A Polícia Civil do Estado do Pará deflagrou, em 31 de março de 2026, a Operação Medusa, resultando na prisão de quatro pessoas suspeitas de integrarem uma organização criminosa envolvida em crimes de extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DRFRVA), vinculada à Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), e contou com o suporte estratégico da Polícia Civil do Ceará para desmantelar um esquema que movimentou montantes superiores a R$ 20 milhões.
De acordo com informações da Agência Pará, o grupo atuava de forma incisiva na região do Marajó Ocidental, com foco nos municípios de São Sebastião da Boa Vista, Curralinho, Portel, Breves e Anajás. O Marajó, no Pará, é um arquipélago de grande extensão territorial e com forte dependência do transporte fluvial, o que influencia a logística de operações policiais na região. O objetivo central da operação foi desarticular o núcleo financeiro da organização, que utilizava empresas de fachada para ocultar a origem ilícita dos recursos obtidos por meio de atividades violentas e do comércio de entorpecentes.
Como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro do grupo?
As investigações apontam que a organização criminosa utilizava comerciantes e até funcionários públicos residentes em São Sebastião da Boa Vista para facilitar o fluxo financeiro. Esses indivíduos eram responsáveis pelo recebimento de valores oriundos de extorsões e do tráfico de armas e drogas na região marajoara. Para dar aparência de legalidade aos recursos, os suspeitos realizavam transações complexas que culminavam no setor imobiliário de outro estado.
A quebra de sigilo fiscal e bancário foi determinante para que os investigadores identificassem o destino final do capital. O delegado Augusto Potiguar, titular da DRCO, detalhou a dinâmica financeira do grupo criminoso:
“Percebemos uma movimentação vultosa, superior a 20 milhões de reais. Verificou-se que os valores oriundos da lavagem de dinheiro eram destinados a uma empresa de construção de imóveis de alto padrão na cidade de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza”
Quais foram os principais resultados da Operação Medusa?
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, as equipes policiais conseguiram capturar quatro alvos principais da investigação. Além das prisões, a ofensiva resultou na apreensão de três automóveis de alto valor, que seriam frutos diretos do enriquecimento ilícito proporcionado pelo esquema. Em São Sebastião da Boa Vista, o Grupamento Fluvial (GFLU) da Polícia Militar prestou apoio logístico essencial para o deslocamento das equipes pelas vias hídricas da região.
Os itens apreendidos e as ações realizadas até o momento incluem:
- Prisão preventiva de quatro integrantes do núcleo financeiro da organização;
- Apreensão de três veículos de luxo vinculados aos investigados;
- Bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros;
- Coleta de documentos e dispositivos eletrônicos para perícia técnica.
Quais órgãos participaram da força-tarefa policial?
A complexidade da Operação Medusa exigiu uma mobilização de diversas unidades especializadas. A Polícia Civil do Estado do Ceará, por meio de sua Divisão de Combate à Lavagem de Dinheiro, foi peça-chave para localizar o paradeiro dos investimentos imobiliários em Eusébio, município da Região Metropolitana de Fortaleza. No Pará, a operação mobilizou a Diretoria de Polícia Especializada (DPE) e a Delegacia de Repressão a Roubo a Banco e Antissequestro (DRRBA).
As autoridades reforçam que este é apenas o primeiro desdobramento de uma investigação mais ampla. O foco agora se volta para o sequestro de bens e imóveis de alto padrão que foram financiados com o dinheiro do crime. A Polícia Civil busca identificar outros envolvidos que possam ter facilitado a entrada de recursos no sistema bancário formal, mantendo a presunção de inocência até o trânsito em julgado das sentenças.
Os suspeitos presos foram encaminhados para unidades policiais onde foram realizados os procedimentos legais de praxe e agora permanecem à disposição do Poder Judiciário. A continuidade das investigações pretende asfixiar financeiramente a facção criminosa, impedindo que novos crimes de extorsão e tráfico continuem a assolar as populações do arquipélago do Marajó.



