Detonações começaram no lado sul do Monte Cristo Rey, em Sunland Park, no Novo México, para preparar o terreno de um trecho do muro de fronteira entre os Estados Unidos e o México. A intervenção ocorre após o início das obras em janeiro de 2026 e poucos dias antes da peregrinação da Sexta-Feira Santa ao topo da montanha, local de valor religioso e histórico na região onde se encontram Novo México, Texas e o estado mexicano de Chihuahua. De acordo com informações da Inside Climate News, a obra enfrenta oposição de ambientalistas e da Diocese Católica Romana de Las Cruces. O endurecimento da fronteira dos EUA também interessa ao público brasileiro porque o país registra casos de brasileiros que tentam entrar em território americano pela fronteira com o México, rota usada por migrantes de diferentes nacionalidades.
No sábado anterior às explosões, estudantes do ensino médio, ciclistas e soldados de uma base próxima do Exército subiram a trilha sinuosa até o monte. Dois dias depois, na segunda-feira, 30 de março de 2026, explosões atingiram o mesmo local para viabilizar a construção do muro prometido pelo presidente Donald Trump ao longo da fronteira, de San Diego, na Califórnia, a Brownsville, no Texas.
Por que o Monte Cristo Rey se tornou alvo da obra?
O Monte Cristo Rey é descrito como uma lacuna importante sem uma cerca de fronteira de grande porte na área metropolitana binacional formada por El Paso, Sunland Park e Ciudad Juárez. Embora muros já separem partes de El Paso e Sunland Park da cidade mexicana, a construção na encosta acidentada da montanha era considerada, por muito tempo, pouco prática.
Segundo a reportagem, nos últimos anos a área registrou altos números de travessias não autorizadas, enquanto mortes de migrantes no deserto próximo aumentaram. Sem um muro no local, agentes da Patrulha de Fronteira passaram a ocupar a montanha e vias próximas com equipamentos de vigilância. Ainda de acordo com o texto, as travessias no setor de El Paso diminuíram no último ano do governo Biden e caíram desde o retorno de Trump ao cargo. Para brasileiros, mudanças nessa política migratória e de controle fronteiriço podem afetar rotas e condições de entrada nos Estados Unidos, tema que costuma mobilizar autoridades consulares e famílias de migrantes.
A empresa texana SLSCO, sediada em Galveston, tem um contrato de US$ 95 milhões para construir um muro de 1,3 milha no Monte Cristo Rey e outras duas barreiras perto de El Paso. Em junho de 2025, a U.S. Customs and Border Protection (CBP) dispensou leis ambientais e de preservação histórica, o que abriu caminho para a obra na montanha. O trabalho no local começou em janeiro de 2026, apesar da oposição da diocese local, proprietária de grande parte da área.
Quais foram as reações à destruição da encosta?
A publicação informa que a CBP divulgou em redes sociais um vídeo das explosões. Em uma postagem anterior, o órgão afirmou que a montanha estava recebendo um “face lift” para proteger um terreno considerado historicamente desafiador. A ironia, segundo a reportagem, causou incômodo entre milhares de moradores dos dois lados da fronteira, que se preparavam para a tradicional peregrinação da Sexta-Feira Santa.
Robert Ardovino, empresário em Sunland Park, disse ter ficado chocado ao ver a lateral da montanha sendo removida. Ele afirmou que o uso de tecnologia eletrônica faria mais sentido do que destruir a montanha.
“A tecnologia eletrônica teria feito mais sentido do que destruir uma montanha inteira”, disse Ardovino em uma tarde recente. “Mas eles estão fazendo o que estão fazendo.”
Sobre o impacto da obra para os peregrinos, Ardovino acrescentou:
“Não há responsabilização”, disse ele. “E o dano será irreparável.”
Em resposta, um porta-voz da CBP declarou que o órgão mantém monitores ambientais presentes durante essas atividades para garantir que as melhores práticas de gestão na construção estejam sendo seguidas e implementadas pela empresa contratada. O mesmo porta-voz disse ainda que um relatório-resumo ambiental, preparado no lugar de um estudo de impacto ambiental, não está disponível ao público.
Qual é a importância histórica e religiosa do local?
O Monte Cristo Rey marca o ponto em que a fronteira terrestre entre Estados Unidos e México termina e o Rio Grande passa a funcionar como linha divisória. A região, historicamente chamada de Paso del Norte, foi ponto de passagem de povos indígenas, colonizadores espanhóis e, depois, de viajantes rumo ao oeste nas primeiras ferrovias transcontinentais.
Uma estátua de calcário de 29 pés de Cristo foi inaugurada no topo em 1939. Antes conhecido como Cerro de los Muleros, o monte passou a se chamar Monte Cristo Rey. Mesmo após a demolição de Smeltertown nos anos 1970, descendentes de famílias que viveram na antiga comunidade seguem como voluntários no comitê de restauração do local, responsável pela trilha e pelo monumento.
A reportagem também relembra que, em 2019, durante o primeiro governo Trump, o grupo We Build the Wall, que incluía Steve Bannon, financiou com doações privadas a construção de cerca de meia milha de muro no lado leste do Monte Cristo Rey, em propriedade privada. Esse trecho foi construído pela Fisher Sand and Gravel, empresa que recebeu contratos bilionários para obras do muro de fronteira durante o governo Trump.
- As detonações começaram na segunda-feira, 30 de março de 2026.
- O contrato da SLSCO prevê a construção de 1,3 milha de muro no Monte Cristo Rey.
- A dispensa de leis ambientais e históricas pela CBP ocorreu em junho de 2025.
- As obras no local tiveram início em janeiro de 2026.