A Secretaria da Segurança e da Defesa Social da Paraíba (Sesds) iniciou, na terça-feira (7), a primeira edição do ano da Operação Quatro Patas no município de Campina Grande. A ofensiva integrada, que tem como objetivo central o combate aos maus-tratos contra animais, mobiliza equipes especializadas para atuar em diversos bairros da cidade. O enfrentamento a esse tipo de crime tem ganhado rigor no cenário nacional com a aplicação da Lei Sansão (Lei 14.064/2020), que aumentou as penas para quem maltrata cães e gatos no Brasil. De acordo com informações do Governo da Paraíba, a ação é coordenada a partir do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da 2ª Região Integrada de Segurança Pública (Reisp).
O efetivo conta com a participação de 30 agentes das forças de segurança estaduais, unindo esforços de múltiplas instituições para garantir a eficácia das abordagens. Entre as entidades envolvidas no trabalho de campo e inteligência estão a Polícia Civil, representada pela Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), e a Polícia Militar, por meio do Batalhão de Polícia Ambiental (BPAmb) e do Comando de Policiamento Regional (CPR I). O suporte técnico e pericial é fornecido pelo Instituto de Polícia Científica (IPC) e pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), com apoio logístico do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba.
Qual o objetivo principal da Operação Quatro Patas em Campina Grande?
A operação visa verificar denúncias de violações aos direitos dos animais acumuladas ao longo dos últimos meses. Ao todo, foram estabelecidos 12 alvos prioritários para fiscalização imediata. Essas localidades foram identificadas por meio de registros formais na delegacia especializada e também através de chamadas efetuadas pela população para o número 193. A integração de dados permite que as equipes atuem de forma cirúrgica em pontos onde há maior evidência de irregularidades ou reincidência de condutas criminosas contra a fauna local e animais domésticos.
Até o início da tarde de terça-feira (7), quatro endereços haviam passado por inspeção detalhada. Em um dos locais visitados pelos agentes, a denúncia de maus-tratos não foi confirmada após a vistoria técnica. Entretanto, em outro ponto monitorado, a situação de vulnerabilidade animal foi comprovada, resultando na intervenção direta das autoridades ambientais e policiais para assegurar o bem-estar dos animais encontrados em condições inadequadas.
Como é realizado o planejamento estratégico da ação integrada?
O planejamento estratégico da Operação Quatro Patas baseia-se no uso intensivo de tecnologia e inteligência de dados. O Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) desempenha um papel fundamental ao organizar as fichas de ocorrências e subsidiar a classificação dos alvos. Esse mapeamento leva em conta a frequência de denúncias em determinadas áreas e o histórico de infrações ambientais registradas no sistema, o que otimiza o deslocamento das viaturas e o emprego do efetivo de 30 profissionais em campo.
Além da fiscalização ambiental, a operação obteve resultados significativos no combate a outros ilícitos. Em uma residência localizada no bairro Centenário, os policiais encontraram e apreenderam uma arma de fogo, munições de diversos calibres e valores em espécie. No mesmo local, foram resgatados animais silvestres mantidos ilegalmente em cativeiro. Todo o material coletado foi encaminhado para investigação, com o intuito de apurar se o alvo possui ligação direta com redes de comercialização clandestina de fauna silvestre na região.
Quais são os mecanismos de monitoramento utilizados pelas forças de segurança?
As equipes em campo são monitoradas em tempo real pelas plataformas do CICC, garantindo que qualquer necessidade de suporte adicional seja atendida prontamente. A sistematização das informações coletadas durante as abordagens serve para alimentar o banco de dados estadual, permitindo que futuras fases da operação sejam ainda mais assertivas. A diretora do CICC da 2ª Reisp, coronel BM Jousilene Sales, reforçou a importância dessa estrutura tecnológica para a segurança pública e a proteção ambiental na Paraíba.
O CICC atua de forma contínua no levantamento, organização e análise das informações oriundas dos atendimentos realizados pelos canais de emergência. Esse trabalho permite identificar padrões de recorrência, classificar alvos prioritários e subsidiar o planejamento das forças operativas. Além disso, o CICC acompanha em tempo real o desenvolvimento das ações, garantindo suporte às equipes em campo e contribuindo para a integração entre os órgãos envolvidos.
A operação segue com atividades programadas para esta quarta-feira (8), mantendo o foco no cumprimento dos mandados e vistorias restantes. As autoridades reiteram que o apoio da sociedade é essencial para o sucesso da iniciativa, incentivando a continuidade das denúncias anônimas pelos canais oficiais de segurança para coibir práticas de crueldade contra animais em todo o território paraibano.


