O técnico do Palmeiras, o português Abel Ferreira, voltou a criticar o calendário do futebol nacional no último domingo (5 de abril de 2026), após a vitória de sua equipe por 2 a 1 sobre o Bahia, na Arena Fonte Nova, em Salvador. O comandante alviverde expressou forte descontentamento com a maratona de viagens e o curto intervalo de recuperação física entre as partidas disputadas pela Série A do Campeonato Brasileiro e pelas competições continentais organizadas pela Conmebol, exigindo um tempo mínimo de preparação para a segurança e o rendimento dos atletas.
De acordo com informações do UOL Esporte, o atual líder do torneio nacional de pontos corridos iniciou na capital baiana uma sequência considerada extremamente desgastante. O cronograma do clube paulista prevê uma maratona com três confrontos cruciais fora de casa em um curtíssimo espaço de tempo, envolvendo deslocamentos aéreos extensos tanto dentro do território brasileiro quanto para o exterior, fatores que afetam diretamente o planejamento físico e tático.
Como será a sequência de jogos do Palmeiras nos próximos dias?
Para ilustrar o elevado desgaste imposto aos jogadores e à comissão técnica, a logística de viagens da equipe envolve múltiplos destinos estratégicos em apenas uma semana. Após o triunfo na região Nordeste pelo campeonato local, o elenco principal precisa cumprir obrigatoriamente os seguintes compromissos oficiais:
- Viagem à Colômbia para a estreia na Copa Libertadores da América na quarta-feira (8 de abril), enfrentando o Junior Barranquilla, tradicional equipe local.
- Retorno imediato ao Brasil em voo de longa duração após o confronto internacional.
- Partida no domingo (12 de abril) contra o rival Corinthians, na Neo Química Arena, em Itaquera (zona leste de São Paulo), válida pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O treinador detalhou o impacto das imensas distâncias geográficas na performance esportiva, destacando as horas gastas em voos e aeroportos: Somos um país de tamanho continental. Foram três horas para chegar aqui em Salvador, amanhã seis horas para jogar na Colômbia na quarta, depois seis horas para o Brasil e em dois dias jogar contra o Corinthians
, pontuou o profissional, questionando as autoridades desportivas se essa rotina beneficia a qualidade do futebol brasileiro e protege os protagonistas do espetáculo.
Qual é a exigência do treinador em relação ao descanso dos atletas?
O comandante esclareceu que não solicita pausas longas ou incompatíveis com o andamento das competições, mas focou no período mínimo cientificamente necessário para a recuperação muscular. Ele argumentou que a intensidade tática e técnica que o esporte moderno exige fica severamente comprometida sem o repouso adequado.
Não estou pedindo uma semana de descanso. Estou pedindo pelo menos três dias, assim vai dar para jogar com intensidade e qualidade. Temos que criar condições
, declarou.
Por que as decisões de arbitragem também foram alvo de críticas?
Além do planejamento estrutural do calendário, a atuação da equipe de arbitragem na partida na Arena Fonte Nova gerou grande insatisfação. O tempo de acréscimo determinado pelo árbitro Lucas Casagrande foi avaliado como excessivo pela comissão técnica paulista, especialmente em um cenário de alto desgaste físico onde sequer houve pausas protocolares para a hidratação dos jogadores em campo.
Não entendo os oito minutos. Se somar os acréscimos de oito em oito assim em dez jogos, temos mais um jogo nas pernas
, calculou o técnico, demonstrando preocupação com a sobrecarga acumulada ao longo da temporada. Ele deixou claro que manterá sua postura contundente contra o que considera injusto: Ninguém percebeu isso? Não entendi e ninguém vai mudar, vou reclamar sempre que necessário
, completou.
Apesar das incisivas reclamações extracampo, o comandante português fez questão de exaltar o nível técnico do adversário superado neste fim de semana. Ele reconheceu a dificuldade histórica de atuar em Salvador e elogiou a montagem tática da equipe local: Jogamos várias vezes aqui em Salvador contra o Bahia. Nós vimos desde o início a intensidade que o Bahia jogou. É uma equipe agressiva, que joga excelente futebol. É um jogo sempre difícil, contra uma equipe bem montada
, finalizou o treinador alviverde.