Um segundo par de gêmeos de gorilas-das-montanhas nasceu em 2026 no Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo, ampliando a família Baraka para 19 indivíduos. Os filhotes, um macho e uma fêmea com cerca de duas semanas de vida, nasceram após outro nascimento de gêmeos registrado em janeiro de 2026 na família Bageni, em um evento considerado raro pela direção do parque.
De acordo com informações da Mongabay, os nascimentos representam um indicador positivo para a conservação da espécie ameaçada de extinção. Para o leitor brasileiro, o caso chama atenção por envolver uma das espécies de grandes primatas mais ameaçadas do mundo e por ilustrar como ações contínuas de proteção podem sustentar a recuperação de populações silvestres mesmo em áreas sob forte pressão humana.
O que torna o nascimento de gêmeos de gorilas-das-montanhas tão incomum?
Os nascimentos de gêmeos entre gorilas-das-montanhas são raros e ocorrem em menos de 1% dos partos, segundo as autoridades do parque. O primeiro par do ano, nascido em janeiro de 2026 de uma fêmea adulta chamada Mafuko na família Bageni, agora tem cerca de 11 semanas e apresenta bom desenvolvimento, com apoio social do grupo, inclusive de um jovem macho blackback que permanece próximo da mãe.
O sétimo nascimento registrado em Virunga em 2026 elevou a família Baraka para 19 membros. As equipes de campo monitoram de perto os recém-nascidos, que ainda estão na fase crítica inicial de sobrevivência.
Como a população de gorilas-das-montanhas está respondendo aos esforços de conservação?
Os gorilas-das-montanhas (Gorilla beringei beringei) vivem em grupos familiares coesos liderados por um macho silverback dominante. Virunga abriga uma das duas populações conhecidas da subespécie, que conta com cerca de 1.050 indivíduos na natureza. Apesar da instabilidade na região leste do Congo, os esforços de conservação têm permitido o crescimento da população. A outra população vive na região dos maciços de Virunga e de Bwindi, no entorno de Ruanda e Uganda, o que faz desses animais um símbolo da conservação na África Central.
Dois casos de nascimentos de gêmeos em três meses é um evento extraordinário e fornece mais um indicador vital de que os esforços dedicados de conservação, que continuaram apesar da atual instabilidade no leste do Congo, estão apoiando o crescimento da população de gorilas-das-montanhas ameaçados de extinção.
A frase acima foi atribuída a Jacques Katutu, chefe de monitoramento de gorilas do Virunga, em comunicado à imprensa.
Quais desafios ambientais e de segurança afetam o Parque Virunga?
O Parque Nacional de Virunga, o mais antigo da África, enfrenta sérios desafios devido à insegurança na região. Em 2025, rebeldes do M23, supostamente apoiados por Ruanda, tomaram a cidade de Goma, próxima ao parque. Desde abril de 2024, a redução de patrulhas em algumas áreas afetadas limitou o monitoramento, permitindo maior acesso de pessoas à floresta, inclusive para extração de recursos e caça ilegal.
As autoridades do parque já registraram incidentes, como o resgate de um jovem gorila chamado Fazili preso em uma armadilha de caçadores. Apesar disso, a população de gorilas-das-montanhas vem demonstrando recuperação. O relatório Living Planet Report 2024, do WWF, indicou aumento anual de 3% entre 2010 e 2016.
O diretor do Virunga, Emmanuel de Merode, destacou o trabalho dos guardas florestais congoleses como fator decisivo para o crescimento dos números. As equipes de campo continuam monitorando a família Baraka e os gêmeos recém-nascidos.
O evento reforça a importância da conservação contínua mesmo em contextos de conflito armado, demonstrando que medidas dedicadas podem produzir resultados positivos para espécies ameaçadas. Para o Brasil, a notícia também serve como referência sobre o papel de áreas protegidas e fiscalização na preservação da biodiversidade, tema central em biomas como Amazônia, Cerrado e Pantanal.
