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Padrão GRI 14 busca dar comparabilidade aos relatórios de sustentabilidade na mineração

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Máquina industrial em mina a céu aberto, destacando operações de extração mineral sob céu nublado.
Foto: Horasis / flickr (by-sa)

O padrão GRI 14, lançado em janeiro de 2024 pela Global Reporting Initiative, foi apresentado como uma referência comum para relatórios de sustentabilidade no setor de mineração, em um cenário marcado por regras de divulgação divergentes, padrões voluntários concorrentes e pressão crescente de investidores, reguladores e sociedade civil. A proposta é estruturar o que deve ser reportado, como essas informações devem ser organizadas e, em muitos casos, em que nível de detalhe, inclusive por mina. De acordo com informações do Mining Technology, o novo padrão não impõe mudanças operacionais, mas busca ampliar a transparência sobre impactos ambientais e sociais.

No Brasil, um dos maiores produtores minerais do mundo, a adoção de referências internacionais de reporte tende a ter peso para grandes mineradoras e para empresas com operações no país, especialmente em temas como gestão de água, resíduos, barragens e relacionamento com comunidades afetadas.

Na entrevista publicada pelo veículo, Gelkha Buitrago, líder de mineração da GRI, afirmou que o GRI 14 foi elaborado com base em estruturas setoriais e fontes consideradas autoritativas, incluindo referências de organizações como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Banco Mundial. Segundo ela, o objetivo é reduzir a divulgação seletiva de informações e oferecer uma estrutura mais completa e comparável entre diferentes jurisdições.

Por que a GRI defende o GRI 14 como referência global para a mineração?

Na conversa com o Mining Technology, Buitrago argumenta que a credibilidade do padrão decorre tanto das fontes usadas em sua elaboração quanto do processo multissetorial adotado para definir temas e critérios de divulgação. A executiva sustenta que, embora grandes empresas já publiquem relatórios de sustentabilidade, ainda há preocupação entre partes interessadas com a prática de selecionar apenas dados favoráveis, sem apresentar um quadro completo dos impactos da atividade mineradora.

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Segundo a representante da GRI, o GRI 14 procura consolidar os impactos mais significativos da mineração e as expectativas dos públicos envolvidos em um único referencial. A avaliação apresentada na entrevista é de que, em um ambiente regulatório fragmentado, um padrão reconhecido internacionalmente pode funcionar como ponto de comparação entre empresas e países, reforçando consistência e credibilidade nas informações divulgadas.

Para companhias brasileiras ou multinacionais com ativos no país, essa comparabilidade também pode facilitar a leitura de investidores e demais interessados sobre operações distribuídas em diferentes regiões e marcos regulatórios.

Onde surgiram as principais resistências durante a consulta do padrão?

De acordo com Buitrago, o principal foco de tensão durante a fase de consulta esteve no grau de detalhamento exigido, especialmente no nível de cada mina. Ela disse que a inclusão de reportes por unidade operacional foi uma das contribuições mais importantes do GRI 14, por permitir uma leitura mais precisa dos impactos locais, mas também foi um dos pontos que mais geraram divergências entre participantes do setor.

Na entrevista, a executiva explicou que empresas questionaram até que ponto a desagregação das informações deveria avançar e quais dados poderiam ser divulgados sem criar riscos comerciais ou operacionais. Como exemplo, ela observou que um dado agregado de retirada total de água pouco revela por si só. Para avaliar o impacto real, seria necessário considerar fatores como a localização de cada mina, a situação hídrica da área e o volume retirado em cada local.

  • Detalhamento das informações por mina foi um dos pontos mais discutidos.
  • Empresas levantaram preocupações sobre riscos comerciais e operacionais.
  • A GRI defende que dados localizados tornam os relatórios mais úteis para decisões.

O padrão consegue acompanhar mudanças tecnológicas na mineração?

Questionada sobre o avanço de automação, inteligência artificial, gêmeos digitais, caminhões elétricos a bateria e centros remotos de operação, Buitrago afirmou que o GRI 14 foi desenhado para permanecer relevante justamente por focar impactos mais amplos, e não tecnologias específicas. Nessa leitura, o padrão poderia ser usado para comunicar efeitos dessas transformações sobre consumo de água e energia, emprego dos trabalhadores e comunidades afetadas pela demanda por minerais críticos.

A representante também mencionou que um futuro padrão da GRI voltado à digitalização está em consideração, o que poderia complementar o conjunto atual de normas. Ainda assim, segundo ela, as empresas já podem recorrer ao GRI 14 para relatar impactos associados ao uso de tecnologias emergentes no setor mineral.

O que muda na prática com a adoção do GRI 14?

O texto do Mining Technology destaca que o padrão não obriga mudanças operacionais diretas. Sua função é organizar a divulgação de informações. Ainda assim, a avaliação exposta na entrevista é de que a própria visibilidade gerada pelo reporte pode pressionar companhias a revisar seus impactos, comparar desempenho com pares e responder ao escrutínio externo.

O efeito concreto dessa dinâmica sobre resultados no território, porém, permanece em aberto. A discussão apresentada pelo veículo sugere que a utilidade do GRI 14 dependerá menos de sua existência formal e mais de como as empresas irão tratá-lo: como um exercício de conformidade ou como uma ferramenta para ampliar a qualidade, a consistência e a utilidade pública das informações sobre a mineração.

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