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Oriente Médio evidencia falha histórica da estratégia de assassinatos militares

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A column of smoke resulting from the Israeli bombing of the Gaza Strip
A column of smoke resulting from the Israeli bombing of the Gaza Strip Foto: Mohammed Ibrahim via Unsplash — Unsplash License (livre para uso)

A estratégia militar focada em eliminar lideranças no Oriente Médio não é suficiente para garantir a paz definitiva na região. A análise aponta que ações armadas conduzidas por Israel e pelos Estados Unidos, focadas em neutralizar oponentes pelo ar, falham ao ignorar a necessidade de construções políticas reais.

De acordo com artigo publicado na Folha de S.Paulo, o jornalista do New York Times e vencedor do prêmio Pulitzer, Thomas L. Friedman, argumenta que prometer o fim de conflitos regionais por meios estritamente armamentistas é um erro de avaliação histórico e persistente.

Por que a força militar não elimina ameaças de forma definitiva?

A promessa de erradicar grupos armados de modo absoluto exige muito mais do que bombardeios aéreos direcionados. A verdadeira neutralização de uma ameaça militar depende de concessões diplomáticas e da criação de uma liderança autossustentável no lado oponente. O Hamas serve como o principal laboratório empírico dessa dinâmica de resistência e regeneração ao longo das últimas décadas.

Historicamente, as forças israelenses já eliminaram três gerações completas de comandantes palestinos. A lista de líderes mortos inclui os fundadores do movimento na década de 1990 e no início dos anos 2000, como Yahya Ayyash, Ahmed Yassin e Abdel Aziz Rantisi. Apesar das baixas contínuas nos altos escalões, uma nova cúpula de comando sempre assume o poder governante, frequentemente com armamentos ainda mais sofisticados.

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Como o Hamas consegue regenerar sua liderança na Faixa de Gaza?

Após os trágicos ataques de 7 de outubro de 2023, Israel iniciou mais uma campanha sistemática de neutralização contra a nova geração do grupo. As operações militares conduzidas até o início de 2026 resultaram nas mortes de figuras cruciais, englobando:

  • Saleh al-Arouri, principal elo estratégico da organização com o Hezbollah.
  • Mohammed Deif, o alto chefe militar das tropas em campo.
  • Ismail Haniyeh, o então líder político central do movimento.
  • Yahya Sinwar e seu sucessor direto, o irmão Mohammed Sinwar.

Mesmo após a eliminação física de toda a sua cúpula por três vezes consecutivas, a quarta geração do grupo continua exercendo controle sobre as áreas da Faixa de Gaza que não estão sob domínio direto militar de Israel. A estratégia de decapitação do comando falha devido às profundas raízes políticas e culturais do movimento na região, além da constante intimidação exercida sobre os moradores locais que divergem do grupo.

Qual é o impacto da recusa diplomática em aceitar alternativas políticas?

O fracasso estrutural em neutralizar a instabilidade decorre também da recusa contínua do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu em trabalhar formalmente com a Autoridade Palestina. O governo em Tel Aviv opta por ignorar a facção que administrava Gaza antes de 2007, priorizando o estabelecimento de controle territorial permanente na Cisjordânia.

A finalidade dessa postura diplomática intransigente é inviabilizar a solução de dois Estados. Esse bloqueio vai de encontro à posição diplomática histórica do Brasil e de grande parte da comunidade internacional, que defendem a criação de um Estado palestino independente como premissa para a paz. Contudo, líderes internacionais, incluindo o presidente norte-americano Donald Trump, acabam sendo influenciados por narrativas que deslegitimam qualquer alternativa palestina institucional. A mesma tática de eliminação unilateral espelha-se no caso do Irã. Enquanto comandantes iranianos são abatidos e prontamente substituídos pelo regime, o movimento de oposição civil iraniano segue desarticulado, temendo a dura repressão estatal e a escalada de ataques externos.

O atual cenário geopolítico consolida a premissa de que a política de humilhação total de um Estado ou organização cria ciclos perpétuos de retaliação. Como ilustra uma citação metafórica resgatada pela análise em referência ao esgotamento de um rival no cinema:

“Drenagem! Drenagem, Eli, seu moleque.”

A frase serve de alerta sobre a periculosidade incontrolável de pressionar um adversário sistêmico até o limite extremo, onde ele não possua mais absolutamente nada a perder.

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