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Painel do muralista Poty Lazzarotto sobre saneamento completa 30 anos em Curitiba

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Painel em relevo de Poty Lazzarotto, com figuras humanas estilizadas em tons terrosos, instalado em parede de concreto.
Foto: Bruna cs / flickr (by)

O painel do artista plástico Poty Lazzarotto (1924-1998) — consagrado como um dos maiores muralistas do Brasil e reconhecido nacionalmente por ilustrar clássicos da literatura brasileira —, que narra a história do saneamento no Paraná, completa 30 anos de inauguração neste sábado, 4 de abril de 2026. Localizado no bairro Alto da XV, em Curitiba, o mural foi entregue originalmente em 1996 como uma homenagem ao aniversário da capital paranaense. A obra de quase 70 metros quadrados está instalada na parede externa do Reservatório Cajuru, unidade da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) próxima à Praça das Nações, e consolidou-se como um dos marcos visuais mais significativos da cidade e do acervo de arte pública do país.

De acordo com informações da Agência Paraná, a estrutura é mantida integralmente pela companhia de saneamento desde a sua criação. O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, destacou a importância da preservação desta peça para a memória coletiva do estado.

“Os 63 anos da Sanepar são parte da história de Curitiba e é uma imensa honra a Companhia ser responsável pelo cuidado desta obra do grande Poty Lazzarotto, nome fundamental das artes plásticas do Paraná, que conta a história do que fazemos no nosso dia a dia: levar água de qualidade para os paranaenses.”

Qual é o significado histórico das ilustrações no mural?

O traço inconfundível de Lazzarotto está distribuído em 23 metros de extensão e três metros de altura, onde a presença do trabalhador é o elemento central. A obra utiliza 1.344 azulejos para ilustrar diferentes momentos da evolução tecnológica e social do acesso à água. O artista retratou desde métodos rudimentares até a modernização dos sistemas de abastecimento, evidenciando o esforço humano por trás do serviço público essencial.

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A narrativa visual do painel engloba figuras históricas e cotidianas que marcaram o setor de saneamento. Entre os elementos detalhados na cerâmica, destacam-se:

  • Mulheres carregando latas de água na cabeça, representando o esforço doméstico antigo;
  • A construção de poços artesianos e o trabalho dos pipeiros no transporte de água;
  • A instalação das primeiras tubulações nos Mananciais da Serra;
  • O sistema de abastecimento contemporâneo, totalmente encanado e automatizado.

Como o legado de Poty Lazzarotto influencia novos artistas?

Três décadas após a sua instalação, o mural continua a servir de inspiração para novas gerações de artistas plásticos, como Simon Taylor. O muralista, que recentemente inaugurou a obra “Largo da Ordem 360°”, cita Poty como sua principal referência de carreira. Taylor recorda que a Praça das Nações foi um cenário frequente em sua infância, o que gerou uma conexão emocional profunda com o painel.

“Água é vital; contar sua história é fantástico. Contar a história da água por um artista da qualidade do Poty, então… Ele destaca as faces da cidade. Nessa loucura do dia a dia, ele dá esse destaque para as faces da cidade. Faz você parar e pensar, ‘Olha, quanta gente trabalhou, quanta gente trabalha para termos essa água’.”

Há dois anos, Taylor desenvolveu uma versão própria do painel em aquarela durante uma edição do projeto Urban Sketchers Curitiba. O trabalho resultou em ilustrações que celebram a “Caixa d’Água da Sanepar” como um símbolo arquitetônico e artístico da capital, reforçando o status do local como um ponto turístico e cultural de relevância permanente.

Quais foram os responsáveis pela execução técnica da obra?

O painel, tombado como patrimônio histórico do Paraná em 2014, é fruto de uma parceria técnica entre Poty Lazzarotto e o vitralista e ceramista Adoaldo Lenzi. Lenzi foi o responsável por transpor os desenhos originais do artista para os azulejos, garantindo a fidelidade dos traços fortes e das cores impactantes que definem o estilo de Poty. Esta colaboração foi replicada em diversas outras intervenções urbanas de grande porte.

Além da obra no Alto da XV, o talento da dupla pode ser observado em diversos pontos da cidade, formando uma galeria a céu aberto que inclui o Teatro Guaíra, o Largo da Ordem, as praças 19 de Dezembro e 29 de Março, a Torre da Telepar e o Mercado Municipal. O conjunto dessas obras integra o patrimônio de arte urbana não apenas de Curitiba, sendo fundamental para a identidade visual brasileira.

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