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Otan diz que ainda apura suposto ataque do Irã à base de Diego Garcia

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Foto aérea da base militar de Diego Garcia com hangares, pistas de pouso e diversas instalações próximas ao oceano.
Reprodução / agenciabrasil.ebc.com.br

A Otan afirmou neste domingo, 22 de março de 2026, que ainda investiga a informação de que a base militar de Diego Garcia, usada por Reino Unido e Estados Unidos no Oceano Índico, teria sido alvo de mísseis balísticos intercontinentais do Irã no sábado, 21 de março de 2026. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, disse que não é possível confirmar o episódio neste momento, enquanto Teerã nega qualquer envolvimento. De acordo com informações da Agência Brasil, fontes militares dos EUA não identificadas relataram a agências internacionais que mísseis teriam sido lançados contra a base, mas sem atingir as instalações.

Para o Brasil, a escalada da tensão no Oriente Médio é acompanhada de perto por causa dos possíveis reflexos sobre o mercado internacional de petróleo e sobre a diplomacia brasileira na região. O país mantém relações com diferentes atores do Oriente Médio e costuma defender soluções negociadas em fóruns multilaterais.

Em entrevista à emissora CBS News, Rutte afirmou que a Otan ainda apura o caso e relacionou a suspeita à discussão sobre a capacidade balística iraniana. Segundo ele, se o ataque à base for confirmado, isso indicaria que Teerã já dispõe dessa capacidade; se não for, a avaliação é que o país estaria perto de alcançá-la.

O que disse a Otan sobre o suposto ataque?

Mark Rutte declarou que a aliança não pode confirmar, por ora, que Diego Garcia tenha sido atingida. A fala foi dada em entrevista exclusiva à CBS News. No relato publicado, o secretário-geral afirmou que o caso segue sob investigação.

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“Não podemos confirmar isso neste momento, então estamos investigando”.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de o Irã ter capacidade para atingir alvos mais distantes, incluindo cidades europeias, Rutte disse que a avaliação da Otan é de que Teerã estaria muito próximo de desenvolver essa capacidade balística intercontinental.

Como o Irã respondeu às acusações?

O governo iraniano negou ter atacado a base militar conjunta de EUA e Reino Unido, localizada a mais de 3 mil quilômetros do território iraniano. Teerã sustenta, segundo a reportagem, que seus mísseis têm alcance de até 2 mil quilômetros.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, classificou a acusação como uma “falsa bandeira” para responsabilizar o país. No texto original, ele também afirmou que a recusa de Rutte em endossar a versão atribuída a Israel demonstra desgaste internacional com esse tipo de narrativa.

“O fato de até mesmo o secretário-geral da Otan se recusar a endossar a mais recente desinformação de Israel diz muito: o mundo está completamente exausto dessas histórias batidas e desacreditadas”.

Por que Diego Garcia entrou no centro da crise?

A base de Diego Garcia ganhou relevância no contexto da guerra no Oriente Médio por ser uma instalação estratégica compartilhada por Reino Unido e Estados Unidos no Oceano Índico. Se fosse confirmada a autoria iraniana em um ataque ao local, o episódio poderia ampliar a crise e elevar a pressão sobre Londres e a própria Otan.

O território de Diego Garcia integra o Território Britânico do Oceano Índico e abriga uma base de importância estratégica para operações militares dos EUA e do Reino Unido. Pela posição no Índico, a instalação é vista como ponto logístico relevante para ações no Oriente Médio e na Ásia.

Segundo a reportagem, o governo britânico confirmou na sexta-feira, 20 de março de 2026, que os EUA utilizam bases do Reino Unido em ações de “autodefesa coletiva da região”, incluindo operações defensivas americanas voltadas a degradar locais e capacidades de mísseis usados para atacar navios no Estreito de Ormuz. A confirmação provocou reação do governo iraniano.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo, o que ajuda a explicar por que episódios militares na região têm repercussão internacional. Oscilações nessa área podem afetar os preços da energia e combustíveis em diversos países, inclusive o Brasil.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, estaria expondo vidas britânicas ao permitir o uso dessas bases em ações contra o Irã. Ele declarou ainda que o país exercerá seu direito à autodefesa.

Qual é o debate sobre a capacidade militar do Irã?

A possibilidade de o Irã desenvolver mísseis balísticos intercontinentais tem sido usada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como uma das justificativas para ações contra Teerã. O tema também voltou a aparecer nas declarações de Mark Rutte.

Ao mesmo tempo, a reportagem informa que os serviços de inteligência dos EUA trabalham com um prazo mais longo para esse desenvolvimento e não confirmam que o Irã esteja efetivamente perseguindo esse objetivo neste momento. Em audiência no Senado dos EUA na semana passada, a diretora da Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, afirmou que o Irã poderia alcançar esse tipo de tecnologia até 2035, caso decida seguir nessa direção.

  • A Otan diz que ainda investiga o suposto ataque.
  • O Irã nega qualquer ação contra Diego Garcia.
  • Fontes militares dos EUA disseram que mísseis teriam sido lançados, sem atingir a base.
  • O debate sobre o alcance dos mísseis iranianos segue no centro da crise.

Com isso, o episódio permanece sem confirmação oficial por parte da Otan, enquanto versões divergentes de autoridades ocidentais e iranianas ampliam a tensão em torno do conflito no Oriente Médio.

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