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Oncoclínicas corre risco operacional após prejuízo de R$ 3,6 bilhões

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A rede médica Oncoclínicas revelou enfrentar um cenário crítico que ameaça a sua manutenção no mercado financeiro e de saúde do Brasil. O alerta ocorre após a empresa registrar um prejuízo líquido de R$ 3,6 bilhões no encerramento de 2025, um salto expressivo em relação ao revés financeiro de R$ 717 milhões anotado no ano anterior.

De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a crise de liquidez é agravada por perdas drásticas com investimentos bancários e altos índices de inadimplência corporativa. No balanço financeiro divulgado recentemente, os diretores da companhia utilizaram termos severos na demonstração oficial para descrever o atual momento de fragilidade do negócio, relatando um

cenário de incertezas significativas sobre a continuidade operacional

Quais fatores levaram a Oncoclínicas a esta crise financeira?

A forte deterioração do caixa da empresa, que possui atualmente 146 unidades espalhadas por 49 cidades brasileiras, é resultado de uma soma de reveses financeiros agudos. A diretoria corporativa elencou os três fatores primordiais que impactaram duramente a liquidez corrente da operação médica:

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  • Perdas significativas com recursos que estavam depositados no Banco Master;
  • Alta inadimplência nos repasses milionários devidos pela Unimed-Ferj;
  • Queda acentuada na arrecadação de receitas após uma revisão profunda na política comercial da rede.

A situação alarmante foi atestada pelo parecer independente da Deloitte, empresa responsável pela auditoria técnica dos números apresentados. O documento destacou o não cumprimento de índices financeiros exigidos em contratos de financiamentos, debêntures e empréstimos. Essa falha causou a reclassificação de uma grande parte das obrigações financeiras imediatas da rede, gerando uma

incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional

Qual é o tamanho da dívida e a relação com o Banco Master?

Até o final do ano fiscal de 2025, a dívida líquida da companhia de saúde, quando somada às aquisições ainda pendentes de pagamento, alcançou a marca de R$ 2,9 bilhões. A alavancagem financeira total encerrou o período patinando em 3,5 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

Um dos pontos de maior impacto no caixa corporativo envolve diretamente as operações no Banco Master. A rede oncológica mantinha R$ 430,9 milhões alocados em Certificados de Depósito Bancário da referida instituição. Diante de sucessivas complicações do banco, a empresa de saúde precisou executar uma provisão de perdas vertiginosa no valor de R$ 213,9 milhões.

A relação com a instituição financeira também esbarra em complicações societárias que abalaram o mercado de capitais, provocando uma desvalorização de quase 70% nas ações da rede médica ao longo de 12 meses. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro chegou a possuir 15% de participação na companhia oncológica. Atualmente, quase nove por cento desta fatia encontra-se sob controle do Banco de Brasília em meio a disputas que correm na Justiça.

Quais as estratégias de sobrevivência e a parceria com Porto e Fleury?

Para contornar o risco de paralisação completa de suas atividades, a administração confirmou o início de tratativas de urgência com credores. O objetivo principal é alongar os prazos e renegociar os débitos até que a rede retome a estabilidade e a geração positiva de caixa. Em paralelo, os executivos intensificaram a cobrança junto ao sistema Unimed para recuperar uma parcela da dívida calculada em cerca de R$ 900 milhões.

A principal aposta do conselho para salvar o futuro corporativo envolve negociações recentes com o Grupo Porto e a rede Fleury. Nas últimas semanas, as empresas assinaram termos de compromissos preliminares para a estruturação de uma nova entidade de saúde. A proposta desenhada prevê que os parceiros invistam cerca de R$ 500 milhões, assumindo aproximadamente 30% do negócio por meio de uma holding administrativa.

A tática de reestruturação abrange o levantamento imediato de até R$ 1 bilhão, que será viabilizado mediante a venda de participações societárias e a emissão de debêntures conversíveis em ações. A transferência de fatias da atual dívida operacional bilionária para esta futura empresa também consta no projeto, embora dependa integralmente da aprovação prévia dos credores envolvidos no processo.

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