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Ondas de calor marinhas quase dobram prejuízo de ciclones tropicais, diz estudo

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Ondas de calor marinhas podem quase dobrar os danos econômicos causados por ciclones tropicais que passam por áreas anormalmente quentes do oceano e se intensificam rapidamente, segundo um estudo publicado em 10 de abril de 2026 na revista Science Advances. A pesquisa analisou quase 800 ciclones ocorridos no mundo entre 1981 e 2023 e concluiu que essas tempestades geraram prejuízos 93% maiores do que aquelas que não passaram por esse processo, mesmo considerando os níveis de desenvolvimento costeiro. De acordo com informações da Carbon Brief, os autores defendem que essa interação receba mais atenção em estratégias de adaptação e preparação climática.

O estudo afirma que ciclones tropicais que se fortalecem rapidamente ao cruzar regiões de calor oceânico extremo podem se tornar “supercarregados”, com maior probabilidade de causar perdas econômicas elevadas. Segundo a pesquisa, essas tempestades também apresentam taxas mais altas de chuva e ventos máximos mais intensos.

O que o estudo identificou sobre perdas econômicas?

A análise reuniu dados de quase 800 ciclones tropicais registrados em diferentes partes do mundo ao longo de mais de quatro décadas. O principal resultado apontado foi que ciclones em rápida intensificação, quando associados a ondas de calor marinhas, produziram danos econômicos quase duas vezes maiores do que os demais eventos.

O texto destaca que o aumento estimado foi de 93% nos prejuízos. A comparação levou em conta o nível de desenvolvimento das áreas costeiras, para evitar que o resultado fosse explicado apenas pela maior concentração de infraestrutura e patrimônio nas regiões atingidas.

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O que é intensificação rápida de um ciclone tropical?

Ciclones tropicais são sistemas de tempestade de rotação rápida que se formam sobre águas oceânicas quentes, com baixa pressão em seu centro e ventos sustentados que podem ultrapassar 120 quilômetros por hora. O termo inclui furacões, ciclones e tufões, dependendo da bacia oceânica em que ocorrem.

A chamada intensificação rápida acontece quando uma tempestade aumenta de força de forma significativa em pouco tempo. Segundo a definição citada no texto, isso ocorre quando a velocidade sustentada do vento sobe pelo menos 30 nós, cerca de 55 quilômetros por hora, em um período de 24 horas.

Entre os fatores associados a esse processo estão:

  • temperaturas oceânicas elevadas;
  • alta umidade;
  • baixo cisalhamento vertical do vento.

O cisalhamento vertical do vento, conforme explicado no artigo original, se refere à semelhança entre a velocidade dos ventos em níveis mais altos da atmosfera e os ventos próximos à superfície.

Por que as ondas de calor marinhas agravam esses eventos?

Ondas de calor marinhas são períodos de temperaturas oceânicas anormalmente altas. Assim como as ondas de calor na atmosfera, elas têm se tornado mais frequentes com o aquecimento recente, segundo o texto. Pesquisas anteriores já haviam indicado que esse aquecimento extremo do oceano pode favorecer a intensificação rápida de ciclones.

A explicação apresentada é que a água mais quente funciona como combustível para a tempestade. Com mais energia disponível, aumenta a possibilidade de ventos mais fortes, chuvas mais intensas e, consequentemente, danos maiores quando o sistema atinge áreas habitadas.

Qual é o contexto climático apontado pelos pesquisadores?

O artigo informa que a intensificação rápida de ciclones tropicais se tornou mais comum desde a década de 1980 e pode se tornar ainda mais frequente no futuro com a continuidade do aquecimento. O texto também ressalta que, embora exista incerteza sobre como a mudança do clima afetará a frequência total dos ciclones tropicais, o aumento de sua força e da intensificação é um sinal mais claro.

Além disso, os autores afirmam que, como as ondas de calor marinhas devem se tornar mais frequentes em cenários futuros de mudança climática, a interação entre tempestades e oceanos anormalmente aquecidos precisa ser considerada com maior peso nas políticas de adaptação climática e de preparação para desastres.

Um pesquisador não envolvido no estudo afirmou à Carbon Brief que a nova análise representa um avanço na compreensão de como refinar previsões sobre o que pode ocorrer em um mundo cada vez mais quente. O texto, porém, não detalha nesta versão o restante da declaração nem traz novas conclusões além das já apresentadas.

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