
O Governo do Estado do Paraná, por meio da Secretaria da Saúde (Sesa), anunciou a universalização do exame de ultrassom morfológico para 100% das gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos 399 municípios paranaenses. A medida, detalhada no início de abril de 2026, visa garantir o diagnóstico precoce de malformações fetais e ampliar a segurança clínica durante o período gestacional. O procedimento, que antes possuía critérios específicos de acesso, passa a ser ofertado de forma integral e gratuita para toda a rede pública estadual, utilizando recursos próprios para cobrir a demanda que não é prevista na tabela padrão do governo federal.
De acordo com informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná, o estado investirá anualmente cerca de R$ 15 milhões para manter a oferta do exame. A iniciativa é considerada um avanço estratégico na assistência pública, pois a ultrassonografia morfológica permite uma análise detalhada da formação do bebê, identificando possíveis anomalias em órgãos vitais. O Paraná já se destaca nacionalmente na atenção primária, liderando pelo sexto ano consecutivo o ranking de gestantes que realizam sete ou mais consultas de pré-natal, e esta nova oferta reforça a chamada Linha de Cuidado Materno Infantil.
“Essa estratégia permite antecipar riscos e proporcionar um cuidado muito mais preciso e humanizado para as famílias paranaenses. É um reforço importante para a Linha de Cuidado Materno Infantil, que foca na assistência integral desde o pré-natal, parto e puerpério e garante suporte especializado visando saúde e bem-estar para mamães e bebês”, enfatiza o secretário estadual da Saúde, César Neves.
Como o exame de ultrassom morfológico auxilia no pré-natal?
Diferente da ultrassonografia convencional, o exame morfológico é realizado preferencialmente entre a 20ª e a 24ª semana de gestação. Ele atua como um rastreamento anatômico minucioso, permitindo que os médicos avaliem a formação do coração, cérebro, rins e outros órgãos da criança. Além de observar o desenvolvimento fetal, o procedimento é essencial para a saúde da gestante, pois monitora a posição da placenta e o fluxo sanguíneo, prevenindo complicações graves como a pré-eclâmpsia ou o descolamento prematuro de placenta.
A identificação precoce de condições como a mielomeningocele e a síndrome de transfusão feto-feto possibilita intervenções rápidas. Atualmente, o estado do Paraná já financia cirurgias intrauterinas complexas realizadas no Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com um repasse anual de R$ 864 mil. Com a universalização do diagnóstico, a expectativa é que mais casos sejam encaminhados para tratamento especializado ainda durante a gestação, aumentando as chances de sobrevivência e qualidade de vida dos recém-nascidos.
Quais são os benefícios do diagnóstico precoce de cardiopatias?
Um dos pilares desta nova política de saúde é o projeto Bate-Bate Coração, uma parceria entre a Sesa e o Hospital Pequeno Príncipe, localizado em Curitiba e considerado o maior hospital exclusivamente pediátrico do Brasil. Por meio de tecnologia interativa, equipes médicas de diversas regiões do estado podem discutir casos de cardiopatia congênita em tempo real com especialistas de referência nacional. O diagnóstico obtido através do ultrassom morfológico é o primeiro passo para que o bebê receba assistência cardiológica imediata logo após o nascimento, reduzindo drasticamente os riscos de óbito por defeitos cardíacos não detectados.
O investimento no projeto Bate-Bate Coração soma R$ 3 milhões e complementa a rede de proteção que o estado vem construindo. Ao integrar o exame de imagem detalhado com a telemedicina especializada, o governo estadual busca descentralizar o atendimento de alta complexidade, permitindo que uma gestante no interior do estado receba o mesmo nível de avaliação técnica que teria nos grandes centros urbanos paranaenses.
O que contempla a Linha de Cuidado Materno Infantil no Paraná?
A oferta da ultrassonografia morfológica é o componente mais recente de uma estrutura robusta de atendimento que começa na atenção primária. A Linha de Cuidado Materno Infantil é organizada para acompanhar todo o ciclo reprodutivo, desde o planejamento familiar até o desenvolvimento do recém-nascido. O protocolo estadual estabelece fluxos claros para garantir que nenhuma etapa do atendimento seja negligenciada.
Os principais eixos de atuação desta rede incluem:
- Captação precoce da gestante até a 12ª semana de gravidez;
- Estratificação de risco para identificar gestações de alta complexidade;
- Garantia de exames na Atenção Ambulatorial Especializada (AAE);
- Vinculação obrigatória da gestante ao hospital de referência para o parto;
- Acompanhamento rigoroso no puerpério e assistência ao recém-nascido;
- Promoção de ações de planejamento sexual e reprodutivo nos 399 municípios.
Com a destinação de R$ 11,2 milhões para novas estruturas, como a recém-inaugurada Maternidade de Paranaguá, no litoral do estado, e o aporte contínuo em exames de alta tecnologia, o estado consolida um modelo de gestão que prioriza a redução da morbimortalidade. O objetivo final é assegurar que todas as famílias tenham suporte técnico e financeiro para uma gestação segura, independentemente da condição socioeconômica.


