Verde Vagomundo inspira pavilhão do Pará na Bienal de Arquitetura - Brasileira.News
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Verde Vagomundo inspira pavilhão do Pará na Bienal de Arquitetura

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O Pavilhão Ciccillo Matarazzo, mais conhecido como Pavilhão da Bienal é considerado um ícone cosmopolita da arquitetura moder
O Pavilhão Ciccillo Matarazzo, mais conhecido como Pavilhão da Bienal é considerado um ícone cosmopolita da arquitetura moderna. Hoje a Biental de Artes de São Paulo. Nenhum outro edifício está mais v Foto: Rodrigo_Soldon — CC BY-ND

A obra literária Verde Vagomundo, do renomado escritor e político paraense Benedicto Monteiro (1924-2008), foi selecionada para integrar a cenografia do pavilhão do Pará durante a primeira edição da Bienal Brasileira de Arquitetura. O evento ocorre na capital paulista entre os dias 26 de março e 30 de abril de 2026, reunindo diversas perspectivas sobre o habitar brasileiro. O livro, que foi relançado recentemente pela Editora Pública Dalcídio Jurandir (vinculada ao governo estadual), compõe o espaço intitulado “Caminho dos Rios”, servindo como um pilar de sustentação cultural para a narrativa apresentada pelo estado.

De acordo com informações da Agência Pará, o pavilhão busca traduzir, com elevado grau de sensibilidade, a memória e os saberes ancestrais da região amazônica. A proposta cenográfica cria uma estrutura fluida onde os cursos d’água — fundamentais para a logística e a cultura do Norte do Brasil — são utilizados como linguagem arquitetônica. Dentro desta representação de uma “casa paraense”, o livro de Monteiro está posicionado estrategicamente em uma mesa de escritório, simbolizando a conexão entre a literatura e a identidade territorial do Pará.

Como o livro Verde Vagomundo foi escolhido para a Bienal?

A escolha da obra passou por uma curadoria que une arquitetura e referências artísticas locais de renome, como a cantora Fafá de Belém. A arquiteta Tuane Costa, diretora criativa do Studio Tuca e responsável pelo pavilhão, revelou que o mergulho na leitura de “Verde Vagomundo” foi fundamental para o processo de criação da “Varanda de Nazaré” (camarote e espaço cultural tradicional do Círio de Nazaré), projeto que precedeu a Bienal. A presença do exemplar no pavilhão é vista como um elemento simbólico indispensável para representar a alma do estado.

“Em 2025, mergulhei no livro ‘Verde Vagomundo’, que foi uma grande inspiração para a criação da cenografia e da arquitetura da ‘Varanda de Nazaré’, realizada pelo Studio Tuca. Esse livro chegou até mim através da cantora Fafá de Belém — e, como essa casa paraense também foi pensada para ela, isso tornou a presença dessa obra ainda mais simbólica.”

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Qual é o contexto histórico da obra de Benedicto Monteiro?

O livro possui um histórico de resistência política e criatividade sob adversidade. Escrito originalmente no contexto do golpe militar de 1964, Verde Vagomundo nasceu enquanto Benedicto Monteiro estava detido e enfrentava a cassação de seu mandato como deputado federal. A inspiração para o título e o conteúdo surgiu de um momento de fuga para sua cidade natal, Alenquer (no Baixo Amazonas), quando o autor observou a vastidão do céu amazônico de dentro de uma aeronave. Essa carga histórica confere à obra uma profundidade que ultrapassa a estética literária, atingindo o cerne da resistência democrática e cultural paraense.

Qual a importância do relançamento pela Imprensa Oficial?

A preservação deste legado literário é fruto do trabalho da Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa), autarquia estadual. Em 2025, a instituição promoveu o relançamento do título por meio de sua editora pública, garantindo que novas gerações tivessem acesso ao texto. Segundo Jorge Panzera, presidente da Ioepa, a presença do livro na Bienal representa uma vitória para a cultura do estado, permitindo que a realidade amazônica seja visualizada por um público nacional amplo e qualificado em São Paulo.

  • O pavilhão “Caminho dos Rios” foca em saberes ancestrais e territórios;
  • A exposição acontece em São Paulo até o dia 30 de abril de 2026;
  • O relançamento da obra ocorreu em 2025 pela Editora Pública Dalcídio Jurandir;
  • A cenografia é assinada pelo Studio Tuca, com direção de Tuane Costa.

O esforço conjunto entre o governo estadual, arquitetos e o setor editorial demonstra como a integração de diferentes áreas da cultura pode fortalecer a imagem de uma região em eventos de grande escala. A Bienal Brasileira de Arquitetura serve, assim, como vitrine para que a potência dos fazeres amazônicos seja reconhecida nacionalmente não apenas como folclore, mas como uma linguagem espacial e intelectual contemporânea, baseada na vivência real de seus habitantes e na história de seus pensadores.

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