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Mudança climática se agrava e efeitos devem durar séculos, diz relatório da ONU

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O relatório Estado do Clima 2025, organizado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e apresentado nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, aponta que o desequilíbrio do clima está crescendo e que seus efeitos devem ser sentidos por séculos ou até milênios. O documento foi apresentado pela ONU e confirma que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados, em um contexto de aquecimento global impulsionado principalmente pelo uso de combustíveis fósseis. De acordo com informações da Folha Ambiente, o relatório também introduz uma nova métrica para medir o desequilíbrio energético do planeta. Para o Brasil, esse tipo de indicador ajuda a entender a intensificação de efeitos já observados no país, como extremos de chuva e seca, pressão sobre o agronegócio e impactos sobre biomas como Amazônia, Cerrado e Pantanal.

Ao apresentar o documento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a humanidade acaba de atravessar os 11 anos mais quentes já registrados. Segundo ele, o planeta está retendo calor mais rapidamente do que consegue liberá-lo, o que reforça o avanço do aquecimento global. Guterres também relacionou a crise climática à dependência de combustíveis fósseis, apontando impactos não apenas sobre o clima, mas também sobre a segurança global.

O que o relatório da OMM mostra sobre o aquecimento global?

O relatório confirma 2025 como o segundo ou o terceiro ano mais quente da história, com aquecimento de 1,43°C em relação à média do período pré-industrial, entre 1850 e 1900. O dado revisa uma estimativa preliminar de 1,44°C divulgada em janeiro pela OMM, com margem de erro de 0,13°C. Embora haja diferença entre os conjuntos de dados, o documento ressalta que isso não altera o quadro geral: 2024 foi o ano mais quente da série histórica, com 1,53°C, e os últimos três anos foram os mais quentes em 176 anos de medições.

Uma das novidades do estudo é a inclusão do indicador de desequilíbrio energético da Terra, que mede a diferença entre a energia recebida do Sol e a energia devolvida ao espaço. Segundo o relatório, esse desequilíbrio atingiu em 2025 o maior nível desde 1960, quando os cálculos começaram. O fenômeno está ligado à presença crescente de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. No caso brasileiro, o aumento do calor acumulado no sistema climático também tem reflexos sobre o regime de chuvas e sobre a temperatura do oceano, fatores que influenciam enchentes, estiagens e ondas de calor em diferentes regiões do país.

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“Nosso planeta está retendo calor mais rapidamente do que consegue liberá-lo”

Como esse excesso de calor afeta oceanos, gelo e nível do mar?

De acordo com a OMM, 91% do excesso de energia acumulado pelo planeta foi absorvido pelos oceanos. Entre 2005 e 2025, o ritmo de aquecimento dos oceanos foi duas vezes maior do que o observado no período de 1960 a 2005. O texto informa que esse volume adicional de energia variou entre 11 e 12,2 zeta-joules por ano, o equivalente a 18 vezes o consumo anual de energia da população mundial.

O relatório destaca que oceanos mais quentes favorecem eventos extremos, como chuvas recordes e enchentes. Também informa que apenas 1% do excesso de energia permanece na atmosfera, enquanto 5% são armazenados nas massas continentais e 3% contribuem para o derretimento das massas polares. Em 2025, as camadas de gelo da Antártida e da Groenlândia registraram perdas significativas, e a extensão média anual do gelo marinho do Ártico foi a menor ou a segunda menor desde o início da era dos satélites, em 1979.

Esse processo contribui para a elevação do nível do mar, fenômeno que, segundo projeções do IPCC citadas na reportagem, deve continuar por séculos. Em 2025, o nível médio global do mar ficou em patamar semelhante ao recorde observado em 2024 e cerca de 11 centímetros acima do nível registrado no início da altimetria por satélite, em 1993. Para um país com extensa faixa costeira como o Brasil, a elevação do mar amplia a preocupação com erosão costeira, ressacas e pressão sobre cidades litorâneas e infraestrutura portuária.

Quais outros dados do relatório reforçam o cenário de desequilíbrio climático?

Além da temperatura média global e do novo indicador de desequilíbrio energético, o relatório reúne uma série de evidências sobre a intensificação da crise climática. Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, as atividades humanas estão perturbando cada vez mais o equilíbrio natural, com consequências de longa duração.

Entre os principais pontos destacados no documento estão:

  • o aumento da concentração anual de CO2 em 2024 foi o maior desde o início das medições modernas, em 1957;

  • em 2025, o calor dos oceanos até 2.000 metros de profundidade atingiu o maior nível já registrado desde 1960;

  • cerca de 29% do CO2 emitido pela atividade humana entre 2015 e 2024 foi absorvido pelos oceanos, contribuindo para a acidificação da superfície marinha;

  • no ano hidrológico de 2024/2025, a perda de massa das geleiras de referência ficou entre as cinco maiores já registradas;

  • mais de um terço da força de trabalho mundial, o equivalente a 1,2 bilhão de pessoas, enfrenta riscos relacionados ao calor durante parte do ano.

O relatório também afirma que, em 2025, ondas de calor, incêndios florestais, secas, ciclones tropicais, tempestades e inundações causaram milhares de mortes, afetaram milhões de pessoas e produziram prejuízos econômicos de bilhões. Na avaliação apresentada pela ONU, a aceleração do caos climático reforça a urgência da transição energética com base em evidências científicas. No Brasil, esse debate tem impacto direto sobre a segurança hídrica, a geração hidrelétrica, a produção de alimentos e a preservação de biomas estratégicos para o clima, como a Amazônia.

“O caos climático está se acelerando. Atrasar é mortal”

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