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Oncoclínicas confirma pedido cautelar contra cobranças em meio a dívida de R$ 3,3 bilhões

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A Oncoclínicas confirmou que apresentaria nesta terça-feira, 13 de abril de 2026, uma ação cautelar para suspender cobranças e evitar o vencimento antecipado de dívidas, em meio a um passivo total de R$ 3,3 bilhões. A medida foi informada pela companhia após antecipação do caso pela imprensa e ocorre enquanto a rede de tratamento de câncer enfrenta dificuldades financeiras, problemas na negociação com credores e atraso no atendimento de pacientes. De acordo com informações do Valor Empresas, a iniciativa busca dar fôlego administrativo e financeiro à empresa durante as tratativas com os credores.

Em fato relevante, a companhia afirmou que a tutela cautelar terá pedidos para suspender, de forma liminar, os efeitos de cláusulas contratuais que imponham o vencimento antecipado das dívidas listadas, além da exigibilidade das obrigações ligadas aos instrumentos financeiros e às instituições mencionadas na ação. A empresa sustenta que a medida pretende preservar a continuidade das operações enquanto tenta reorganizar sua situação financeira.

Por que a Oncoclínicas decidiu recorrer à Justiça?

Segundo o texto divulgado pela própria companhia, o objetivo da cautelar é criar um ambiente mais organizado e estável para a condução da mediação e da negociação com os credores, sem interrupção das atividades. A empresa associou o movimento ao cenário macroeconômico e setorial que classificou como desafiador.

“terá como objetivo proporcionar um ambiente administrativo e financeiro mais organizado e estável para a companhia, permitindo que ela conduza a mediação e negociação com seus credores sem interrupção de suas atividades ou alteração na condução ordinária de seus negócios, apesar do atual cenário macroeconômico e setorial desafiador”

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A Oncoclínicas também declarou que segue operando normalmente e que mantém conversas com credores em busca de um acordo. No comunicado, a empresa disse continuar empenhada em tratativas que possam resultar em entendimento considerado benéfico para os investidores.

“permanece operando normalmente e continua empenhada em manter conversas positivas com seus credores visando atingir um acordo que seja benéfico a todos os seus investidores”

Qual é o tamanho da dívida e onde está a principal dificuldade?

A dívida total informada pela companhia chega a R$ 3,3 bilhões. Desse montante, R$ 1,5 bilhão corresponde a Certificados de Recebíveis Imobiliários, os CRIs. De acordo com a reportagem original, a empresa encontra dificuldade para negociar um waiver da alavancagem nesse grupo de papéis, porque os detentores estão muito pulverizados no mercado.

No fim do ano passado, a Oncoclínicas encerrou o período com alavancagem de 4,27 vezes o lucro antes de juros, depreciação e amortização, o Ebitda. O covenant acordado com os credores era de 3,5. Esse descumprimento do parâmetro financeiro ajuda a explicar a pressão sobre a companhia e o risco de aceleração das cobranças.

  • Dívida total: R$ 3,3 bilhões
  • Parcela em CRIs: R$ 1,5 bilhão
  • Alavancagem no fim do ano passado: 4,27 vezes Ebitda
  • Covenant acordado com credores: 3,5

Como a crise financeira afeta a operação da empresa?

A maior dificuldade operacional mencionada na reportagem é a aquisição de medicamentos. Esse problema tem provocado atraso em tratamentos, com cerca de 6 mil pacientes tendo atendimentos adiados. O dado indica que a situação financeira já ultrapassa o campo estritamente corporativo e alcança diretamente a prestação de serviços de saúde.

Além disso, a companhia tem um passivo de cerca de R$ 400 milhões com a distribuidora de medicamentos Santa Cruz, apontada como sua única fornecedora. Esse ponto ajuda a dimensionar a relevância da cadeia de abastecimento para o funcionamento da rede e o impacto potencial da restrição financeira sobre o atendimento.

Com a ação cautelar, a empresa tenta evitar um agravamento imediato da pressão financeira enquanto negocia com credores e busca estabilizar sua estrutura de pagamentos. O caso reúne elementos de reestruturação financeira e de continuidade operacional, em um momento em que a companhia também precisa lidar com os efeitos práticos da crise sobre o fornecimento de medicamentos e o atendimento aos pacientes.

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