Na sexta-feira, 20 de março de 2026, uma comitiva de estudantes e professores de Musicoterapia da Noruega realizou uma visita técnica ao Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, em João Pessoa, para conhecer as práticas terapêuticas desenvolvidas na instituição. O objetivo do encontro foi observar de perto como as intervenções musicais auxiliam no tratamento de pacientes psiquiátricos, promovendo melhorias na saúde mental e na qualidade de vida dos internos.
De acordo com informações do Governo da Paraíba, o projeto de musicoterapia foi implementado na unidade há apenas dois meses. Apesar do pouco tempo de atividade, o trabalho já se destaca pela metodologia humanizada e pelos resultados observados no cotidiano clínico, atraindo o interesse de instituições acadêmicas internacionais. A visita também ocorre em um contexto de busca por abordagens complementares de cuidado em saúde mental no Brasil, tema que mobiliza a rede pública de atenção psicossocial em diferentes estados.
Como funciona a metodologia de musicoterapia no Juliano Moreira?
O processo terapêutico aplicado no complexo inicia-se com uma fase de escuta e observação técnica detalhada. Durante essa etapa, os profissionais avaliam o contexto psíquico, social e familiar do paciente. Um dos pilares desse trabalho é a identificação da Identidade Sonoro Musical (ISO Musical), conceito que engloba as referências auditivas e musicais que compõem a história de vida do indivíduo atendido.
O musicoterapeuta Ory Neto, responsável pela introdução e pelo desenvolvimento das atividades na unidade, explica que as intervenções são planejadas individualmente. Somente após compreender a realidade de cada paciente é que as dinâmicas musicais são iniciadas, garantindo que o tratamento seja assertivo e respeite as particularidades de quem recebe o cuidado especializado no Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira. Em João Pessoa, a experiência chama atenção por ocorrer em um hospital psiquiátrico da rede pública, o que ajuda a dimensionar o interesse de pesquisadores estrangeiros em práticas aplicadas no Sistema Único de Saúde.
Qual a importância do intercâmbio com pesquisadores da Noruega?
A visita da delegação estrangeira foi liderada por Vigo Kruger, professor da Universidade de Bergen, na Noruega. O docente ressaltou que a experiência prática brasileira oferece subsídios importantes para o aprendizado dos alunos europeus, especialmente no que diz respeito à integração da musicoterapia em ambientes hospitalares complexos. Sobre o propósito da visita, o professor afirmou:
O nosso intuito é mostrar para os estudantes como a Musicoterapia funciona na parte psicomotora dos pacientes e como isso pode melhorar a vida deles
Para o grupo norueguês, observar a aplicação dessas técnicas na rede pública de saúde da Paraíba permite compreender como o estímulo musical pode atuar diretamente na coordenação motora e na estabilização emocional. A troca de conhecimentos entre os pesquisadores de Bergen e a equipe técnica paraibana fortalece o rigor científico da prática musicoterapêutica em ambos os países e amplia a visibilidade de experiências brasileiras em assistência psiquiátrica.
Como a música impacta a recuperação dos pacientes?
Durante a recepção aos estudantes, a equipe técnica do Juliano Moreira apresentou o caso clínico de uma paciente de 16 anos que participa ativamente das sessões. Através de um vídeo, exibido para preservar a identidade da adolescente, foi possível visualizar os resultados da terapia. Ela interpretou uma canção de sua escolha, demonstrando como a música facilita a expressão de sentimentos que, muitas vezes, não são exteriorizados verbalmente.
O musicoterapeuta Ory Neto relatou que a conexão com a jovem se intensificou quando ele passou a tocar no violão uma melodia pela qual ela demonstrava especial interesse. Segundo o profissional, a reação foi imediata, transformando a música em um canal de comunicação vital para o sucesso do tratamento. Atualmente, o projeto atende diversos pacientes, focando nos seguintes pilares de desenvolvimento:
- Estímulo das funções psicomotoras e coordenação;
- Resgate da identidade através da memória sonora;
- Melhoria na interação social e na comunicação interpessoal;
- Estabilização de quadros emocionais agudos.
O intercâmbio entre a Paraíba e a Noruega reafirma o potencial da musicoterapia como uma ciência aliada da psiquiatria moderna, evidenciando que intervenções artísticas e sensoriais são fundamentais para a recuperação integral do ser humano em ambientes de internação e cuidado mental. Para o público brasileiro, o caso também ilustra como iniciativas locais podem ganhar relevância nacional ao dialogar com desafios amplos da saúde mental e com a qualificação do cuidado oferecido na rede pública.



