O preconceito contra mulheres que optam por não ter filhos persiste, apesar do aumento de casais sem filhos nas últimas duas décadas. A decisão de não ser mãe, frequentemente acompanhada pela escolha de não se casar, ainda enfrenta tabus e gera discussões. De acordo com informações da Radioagência Nacional, o assunto tem ganhado espaço em pesquisas e na mídia.
A professora universitária Carla Bastos relata que a leitura do livro “Mulheres que correm com os lobos”, de Clarissa Pinkola Estés, a fez questionar o desejo de ser mãe. Ela percebeu que sua ideia de maternidade vinha de uma busca por pertencimento social, influenciada por sua experiência como mulher negra em um ambiente predominantemente branco. A maior dificuldade, segundo ela, foi enfrentar a reação de outras pessoas, especialmente de sua mãe.
“A decisão em si não foi difícil de ser tomada. Ela pareceu como uma grande verdade que eu apenas não conseguia enxergar. O difícil foi assumir essa decisão perante família. Por exemplo, minha mãe. Minha mãe é uma senhora idosa que já tem netos do outro filho, mas ela queria os meus netos. Ela queria o neto da filha mulher.”
Por que a escolha de não ser mãe ainda é vista com preconceito?
A professora Liliane Furtado, da UFRJ, destaca que a dificuldade no acesso e no crescimento no mercado de trabalho é um fator relevante na decisão de muitas mulheres. Estudos apontam que a maternidade ainda é vista de forma negativa por empregadores, influenciando decisões de contratação.
“As pesquisas que investigam, por exemplo, esse tipo de tomada de decisão, conseguem depois identificar esses aspectos, por exemplo, mulher engravida, a mulher muitas vezes é responsável pelo cuidado dos filhos, e isso pode atrapalhar ali, na percepção dessas pessoas, dos tomadores de decisão Poderia atrapalhar no desempenho dela nas empresas. Isso acaba sendo, acaba aparecendo como justificativa, mas não é normalmente a justificativa que é trazida a priori, porque hoje já se entende socialmente que isso não está correto.”
Quais são os direitos reprodutivos da mulher?
Os direitos reprodutivos, reconhecidos nacional e internacionalmente, garantem às mulheres a liberdade de decidir sobre ter ou não filhos, quantos filhos desejam ter e quando. Esses direitos incluem o acesso a informações, meios e métodos de reprodução e prevenção da gravidez, além do direito de exercer a sexualidade e a reprodução sem discriminação, imposição ou violência.
Como o número de casais sem filhos evoluiu nas últimas décadas?
De acordo com o Censo de 2000, a proporção de famílias formadas por casais sem filhos quase dobrou nas últimas duas décadas. Esse aumento reflete uma mudança nas prioridades e escolhas de vida de muitas pessoas, que optam por focar em outros aspectos, como carreira e desenvolvimento pessoal.
Quais os pontos principais que levam a essa decisão?
- Busca por autonomia e independência.
- Foco na carreira e desenvolvimento profissional.
- Desejo de liberdade para viajar e explorar novos hobbies.
- Preocupações financeiras e econômicas.
- Impacto da maternidade na vida pessoal e profissional.
