O Governo do Paraná participou, nesta terça-feira (31 de março), da inauguração da primeira unidade fabril no Brasil destinada à produção do SteriClean, um complemento agrícola de tecnologia húngara. Localizada no Parque Científico e Tecnológico de Biociências (Biopark), em Toledo — importante polo do agronegócio nacional na região Oeste do estado —, a fábrica recebeu um investimento inicial de R$ 10 milhões. O produto visa proteger cultivos contra fungos e bactérias, estimulando o crescimento natural das plantas de forma sustentável.
De acordo com informações da Agência Paraná, a iniciativa é fruto de uma cooperação estabelecida entre a gestão estadual e o Consulado-Geral da Hungria em São Paulo. A articulação foi conduzida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), contando com o apoio técnico do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) para a validação da tecnologia em solo nacional.
Como funciona a tecnologia húngara no agronegócio?
O SteriClean é desenvolvido a partir de um processo tecnológico exclusivo de filtragem e purificação da água, que altera sua estrutura molecular e carga elétrica. Esse procedimento confere ao líquido propriedades oxidativas seguras, permitindo o combate a pragas, bactérias e fungos sem a necessidade de componentes químicos ou resíduos tóxicos. Além da proteção, a solução atua como um sanitizante com capacidades bactericidas e virucidas, preparando a planta para um desenvolvimento mais resistente.
A gestão da nova unidade produtiva ficará a cargo da Sanfer Soluções Agropecuárias. A empresa possui como acionistas a Ferticerto Soluções Orgânicas, que detém os direitos da inovação no país e é parceira do Tecpar em pesquisas biotecnológicas, e a Adaport S/A, responsável pela frente comercial da solução no mercado brasileiro.
Qual a importância estratégica para o estado?
Para o secretário da Seti, Aldo Nelson Bona, a instalação da fábrica reforça a posição paranaense como um centro de inovação em biotecnologia voltada ao campo. Segundo o gestor, a ciência e a pesquisa são os motores do desenvolvimento sustentável e da competitividade internacional.
“Esta iniciativa consolida o Paraná como um polo de inovação em biotecnologia aplicada ao agronegócio, demonstrando que a ciência e a pesquisa são pilares fundamentais para o desenvolvimento sustentável”, afirmou Bona.
O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, destacou que a expertise do instituto foi fundamental para atrair o investimento. A autarquia atuou na avaliação técnica de tecnologias estrangeiras bem-sucedidas para garantir sua aplicabilidade nas condições climáticas e produtivas locais.
Haverá expansão para outras áreas além da agricultura?
Com a estrutura fabril consolidada, inicia-se uma segunda fase de pesquisas voltada à saúde animal. Este novo projeto conta com um aporte de R$ 6 milhões provenientes do Fundo Paraná, gerido pela Seti. O objetivo é testar a eficácia do produto no tratamento de enfermidades que causam grandes prejuízos econômicos à pecuária nacional, um dos pilares da balança comercial brasileira.
Os principais alvos das pesquisas clínicas veterinárias incluem:
- Controle de patógenos causadores de mastite em gado leiteiro;
- Combate ao Senecavírus A, responsável por doenças vesiculares em suínos;
- Eliminação da bactéria Salmonella spp. em criações de porcos;
- Desinfecção preventiva de aviários e controle de amônia;
- Higienização de equipamentos de ordenha em laticínios.
Qual o papel do ecossistema do Biopark neste projeto?
O Biopark, em Toledo, é um ambiente credenciado no Sistema Estadual de Ambientes Promotores de Inovação do Paraná (Separtec). Atualmente, o local abriga cerca de 150 empresas e startups de base tecnológica. A escolha do local para a fábrica de tecnologia húngara ocorreu devido à infraestrutura que integra ciência e mercado.
Rafael De Boni da Silva, diretor da Ferticerto, ressaltou que a decisão de instalar a fábrica no Paraná foi unânime após conhecerem a estrutura técnica oferecida pelo estado. A empresa foca especialmente no mercado de produtos orgânicos, que tradicionalmente possui poucas opções de defensivos agrícolas eficientes.
A cerimônia de inauguração contou com a presença de diversas autoridades, incluindo representantes da Invest Paraná, agência estadual de atração de investimentos, e diretores industriais. O projeto reforça o compromisso do estado com a transição para métodos produtivos que reduzam a dependência de insumos químicos tradicionais, fortalecendo a economia regional por meio da alta tecnologia.
