A rica biodiversidade dos parques nacionais do Itatiaia e do Pico da Neblina ganhou destaque internacional a partir de 19 de março de 2026, na Alemanha. As unidades de conservação brasileiras são o foco principal da exposição “Tesouros Verdes do Brasil – Diversidade Tropical sob a Proteção dos Parques Nacionais”, sediada no Centro de Visitantes do Parque Nacional da Floresta Negra. A mostra, que deve se estender por seis meses, utiliza imagens e expressões artísticas para promover o diálogo sobre a preservação da Mata Atlântica e da Amazônia com o público europeu.
De acordo com informações da Agência Brasil, a iniciativa também atua como um catalisador para a formalização de acordos entre os dois países. O objetivo central é desenvolver ações conjuntas voltadas para a conservação dos biomas e aprimorar a gestão das áreas protegidas.
Como a cooperação internacional beneficia as áreas preservadas?
O chefe do Parque Nacional do Pico da Neblina, Cassiano Augusto Ferreira Rodrigues Gatto, aponta que o diálogo diplomático de alto nível facilita a aproximação entre os governos. A expectativa é fortalecer parcerias estratégicas nas áreas de pesquisa e turismo de base comunitária, focando intensamente nas populações indígenas. Na região do Pico da Neblina, as terras reconhecidas dos Yanomami ocupam metade da área da unidade, que abriga ainda outros três territórios de etnias distintas.
“A gente tem que trabalhar com as comunidades que moram lá. Isso nos faz atuar com outras instituições, como a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e o Departamento de Saúde Indígena. Tudo o que a gente faz lá é baseado em acordos com comunidades e parcerias com outras instituições”, relatou Cassiano Gatto.
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Quais são os principais projetos de pesquisa em desenvolvimento?
A unidade alemã é considerada uma referência mundial em monitoramento ambiental. Enquanto a Floresta Negra possui 500 estações de pesquisa em uma área de dez mil hectares, o Pico da Neblina não dispõe de infraestrutura semelhante em seus mais de dois milhões de hectares. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) busca absorver o apoio técnico e financeiro estrangeiro para iniciar o monitoramento de fauna, flora e espécies ameaçadas no território amazônico.
A troca de saberes, no entanto, é mútua. O chefe do Parque Nacional do Itatiaia, Felipe Mendonça, reforça que a gestão ambiental brasileira possui grande experiência prática em desafios que os europeus começam a enfrentar agora devido às mudanças climáticas. O intercâmbio foca nos seguintes pontos práticos:
- Técnicas brasileiras de manejo integrado do fogo, úteis para combater os crescentes focos de incêndio na Europa;
- Estratégias de engajamento e trabalho conjunto com comunidades tradicionais e povos originários;
- Sistemas alemães avançados para o monitoramento contínuo de ecossistemas;
- Programas de mitigação de impactos climáticos, incluindo o combate a pragas florestais.
De que forma a educação ambiental integra o intercâmbio cultural?
A mostra atual é fruto de uma parceria firmada durante a COP30, conferência climática da ONU realizada em Belém (PA) em 2025. Além das pautas de gestão, o evento destaca a educação ambiental através da arte. O Parque Nacional do Itatiaia enviou desenhos de crianças de escolas públicas da região e trabalhos de jovens e adultos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). A inclusão dessas obras reforça o compromisso do parque com a democratização do acesso às experiências naturais.
O Parque do Pico da Neblina complementou a exposição com produções artísticas elaboradas por crianças da etnia Yanomami. Segundo os gestores, o próximo passo do projeto é trazer os trabalhos criados pelas crianças alemãs para os centros de visitantes das unidades no Brasil.
Qual é a importância histórica dessas unidades de conservação?
Os territórios representados na exposição abrigam enorme importância ambiental e histórica. O Itatiaia, localizado na Serra da Mantiqueira, entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, foi criado em 1937 durante o governo de Getúlio Vargas, sendo o primeiro parque nacional do país. A unidade recebe anualmente mais de 19 mil alunos e lidera o número de pesquisas científicas autorizadas no Brasil.
O Pico da Neblina, fundado em 1979 no Amazonas, protege o ponto mais alto do território nacional, que ultrapassa a marca de três mil metros de altitude. Por sua vez, a Floresta Negra, reconhecida em 2014 no estado de Baden-Württemberg, atua como um pilar da preservação europeia, conectando o resguardo de espécies raras a práticas de turismo sustentável.
