
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, viajou de Brasília para Maceió, em 14 de novembro de 2025, em um avião particular cujos custos foram bancados por uma advogada ligada ao Banco Master. O magistrado, acompanhado de sua esposa, deslocou-se à capital alagoana para participar de uma festa de aniversário a convite da própria responsável financeira pelo trajeto.
A revelação do deslocamento aéreo levanta debates sobre os limites éticos e as relações entre altas autoridades da República e profissionais que atuam nos tribunais superiores. As defesas e assessorias dos envolvidos emitiram notas confirmando a realização da viagem e esclarecendo o contexto festivo do convite pessoal.
Quem financiou a viagem do ministro do STF?
A responsável por arcar com as despesas do voo privado foi a advogada Camilla Ewerton Ramos. Ela é casada com o desembargador Newton Ramos, que atua no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), corte sediada em Brasília onde Nunes Marques também exerceu a magistratura antes de ser indicado ao STF, em 2020.
De acordo com informações do Estadão, a aeronave utilizada pertence à empresa Prime You. Esta companhia do setor de aviação executiva é conhecida por administrar os bens do banqueiro e sócio majoritário Daniel Vorcaro, figura central nas operações institucionais do Banco Master.
Qual é a relação da advogada com o Banco Master?
O ponto central que atrai a atenção da imprensa e de analistas políticos sobre o episódio é a atuação profissional de Camilla. Conforme noticiado pelo Metrópoles, a advogada que bancou a viagem atua judicialmente em favor da própria instituição financeira.
A profissional consta como representante legal do banco em processos em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a segunda corte mais alta do país para causas federais. O fato de uma advogada com causas ativas nos tribunais superiores de Brasília custear integralmente o transporte de um ministro da mais alta corte gera debates naturais sobre os protocolos de recebimento de cortesias por parte de autoridades de Estado.
O que dizem os envolvidos sobre o voo para Maceió?
As assessorias dos citados se manifestaram oficialmente sobre o episódio para dar transparência ao caso. A equipe do ministro Nunes Marques enviou uma nota à imprensa justificando a logística e a motivação do deslocamento para a região Nordeste.
“No dia 14/11/25, o ministro Nunes Marques e a esposa viajaram para festa de aniversário de Camilla, casada com o desembargador Newton Ramos, que foi colega do ministro no TRF-1. Camilla convidou o ministro e outros casais de amigos e ficou responsável pelo voo e detalhes da viagem”
Por sua vez, a organizadora do evento e responsável financeira pelo trajeto também emitiu um posicionamento formal para esclarecer que os recursos saíram de sua esfera particular, sem qualquer ligação institucional ou corporativa direta com os processos que defende nas cortes superiores.
“o voo citado foi particular, privado e contratado de forma pessoal pela advogada em virtude da comemoração de seu aniversário”
Como esses episódios impactam a imagem do Judiciário?
A utilização de aeronaves particulares financiadas por terceiros não é um tema novo nos corredores de Brasília. Especialistas em direito público frequentemente apontam a necessidade de balizas rígidas para separar a vida privada das autoridades de suas funções públicas de julgamento.
Entre os principais fatores que geram preocupação institucional e jornalística em casos de viagens custeadas por terceiros estão:
- A possibilidade de eventual conflito de interesses quando o financiador possui causas nas cortes de Brasília.
- A proximidade e o convívio social íntimo entre julgadores e partes envolvidas em litígios complexos.
- A necessidade imperiosa de preservar a imagem de absoluta imparcialidade do Poder Judiciário perante a opinião pública.
- A garantia de que amizades construídas em tribunais de origem, como o TRF-1, não interfiram no julgamento isento de causas nas instâncias extraordinárias.
Embora a viagem tenha sido amplamente declarada pelos envolvidos como um convite pessoal decorrente de uma amizade de longa data, a sobreposição de papéis institucionais — um ministro do Supremo e uma advogada de um banco com atuação em Brasília — mantém o caso sob forte escrutínio da opinião pública.
Qual é o cronograma dos fatos relatados?
Para compreender a dinâmica dos acontecimentos que ligam o Distrito Federal a Alagoas, é preciso observar os marcos operacionais destacados pelas reportagens veiculadas nacionalmente. A viagem ocorreu da seguinte forma:
- A advogada Camilla Ewerton Ramos e o desembargador Newton Ramos organizam uma comemoração de aniversário em Maceió.
- A advogada assume pessoalmente a contratação de uma aeronave executiva, gerida pela Prime You, para transportar os convidados.
- Em 14 de novembro de 2025, o ministro Nunes Marques e sua esposa embarcam no jato executivo com destino ao evento social.
- A imprensa consolida as informações sobre o voo, revelando a conexão entre a aeronave, os bens administrados de Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Até o fechamento das publicações, as respostas fornecidas pelas assessorias buscam afastar qualquer irregularidade, fixando a narrativa exclusivamente na esfera das relações interpessoais e de amizade entre as famílias do magistrado e do desembargador federal.


