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Moratória da soja sob risco gera alerta sobre desmatamento na Amazônia

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Soybean harvesters in action on a vast farm in Paragominas, Brazil, showcasing agricultural machinery.
Soybean harvesters in action on a vast farm in Paragominas, Brazil, showcasing agricultural machinery. Foto: MELQUIZEDEQUE ALMEIDA — Pexels License (livre para uso)

O enfraquecimento da Moratória da Soja — acordo ambiental criado em 2006 para barrar a compra do grão cultivado em áreas desmatadas — gera profundas preocupações sobre o futuro da preservação na Amazônia brasileira. A saída da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) do pacto em janeiro de 2026, motivada por pressões econômicas e políticas, coloca em risco quase duas décadas de controle sobre o desmatamento ligado ao agronegócio. Diante da crise, o Supremo Tribunal Federal (STF) convocou uma audiência de conciliação para meados de abril de 2026.

De acordo com reportagem do portal ((o))eco, a retirada da Abiove, entidade que representa gigantes do setor agroindustrial, ocorre em um cenário de turbulência jurídica e incertezas. A decisão foi impulsionada pela aprovação de uma lei estadual em Mato Grosso — maior estado produtor de soja do Brasil — que restringe incentivos fiscais a empresas signatárias do acordo. Além disso, há uma investigação administrativa do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste que apura supostas práticas anticoncorrenciais relacionadas ao tratado.

Quais são os riscos do fim da moratória da soja?

Pesquisadores e organizações ambientais projetam cenários alarmantes caso o pacto seja definitivamente extinto ou desidratado. Dados preliminares do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) indicam que a devastação no bioma pode sofrer um aumento de 30% até o ano de 2045. Além disso, um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revela que uma vasta extensão de terra perderá sua proteção natural a curto prazo.

Os principais impactos projetados pelos cientistas incluem as seguintes ameaças:

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  • Risco de devastação em mais de 13 milhões de hectares na Amazônia, uma área equivalente a três vezes o território do estado do Rio de Janeiro.
  • Comprometimento severo das metas climáticas internacionais assumidas de forma soberana pelo governo brasileiro.
  • Aumento exponencial de conflitos fundiários e violações de direitos humanos em territórios indígenas.

Como o Supremo Tribunal Federal avalia a crise ambiental?

Com as disputas legais escalando rapidamente, o STF assumiu o papel de mediador institucional. A corte suspendeu temporariamente as ações estaduais e as sanções oriundas do Cade, agendando uma tentativa de acordo pacífico entre as partes. Durante uma audiência recente, o representante da Procuradoria-Geral da República (PGR), João Pedro Carvalho, defendeu a eficácia histórica do pacto e a viabilidade do setor, declarando ser “possível desenvolver a agricultura brasileira sem desmatamento”.

A Advocacia-Geral da União (AGU) também se manifestou de forma contundente contra a legislação estadual mato-grossense que tentou sufocar o acordo. O órgão argumentou sobre as consequências legais e morais da medida imposta aos produtores rurais que atuam de forma legal, questionando “a possibilidade de um estado-membro utilizar o seu poder de tributar para punir quem escolheu proteger a floresta amazônica em maior medida e recompensar quem não o faz”.

Por que o setor produtivo critica o pacto da Amazônia?

Desde a sua criação no ano de 2006, o acordo estabeleceu que as tradings não comprariam grãos de áreas desmatadas após julho de 2008. Embora a área plantada na região tenha crescido 344% e o desmatamento diretamente associado tenha caído 69%, entidades rurais argumentam que a regulação privada impõe barreiras excessivas, ultrapassa as exigências da legislação nacional — como o Código Florestal — e pune financeiramente pequenos produtores.

Paralelamente, especialistas apontam falhas estruturais no sistema de monitoramento. Segundo a cientista Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o acordo empurrou a pecuária para a linha de frente da conversão de terras florestais e transferiu a pressão agressiva do agronegócio para o bioma do Cerrado, que hoje sofre com recordes de desmatamento.

Qual é a reação do mercado internacional ao desmonte?

A iminente queda das regras de proteção afeta diretamente as expectativas para as exportações brasileiras. Redes de supermercados europeias redigiram uma carta aberta às tradings afirmando estarem “profundamente decepcionadas” com a decisão, e sinalizaram a intenção de boicotar produtos ligados à derrubada da floresta nativa.

O anúncio ocorre em um momento diplomático sensível, coincidindo com as vésperas da aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que possui exigências ambientais rigorosas. O enfraquecimento do tratado ameaça a imagem e a credibilidade do Brasil em um momento estratégico de expansão comercial, com projeções de queda nas exportações da commodity para o mercado asiático.

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