Novas espécies oceânicas são achadas em zona de mineração no Pacífico - Brasileira.News
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Novas espécies oceânicas são achadas em zona de mineração no Pacífico

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an underwater view of a coral reef and water
an underwater view of a coral reef and water Foto: Francesco Ungaro via Unsplash — Unsplash License (livre para uso)

No início de abril de 2026, cientistas anunciaram a descoberta de 24 novas espécies de pequenos crustáceos e de um ramo evolutivo inédito em um abismo profundo localizado no oceano Pacífico Central, a cerca de quatro mil metros abaixo da superfície. A região, conhecida como Zona Clarion-Clipperton, é uma das áreas marinhas mais cobiçadas do mundo para a futura extração de minerais utilizados na fabricação de baterias.

De acordo com informações da Mongabay Global, os pesquisadores resgataram essas criaturas a partir de amostras de lama extraídas do fundo do mar. Algumas possuem pernas longas e finas, enquanto outras têm corpos mais compactos. Estima-se que 90% das espécies nessa área de seis milhões de quilômetros quadrados, localizada entre o Havaí e o México, ainda não possuam nome formal, mesmo com o avanço de processos governamentais para permitir a mineração na região.

O que revelam as novas descobertas biológicas no fundo do mar?

Os espécimes recém-descritos são todos anfípodes, um grupo diversificado de crustáceos semelhantes a camarões, a maioria medindo cerca de um centímetro. Eles evoluíram nas profundezas oceânicas ao longo de milhões de anos. Entre os achados revelados na revista científica ZooKeys, destacam-se uma superfamília completamente nova, denominada Mirabestioidea, e uma nova família, Mirabestiidae, que representam linhagens evolutivas até então desconhecidas pela ciência.

Para obter esses resultados, os cientistas extraíram grandes cubos de lama do leito marinho e os içaram até um navio de pesquisa. O material foi lavado e peneirado para revelar os anfípodes escondidos entre os sedimentos e os nódulos metálicos. Para acelerar a catalogação, 16 cientistas colaboraram durante um workshop de taxonomia na Universidade de Łódź, na Polônia. O esforço integra o projeto “Mil Razões” da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, que tem o objetivo de descrever formalmente mil novas espécies do mar profundo até o ano de 2030.

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Para ilustrar a magnitude da descoberta, Tammy Horton, pesquisadora do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido e co-líder do estudo, fez uma analogia em entrevista à Inside Climate News:

“Se você imaginar que no planeta Terra nós conhecemos os mamíferos carnívoros, sabemos que existem ursos e sabemos que existem famílias de gatos, isso seria como encontrar cães.”

Como a mineração ameaça o ecossistema da Zona Clarion-Clipperton?

A pressa para catalogar essas espécies ganha caráter de urgência diante da crescente pressão industrial para explorar o fundo do mar. O debate sobre mineração oceânica tem impacto direto nas políticas do Brasil, que pesquisa o potencial de exploração mineral e a biodiversidade em águas profundas na Elevação do Rio Grande, uma cordilheira submersa no Atlântico Sul rica em minerais críticos. No Pacífico, a Zona Clarion-Clipperton é repleta de nódulos polimetálicos com minerais valiosos para tecnologias de energia verde. Contudo, um estudo publicado em dezembro de 2025 demonstrou que um teste de mineração comercial reduziu a abundância de animais em 37% e o número de espécies em 32% dentro dos rastros deixados pela máquina extratora.

Em janeiro de 2026, a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) finalizou uma regra que permite às empresas solicitar simultaneamente licenças de exploração e permissões de recuperação comercial, agilizando um processo que antes exigia duas etapas separadas. Após essa mudança, uma mineradora canadense apresentou um pedido consolidado cobrindo aproximadamente 65 mil quilômetros quadrados da área, o equivalente a cerca de duas vezes o tamanho da Bélgica.

Os especialistas do setor de biologia marinha apontam os seguintes desafios principais no cenário atual:

  • Nomear formalmente os seres vivos para conferir a eles um reconhecimento oficial, facilitando sua proteção por formuladores de políticas públicas.
  • Catalogar a fauna restante na região leste antes que as atividades industriais alterem o leito marinho permanentemente.
  • Compreender o custo ecológico real e a longo prazo da extração mineral em um ambiente de extrema profundidade.

As pesquisadoras responsáveis alertam que catalogar as cerca de 5.600 espécies estimadas no local é essencial. Até o momento, o registro dessas 24 novas espécies representa apenas uma fração minúscula do conhecimento necessário para avaliar o verdadeiro impacto da mineração em águas profundas.

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