A desfiliação política do ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, ocorrida no início de abril de 2026, quando decidiu deixar o Partido Novo para ingressar no Republicanos, desencadeou uma forte crise de articulação em Minas Gerais. A movimentação partidária, concretizada no limite do prazo estipulado pela janela eleitoral, gerou um alerta imediato entre os dirigentes do partido. O núcleo duro da legenda agora avalia internamente o risco iminente de perder o cobiçado posto de vice-governador na futura chapa encabeçada pelo atual vice-governador Mateus Simões, filiado ao Partido Novo, que buscará o comando do Executivo no próximo pleito estadual.
De acordo com informações do UOL Notícias, a decisão surpreendeu o alto escalão da agremiação, uma vez que o ex-prefeito representava uma peça fundamental no xadrez eleitoral da sigla. O político mineiro optou por seguir os passos de seu irmão gêmeo, o senador Cleitinho Azevedo, eleito em 2022, consolidando uma base familiar unificada dentro das fileiras do Republicanos, o que altera significativamente o equilíbrio de forças na política estadual e obriga os articuladores a recalcularem suas rotas estratégicas.
Como a mudança de legenda impacta os objetivos do Partido Novo?
A saída repentina do líder municipal atinge diretamente a estratégia nacional traçada pela cúpula do partido. Antes de oficializar sua renúncia ao cargo no Executivo de Divinópolis, importante polo do Centro-Oeste mineiro, para estar apto a disputar as eleições de 2026, o político era projetado como um dos nomes com maior viabilidade eleitoral para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Esta projeção era tratada como essencial para o principal objetivo da legenda em âmbito federal: a superação da rigorosa cláusula de barreira.
Alcançar o índice mínimo de votos exigido pela legislação eleitoral (2,5% dos votos válidos nacionais) tornou-se uma questão de sobrevivência institucional para a sigla. O cumprimento desta meta garante uma série de prerrogativas estruturais importantes para a sobrevivência política, destacando-se os seguintes pontos:
- Recuperação do acesso integral aos recursos bilionários do fundo partidário;
- Garantia de tempo de propaganda eleitoral gratuita nas redes de televisão;
- Espaço assegurado em inserções diárias de rádio durante o período de campanha.
Sem o potencial de atração de votos do ex-prefeito, integrantes do agrupamento admitem um evidente sinal de enfraquecimento em solo mineiro, estado que tradicionalmente serve como base forte para a agremiação, responsável pela eleição de Romeu Zema por dois mandatos. Enquanto isso, em sua nova casa partidária, o recém-filiado ganha flexibilidade para disputar tanto uma vaga de deputado federal quanto uma candidatura ao Senado Federal, dependendo inteiramente das movimentações políticas de seu irmão em relação à corrida pelo Governo de Minas Gerais.
Quais são os riscos para a aliança com o grupo governista?
O enfraquecimento estadual gera desdobramentos diretos nas tratativas para a composição da chapa majoritária. O pacto original firmado com partidos aliados, como o PSD, centraliza debates sobre quem tem o direito de indicar o candidato a vice-governador no projeto de sucessão do Executivo estadual. Diante do cenário de incertezas, formou-se um clima de forte desconfiança. Em manifestações públicas, tanto o líder do estado quanto o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, sustentam que a escolha do companheiro de chapa será delegada a Romeu Zema, que agora foca seus esforços na construção de uma pré-candidatura à Presidência da República.
Contudo, nos bastidores da coordenação de campanha governista, o discurso adota um tom substancialmente diferente. Aliados próximos avaliam a possibilidade de transferir a cobiçada vaga de vice para outras legendas. O Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, emerge como o principal interessado nesta composição estratégica. As relações entre as siglas governistas sofreram abalos recentes após a filiação do senador Carlos Viana ao PSD, um movimento que contrariou os interesses diretos do PL, que antes pleiteava de forma exclusiva o espaço na disputa pela vaga no Senado Federal.
O que dizem os membros da cúpula partidária sobre o impasse?
A escalada da tensão política já resulta em declarações incisivas por parte das lideranças afetadas pelo rearranjo. O receio de que as promessas elaboradas nos bastidores sejam descartadas levou parlamentares a cobrarem publicamente o cumprimento das negociações prévias. A necessidade de honrar os termos pactuados é vista como o único caminho seguro para manter a estabilidade da atual coalizão que governa o estado.
Depois dos movimentos da semana passada, o Novo vê com preocupação qualquer sinal de que compromissos assumidos possam não ser cumpridos. Há um acordo que precisa ser respeitado, especialmente quando envolve um projeto entre diferentes legendas.
A afirmação, concedida à coluna jornalística pela vereadora de Belo Horizonte, Marcela Trópia (Novo), reflete o sentimento de apreensão e insegurança que domina as reuniões internas da legenda. A possibilidade de um rompimento institucional definitivo já havia sido delineada anteriormente pelas instâncias superiores do partido. Em março de 2026, o presidente nacional da agremiação, Eduardo Ribeiro, estabeleceu um ultimato claro sobre o tema: caso o compromisso em torno da vice-governadoria seja ignorado pelas lideranças aliadas, Romeu Zema retirará seu apoio ao projeto de sucessão estadual atual e buscará respaldar formalmente uma nova configuração para o comando político de Minas Gerais.



