O Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento (HGR) implementou uma nova plataforma de informação tecnológica para gerenciar a comunicação interna e o fluxo de atendimento de pacientes internados. Desenvolvida pela própria equipe gestora, a solução operacional visa organizar as consultas por ordem de triagem clínica de forma totalmente digitalizada, abolindo o uso de anotações físicas não padronizadas.
De acordo com informações do Governo de Roraima, em abril de 2026 a ferramenta já contempla cerca de 90% de toda a estrutura física do hospital. O HGR é a principal unidade de saúde pública de alta complexidade do estado, absorvendo demandas da capital, do interior, de comunidades indígenas e de regiões de fronteira. A tecnologia monitora as classificações médicas baseadas nos sintomas apresentados e faz os anúncios de consultas em telas equipadas com recursos audiovisuais, direcionando os usuários rapidamente para os respectivos consultórios ou alas de emergência.
Como a ferramenta atua na segurança clínica dos pacientes?
A criação do projeto digital surgiu da urgência em estruturar dados que, antes da implementação do novo sistema, permaneciam fragmentados. A modernização local reflete um movimento estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, que tem o desafio histórico de unificar prontuários para evitar a perda de informações e o retrabalho clínico. Antes da atualização promovida pelo setor de Tecnologia da Informação do complexo de saúde, os registros clínicos e operacionais dependiam de arquivos isolados, como planilhas convencionais, editores de texto básicos e fichas manuais. Esse cenário de desintegração prejudicava o cruzamento de históricos médicos e a agilidade na continuidade da assistência prestada à população roraimense.
Com a centralização das informações em uma base única, a gestão estadual de saúde relata que a confiabilidade dos processos médicos aumentou consideravelmente. O diretor-geral da instituição, Alysson Figueiredo, ressaltou a relevância desta transição para o resguardo da atuação dos especialistas e, fundamentalmente, para o bem-estar de quem busca assistência médica especializada.
“A nossa ideia é que o paciente tenha mais segurança, e que quando retornar possam se sentir seguros, porque vão entender o que aconteceu antes. Se um colega médico, ou de outra área, quiser informações, ele entra no sistema, vê o que aconteceu antigamente para que a partir dali dê continuidade e assistência”
Quais são as principais funcionalidades operacionais da plataforma?
A infraestrutura de software consegue monitorar a jornada completa dos indivíduos admitidos, iniciando desde a abordagem inicial no balcão da recepção até o momento de uma eventual alta hospitalar. A unificação dos setores cruciais do cuidado diário permite o rastreamento em tempo real de várias rotinas da saúde pública.
- Controle rigoroso da evolução médica diária e administração contínua de medicações.
- Gestão exata do tempo de internação e integração direta com a área de nutrição para o monitoramento de dietas específicas.
- Identificação dos doentes por meio de um número de prontuário fixo, espelhado de imediato nos monitores dos corredores.
- Organização de chamados e filas unificadas, do setor de pronto-socorro até a permanência nas enfermarias.
O técnico de informática do HGR, Fábio Rogério da Silva, detalhou as mudanças práticas percebidas pelas equipes operacionais desde o lançamento oficial nos departamentos de urgência e emergência. A padronização dos processos resultou em maior clareza durante as trocas de turnos das equipes multidisciplinares e otimizou a distribuição do fluxo populacional.
“O sistema capta todos os registros, os passos dos pacientes desde o primeiro dia até o último dia. Na questão do sistema da nutrição, o médico consegue acompanhar o tempo que o paciente fica internado, como foi a dieta dele. Agora o sistema iniciou no pronto-socorro, na questão de ficha, chamados, triagem, toda questão de acompanhamento e enfermarias, então o paciente entra pelo pronto-socorro, ele é registrado através de um número de prontuário fixo que o paciente chama na televisão e isso facilita e diminui o tempo de espera do paciente desde a hora que sai da recepção até o momento que ele adentra todo o hospital e percorre o que é necessário”
Por que o mecanismo do hospital funciona sem conexão com a internet?
Um fator técnico determinante deste modelo tecnológico é a decisão de operar de maneira totalmente isolada em relação à rede mundial de computadores. A ferramenta funciona estritamente vinculada à rede local da unidade hospitalar. Esta restrição foi arquitetada especificamente para proteger o sigilo das informações médicas sensíveis, blindando o complexo contra riscos de ataques cibernéticos externos ou vazamentos de dados de pacientes. Nos últimos anos, instituições de saúde no Brasil e no mundo tornaram-se alvos frequentes de crimes cibernéticos, tornando a criação de intranets uma medida de segurança padrão do setor.
Além de garantir um alto nível de segurança virtual, a ausência de dependência de conexões de banda larga externas elimina instabilidades comuns ou falhas de sinalização que poderiam paralisar o atendimento em momentos cruciais da prestação de socorro.
“A questão do sistema funcionar sem internet é por duas razões. A facilidade de acesso internamente, com a rede interna se torna mais rápida e não tem necessidade da rede externa. E pela segurança do paciente porque os dados ficam aqui dentro do hospital, não há como os dados serem vazados para rede externa, porque a rede só funciona dentro dos computadores cadastrados e registrados do HGR”
Ao catalogar rigorosamente as condutas adotadas e o planejamento assistencial, a plataforma previne erros humanos de comunicação. O modelo foi formatado para que enfermeiros, técnicos e médicos utilizassem a interface gráfica de forma intuitiva, dispensando exigências avançadas de aprendizado técnico e mantendo os registros perfeitamente arquivados e à prova de perdas operacionais.


