A região Sudeste do Brasil reduziu sua participação nos prejuízos com roubo de carga de 83,2% em 2024 para 68,1% em 2025, uma queda de 15,1 pontos percentuais. Apesar da redução, a região segue como a mais crítica para o setor de transporte, enquanto o período noturno continua sendo o horário de maior risco para essas ocorrências, com 30,7% dos casos registrados.
De acordo com informações do Monitor Mercantil, os dados fazem parte do relatório “Report NSTech de Roubo de Cargas”, elaborado pela NSTech com base em informações das gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech.
O Nordeste manteve participação praticamente estável, passando de 12,2% em 2024 para 12,8% em 2025, consolidando-se como a segunda região mais impactada. Já a região Norte apresentou crescimento expressivo, saltando de 0,9% para 11,2% no mesmo período, ocupando agora o terceiro lugar no ranking nacional.
Quais estados lideram os roubos de carga no Sudeste?
No Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro dominam o cenário de risco, com 44,2% e 37% dos prejuízos na região, respectivamente. As cargas fracionadas representaram 47,4% dos alvos em 2025, seguidas pelas alimentícias com 27,1%.
No Nordeste, onde a criminalidade passou de pontual para estrutural, Bahia (28,4%), Maranhão (24,7%) e Pernambuco (23,8%) concentraram mais de 75% dos prejuízos regionais.
Como se comportou o risco na região Norte?
Na região Norte, Pará concentrou 62,9% do total sinistrado, enquanto Tocantins respondeu por 37,1%. Diferentemente de outras regiões, o risco no Norte se concentra em cargas de alto valor agregado, com eletrônicos representando 25,8% das perdas.
A carga fracionada segue liderando o prejuízo total em 2025, porém apresentou leve queda na comparação com 2024, passando de 52,4% para 50,1%. O segmento de alimentos ampliou sua participação de 20,1% para 26,5%, subindo 6,4 pontos percentuais.
Quais são os horários e dias mais perigosos?
A noite continua sendo o período de maior risco para o transporte de cargas, representando 30,7% dos casos. Em 2025, houve redução significativa na madrugada, que caiu de 28,4% para 24,1%, enquanto o período da manhã registrou aumento de 19,7% para 22,4%.
Quanto aos dias da semana, ocorreu uma mudança drástica: a segunda-feira deixou de ser o dia mais perigoso, caindo de 19,6% para 7,9%. A quinta-feira se consolidou como data crítica, saltando de 17,1% para 21,6%.
Quais são as novas regras para o transporte de cargas?
Já estão em vigor no país novas regras para o transporte rodoviário de cargas, incluindo a obrigatoriedade de apresentar o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) antes de iniciar o serviço de frete. O CIOT é um código exigido nas operações de transporte rodoviário remunerado de cargas e serve para registrar a contratação do frete.
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), autarquia federal responsável pela regulação do transporte terrestre no país, o código garantirá que todas as contratações de frete paguem o piso mínimo. Caso contrário, não terão o CIOT emitido, bloqueando fretes irregulares ainda na fase de contratação.
As medidas estão previstas na Medida Provisória 1.343/2026 e estabelecem multa de R$ 10,5 mil por operação não registrada. Quem contratar pagando fretes abaixo do piso mínimo de forma reiterada (mais de três autuações em seis meses) terá o Registro Nacional do Transportador Rodoviário de Cargas suspenso.