O Governo do Paraná entregou, em 6 de abril de 2026, 18 novas vans destinadas ao fortalecimento do programa Mãos Amigas, iniciativa que utiliza o trabalho de pessoas privadas de liberdade para a manutenção de escolas da rede estadual. A ampliação da frota visa agilizar os serviços de reparos e conservação, conectando a ressocialização de detentos à eficiência na gestão de recursos públicos para a educação paranaense.
De acordo com informações da Agência Estadual de Notícias (AEN), o investimento integra um contrato de R$ 6,4 milhões, viabilizado por meio do Paraneducação — serviço social autônomo vinculado à Secretaria de Estado da Educação —, com vigência estabelecida até o ano de 2028. Com os novos veículos, o projeto expande sua atuação para as regionais de Ivaiporã, no Vale do Ivaí, e Dois Vizinhos, no Sudoeste, após já ter iniciado atividades em Apucarana no mês de março.
Como a expansão do programa afetará a rede estadual de ensino?
A meta do governo estadual é que, até o primeiro semestre de 2026, o atendimento alcance também as cidades de Wenceslau Braz, no Norte Pioneiro, e Pato Branco. Quando atingir esse patamar, o Mãos Amigas estará presente em 21 regiões do estado, beneficiando aproximadamente cem escolas e mais de 42 mil alunos nessas localidades específicas. As vans atuarão como unidades móveis, garantindo que as equipes tenham a mobilidade necessária para responder rapidamente a chamados de pequenos reparos e conservação preventiva.
Os novos veículos serão distribuídos entre diversos Núcleos Regionais de Educação, incluindo:
- Curitiba e Áreas Metropolitanas Norte e Sul;
- Londrina, Maringá e Ponta Grossa;
- Cascavel, Foz do Iguaçu e Toledo;
- Guarapuava, Paranaguá e Paranavaí;
- Umuarama, Campo Mourão e Francisco Beltrão.
Quais são os impactos financeiros e operacionais da iniciativa?
A utilização da mão de obra prisional na conservação das escolas gera uma economia significativa para os cofres públicos. Segundo o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, a estratégia permite racionalizar gastos mantendo a qualidade estrutural das unidades de ensino.
A adoção estruturada da mão de obra de pessoas privadas de liberdade na conservação da infraestrutura escolar permite ao Estado gerar uma economia anual superior a R$ 5 milhões, mantendo o padrão de qualidade dos serviços.
No primeiro trimestre de 2026, os dados apontam que 262 instituições já receberam serviços por meio do programa, totalizando 640 atendimentos. Entre as principais atividades executadas pelas equipes itinerantes, destacam-se:
- Serviços de roçada e jardinagem;
- Pintura e limpeza geral;
- Pequenos consertos em alvenaria e instalações;
- Manutenção preventiva de ambientes escolares.
Qual é o papel social da Polícia Penal do Paraná no projeto?
Para a Polícia Penal do Paraná (PPPR), órgão estadual responsável pela gestão do sistema carcerário, o programa é um pilar fundamental no processo de reintegração social. Além de combater a ociosidade dentro do sistema prisional, a iniciativa oferece qualificação profissional e auxílio financeiro direto aos custodiados e suas famílias. O chefe da Divisão de Produção e Desenvolvimento da PPPR, Boanerges Silvestre Boeno Filho, reforça que a remuneração é de 75% do salário mínimo, sendo que 80% desse valor é enviado à família do trabalhador e o restante é depositado em uma poupança resgatada após o cumprimento da pena.
Com o trabalho, o custodiado sai da ociosidade e se integra melhor à família. O programa também traz economia para a Secretaria da Educação com despesas de manutenção e, com isso, é possível expandir a iniciativa.
Além da remuneração, os participantes contam com o benefício da remição de pena estabelecido pela Lei de Execução Penal (LEP): a cada três dias trabalhados, um dia é subtraído da sentença total. Em 2023, o reconhecimento nacional da eficácia do modelo veio por meio do Selo Resgata, concedido pela Secretaria Nacional de Políticas Penais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, premiando a responsabilidade social do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) e o incentivo ao trabalho prisional no Paraná.

