma relevante o valor final pago pelos consumidores.
“55% de aumento no preço do querosene de aviação represente mais ou menos de 20% a 30% no aumento da passagem aérea”
Como as medidas do governo e da Petrobras atuam sobre os preços?
Conforme o presidente da Anac, a combinação de ações adotadas pelo governo e pela Petrobras pode fazer com que a alta das passagens, em vez de ficar entre 20% e 30%, permaneça na faixa de 10% a 12%. Um dos fatores citados foi o parcelamento do reajuste do QAV.
A Petrobras, segundo o texto, não aplicou os 55% de aumento de uma só vez. A estatal repassou inicialmente 18% e optou por distribuir o restante ao longo dos próximos seis meses. Na avaliação de Chagas, essa decisão reduz a pressão imediata sobre os custos das companhias aéreas.
Além disso, o governo federal zerou os impostos PIS e Cofins e disponibilizou uma linha de crédito para as empresas do setor. As medidas mencionadas na entrevista foram:
- parcelamento do reajuste do querosene de aviação pela Petrobras;
- repasse inicial de 18% do aumento do combustível;
- zeragem de PIS e Cofins pelo governo federal;
- oferta de linha de crédito para as companhias aéreas.
“São medidas para aliviar o caixa das empresas para que elas não repassem tanto o aumento do combustível no valor das passagens agora”
O que a Anac espera das companhias aéreas?
No encerramento da entrevista, Tiago Chagas afirmou que o governo aguarda a adesão das companhias aéreas às medidas anunciadas, algo que, segundo ele, deve ocorrer rapidamente. A expectativa é que as empresas considerem vantajoso aderir aos mecanismos de alívio para preservar a demanda por voos.
O presidente da Anac argumentou que tarifas mais altas podem afastar passageiros, reduzir a ocupação das aeronaves e até provocar cancelamento de rotas consideradas não rentáveis. Segundo ele, as companhias estão preocupadas com a perda de público em um cenário de pressão sobre o orçamento dos consumidores.
“É de interesse delas [das empresas] porque se as pessoas não voarem, significa aviões menos cheios. Isso pode provocar até cancelamento de rotas que se tornam não rentáveis. As companhias aéreas estão muito preocupadas em perder um público que já está sofrendo”