
O deputado federal Alex Manente (SP), atual presidente do partido Cidadania (antigo PPS), iniciou uma ampla ofensiva jurídica e policial contra a ala rival da legenda, liderada pelo ex-deputado Comte Bittencourt (RJ). A decisão foi comunicada na noite de quinta-feira (2 de abril), durante uma reunião do diretório nacional da sigla, motivada por suspeitas de gestão financeira irregular e falsidade ideológica que teriam ocorrido entre os anos de 2023 e 2025. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a disputa reflete um profundo racha interno sobre o posicionamento político e estratégico da agremiação.
Quais são as acusações levadas ao Ministério Público?
As medidas adotadas pelo atual comando da legenda possuem o objetivo central de investigar rigorosamente os atos da gestão do ex-deputado Comte Bittencourt. A principal iniciativa de Alex Manente consiste em uma representação criminal formalizada junto ao Ministério Público Federal (MPF). O documento pede a apuração de fortes indícios de administração irregular dos recursos partidários.
Além da questão financeira, a denúncia ao órgão federal aponta a suspeita de prática de atos administrativos sem a devida legitimidade jurídica. O atual grupo dirigente também acusa a ala adversária de promover o descumprimento sistemático de decisões proferidas pela Justiça, bem como de realizar sucessivas tentativas de bloqueio financeiro das contas institucionais do partido, o que comprometeria o funcionamento da máquina partidária.
Outro ponto nevrálgico da investigação solicitada envolve diretamente a Fundação Astrogildo Pereira, entidade de estudos e pesquisas politicamente vinculada ao Cidadania. Segundo as declarações do presidente da sigla, foram identificados indícios consistentes de funcionamento irregular da fundação. As suspeitas englobam o recebimento de recursos financeiros em total desacordo com as normativas partidárias vigentes e graves falhas nos processos de governança da instituição.
Quais serão as consequências nas esferas policial e interna?
A ofensiva de Alex Manente ultrapassa as barreiras do Ministério Público e atinge a esfera policial. O parlamentar paulista anunciou que registrará um boletim de ocorrência contra Comte Bittencourt. O motivo seria o fato de o ex-deputado fluminense supostamente continuar se apresentando publicamente como presidente nacional da legenda, conduta que a atual gestão classifica tecnicamente como falsidade ideológica.
No âmbito interno da agremiação, o deputado federal informou que protocolará uma representação formal no Conselho de Ética do Cidadania para punir os integrantes do grupo dissidente. Na esfera civil, a equipe jurídica da atual direção prepara ações judiciais visando o ressarcimento de todos os prejuízos financeiros causados aos cofres do partido, além de cobrar reparações por danos morais institucionais.
Durante a reunião do diretório, o líder partidário foi categórico ao avaliar as ações do grupo adversário:
“Tentaram tomar o partido, tentaram silenciar a legalidade e até sufocar financeiramente a instituição. E falharam.”
Qual é o pano de fundo ideológico da disputa no partido?
A guerra de liminares e acusações mútuas, que se intensificou desde o início do ano com disputas sobre a convocação de congressos internos e supostas violações estatutárias, possui uma motivação política clara. O Cidadania encontra-se dividido entre duas visões diametralmente opostas sobre o papel da legenda no atual cenário nacional brasileiro.
De um lado, o grupo encabeçado por Alex Manente e pelo ex-presidente histórico do partido, Roberto Freire, defende um alinhamento ferrenho à oposição. Esta ala trabalha para fortalecer e manter a atual federação partidária constituída em 2022 junto ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), buscando uma alternativa de centro-direita ao atual cenário de poder federal.
Em contrapartida, a corrente interna liderada por Comte Bittencourt defende uma guinada completa na orientação política da sigla. O grupo fluminense atua para que o Cidadania passe a integrar formalmente a base de apoio político e parlamentar do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que gerou o estopim para a atual crise de governança e judicialização da legenda.


