
O Brasil fará história ao sediar o primeiro Mundial de Marcha Atlética por equipes realizado no Hemisfério Sul. A competição internacional acontecerá no dia 12 de abril de 2026, em Brasília, reunindo centenas de competidores de diversas nações. O objetivo principal do evento é massificar a modalidade no país, aproveitando o momento de destaque gerado por conquistas recentes de atletas brasileiros no cenário global. De acordo com informações do UOL Esporte, o torneio organizado pela World Athletics, a federação internacional de atletismo, contará com a participação de 333 esportistas, sendo 180 homens e 153 mulheres, representando 40 países.
Por que a capital federal foi escolhida como sede?
A escolha do Distrito Federal para abrigar a competição possui um significado especial para o esporte nacional. A capital é a terra natal de Caio Bonfim, atual vice-campeão olímpico — tendo conquistado a medalha de prata nos Jogos de Paris 2024 —, que se tornou a maior referência brasileira na caminhada esportiva de alto rendimento. Segundo a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), entidade responsável pelo esporte no país, a decisão funciona como um reconhecimento direto ao trabalho desenvolvido pelo atleta e por sua família na difusão da prática.
“Tinha de ser em Brasília, em homenagem ao Caio, à Janete e ao João Sena e tudo que eles representam. Não estamos fazendo festa para os outros. Estamos fazendo um Mundial também para que nossos atletas brilhem”
A afirmação foi feita pelo presidente da CBAt, Wlamir Campos, em referência a Janete e João Sena, que são os pais e treinadores de Caio, além de pioneiros no fomento da marcha atlética a partir de Sobradinho (DF). O dirigente ressaltou que a presença de competidores que estiveram em edições recentes dos Jogos Olímpicos ajudará a alavancar a nova geração nacional, trazendo uma valiosa bagagem internacional para dentro do território brasileiro.
Quais foram os desafios para trazer o evento ao Brasil?
Garantir o direito de organizar o torneio exigiu um esforço logístico e diplomático considerável. O país precisou superar propostas da Polônia, nação com forte tradição na modalidade e histórico de grandes eventos esportivos, e do Equador, reconhecido como uma potência continental na formação de medalhistas olímpicos na caminhada esportiva.
O presidente da entidade nacional explicou que quebrar a hegemonia de regiões mais consolidadas foi um passo fundamental para viabilizar o projeto.
“A World Athletics é uma entidade eurocentrista, está em Mônaco, em uma realidade muito distante da nossa. O primeiro desafio foi ter a coragem de apresentar uma candidatura, sabendo de todos os desafios”
A declaração do mandatário enfatiza o cumprimento de um rigoroso caderno de encargos e as adversidades estruturais que a confederação precisou vencer para confirmar a inédita sede sul-americana no circuito internacional.
Como o torneio ajudará a combater o preconceito esportivo?
Historicamente, os praticantes da modalidade enfrentam barreiras que vão desde a falta de investimentos estruturais até o preconceito nas ruas. Atletas relatam episódios frequentes de assédio, buzinadas e hostilidade durante os treinamentos em vias públicas. A confederação avalia que a visibilidade gerada pelo torneio global será essencial para mudar essa percepção cultural e atrair novos parceiros comerciais.
A estratégia de desenvolvimento contínuo já incluiu a inserção da prática em competições de base, como os Jogos Escolares Brasileiros e os Jogos da Juventude. A expectativa da organização é que, ao vivenciarem a experiência de competir em casa contra os melhores do planeta, os jovens talentos brasileiros consigam superar bloqueios psicológicos e evoluir tecnicamente no circuito mundial.
Quem são os representantes da equipe brasileira na competição?
Para a disputa em território nacional, o Brasil contará com uma delegação completa formada por 26 competidores, distribuídos em diferentes categorias e distâncias. A comissão técnica selecionou os seguintes atletas para defender o país:
- Maratona feminina: Elianay Santana, Gabriela Muniz, Mayara Vicentainer, Thaissa Cunha e Viviane Lyra.
- Maratona masculina: Diego Lima, Edson Aguiar, Klaubert Franca, Paulo Ribeiro e Rudney Nogueira.
- Meia maratona feminina: Laryssa Frois, Thaliane Cruz, Pietra Nascimento, Bruna Oliveira e Maria Jaime.
- Meia maratona masculina: Caio Bonfim, Matheus Correa, Max Santos, Lucas Mazzo e João Oliveira.
- Provas de dez quilômetros (sub-20): Mariana Santos, Vitoria Araujo, Gabriela Souza, Mateus Santos, Vinicius Dias e Davi Silva.