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Mulheres na Etiópia lideram plantio de árvores para recuperar solo degradado

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Grupo de mulheres etíopes plantando mudas em terreno árido sob luz solar intensa.
Foto: MTC Group / flickr (by)

Mulheres na região de Sidama, no sul da Etiópia, estão liderando uma iniciativa de plantio de árvores e pastagens para combater a severa degradação do solo. A ação, conduzida pela Organização Integrada de Desenvolvimento das Mulheres (IWDO, na sigla em inglês), busca reverter os danos causados por práticas agrícolas insustentáveis e pelo corte de madeira para combustível, promovendo a recuperação ambiental e a criação de novas fontes de renda. O cenário guarda fortes semelhanças com os desafios enfrentados no Brasil, onde coletivos de mulheres rurais e indígenas também encabeçam projetos de reflorestamento e combate à desertificação em biomas ameaçados, como a Caatinga e o Cerrado.

De acordo com informações do Mongabay Global, o grupo já conseguiu restaurar 1.250 hectares desde 2020. A gerente-geral da IWDO, Ruhama Getahun, explicou que a união de mulheres e jovens não apenas recupera a natureza, mas também gera renda, diminuindo a dependência da comunidade da venda de carvão e lenha para a sobrevivência diária.

A estratégia de recuperação ambiental implementada pelo grupo envolve um planejamento agrícola diversificado e inteligente. As participantes cultivam espécies de árvores nativas para restabelecer a cobertura florestal original, além de plantar bananeiras e diversas hortaliças que garantem a segurança alimentar das famílias. Adicionalmente, as mulheres introduziram o cultivo de capim-elefante e da espécie local conhecida como desho. Essas pastagens servem especificamente como forragem de alta qualidade para o gado, garantindo o sustento dos rebanhos e evitando que os animais pastejem em áreas frágeis que estão em processo de recuperação.

Por que o solo na Etiópia está sofrendo tanta degradação?

O pesquisador Negasi Solomon, do Instituto de Estudos Políticos de Tigray, relatou que o rápido crescimento populacional na região de Sidama reduziu drasticamente o tamanho médio das propriedades rurais familiares. Esse encolhimento das terras forçou os agricultores a expandirem suas plantações para encostas íngremes e frágeis, acelerando o processo de erosão e o esgotamento dos recursos naturais da região.

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Diante desse cenário, Solomon argumentou que as mulheres desempenham um papel central no gerenciamento diário das fazendas e, por isso, devem liderar as decisões sobre o uso e a restauração da terra. No entanto, o pesquisador apontou que normas patriarcais e sistemas tradicionais ainda concentram a posse da terra e as decisões nas mãos dos homens, limitando os direitos de herança das mulheres, mesmo quando a legislação formal do país garante a igualdade de gênero.

Como a rede GLFx pode impulsionar as mulheres na preservação?

Para fortalecer sua atuação, a IWDO foi anunciada recentemente como um dos 12 novos capítulos da rede GLFx. Trata-se de um movimento global, ligado ao Fórum Global de Paisagens, que mobiliza e conecta esforços de base voltados para a restauração de ambientes degradados em todo o mundo. A iniciativa reúne projetos comunitários independentes que defendem políticas ambientais mais rigorosas e soluções sustentáveis práticas.

A integração à rede global tem como objetivo principal equipar os atores locais com conhecimento técnico, ferramentas avançadas e contatos que possibilitem resultados sustentáveis a longo prazo. Ruhama Getahun destacou a importância dessa nova fase para a organização etíope.

“Isso também ampliará o papel das mulheres na restauração da natureza e na conservação da biodiversidade. Geralmente, isso nos ajuda a mostrar o que fizemos nos últimos oito anos na parte sul da Etiópia”, afirmou a gerente-geral.

Nos últimos anos, especialistas ambientais notaram que a certificação formal de títulos de propriedade rural e a criação de grupos de restauração liderados exclusivamente por mulheres e jovens têm fortalecido as vozes femininas na sociedade local. A expectativa das lideranças é que, através do fortalecimento institucional de organizações comunitárias, um número cada vez maior de mulheres consiga participar ativamente dos conselhos e órgãos formais de planejamento do uso da terra. Essa inclusão é considerada fundamental para garantir a proteção a longo prazo do meio ambiente, assegurar o desenvolvimento econômico sustentável e promover a equidade na Etiópia.

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