
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou nesta quinta-feira (2 de abril) a ampliação drástica da área de restrição para o voo de drones no entorno da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), localizada no bairro Jardim Botânico, em Brasília. Com a nova decisão judicial, o raio de proibição, que inicialmente havia sido fixado em cem metros, passa a abranger um perímetro de um quilômetro. A medida rigorosa visa proteger a intimidade, a vida privada e a segurança institucional do ex-mandatário, que atualmente cumpre prisão domiciliar humanitária temporária em decorrência de problemas de saúde.
A alteração no perímetro de segurança atende a uma solicitação direta da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). De acordo com informações do Metrópoles, a corporação enviou um documento oficial ao STF apontando que a determinação original, despachada no sábado (28 de março), era tecnicamente vulnerável e insuficiente para lidar com as capacidades dos equipamentos modernos de captação de imagem e monitoramento remoto.
Por que o perímetro de restrição foi ampliado?
A justificativa central para a mudança do raio de cem metros para um quilômetro baseia-se em uma análise técnica detalhada elaborada por especialistas do Batalhão de Aviação Operacional (Bavop) da PMDF. Os analistas da força de segurança constataram que os drones atuais possuem tecnologia avançada embarcada, sendo perfeitamente capazes de captar imagens em altíssima resolução mesmo operando a longas distâncias da propriedade monitorada.
No documento encaminhado ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, o comando policial argumentou que o limite prévio era “insuficiente para garantir a plena eficácia da medida protetiva”. A corporação alertou expressamente para os perigos táticos e estratégicos de se manter uma zona de exclusão aérea reduzida sobre um alvo de alta sensibilidade política.
O comandante responsável detalhou os riscos inerentes à tecnologia no ofício ao STF, ressaltando os perigos institucionais e pessoais envolvidos. Conforme a argumentação oficial acatada integralmente pelo magistrado da Suprema Corte:
“Ademais, do ponto de vista da segurança institucional, a limitação espacial reduzida não mitiga de forma adequada riscos potenciais relacionados a ações dolosas, tais como monitoramento indevido, coleta de informações sensíveis ou mesmo eventual preparação de condutas ilícitas mais gravosas”
Quais são as penalidades para quem descumprir a ordem?
A nova decisão, assinada na quinta-feira (2 de abril), não se limitou apenas a expandir o raio geográfico da proibição para um quilômetro, mas também manteve e ratificou diretrizes extremamente rígidas de enfrentamento para as forças de segurança que patrulham o local. De acordo com informações do Poder360, o ministro do Supremo Tribunal Federal autorizou ações diretas e enérgicas caso a ordem judicial seja violada por qualquer indivíduo.
As prerrogativas concedidas aos agentes de segurança pública incluem as seguintes ações imediatas para a garantia do perímetro:
- Autorização expressa e legal para que a Polícia Militar abata as aeronaves não tripuladas que invadirem o perímetro de um quilômetro;
- Apreensão imediata dos equipamentos (drones) utilizados no descumprimento da determinação do STF;
- Prisão em flagrante delito dos operadores que forem identificados controlando os drones na região delimitada.
Qual é o contexto da prisão de Jair Bolsonaro?
A preocupação aguda com a segurança e o monitoramento aéreo indevido ocorre em um contexto bastante específico da situação jurídica e médica do ex-presidente da República. Jair Bolsonaro encontra-se em regime de prisão domiciliar temporária em sua casa particular em Brasília desde o dia 27 de março de 2026.
A transferência para o regime domiciliar de caráter humanitário ocorreu logo após Bolsonaro receber alta médica. Ele estava internado sob tratamento intensivo devido a um quadro clínico diagnosticado de broncopneumonia. Devido a essa condição frágil de saúde e à sua posição inerente como ex-chefe do Poder Executivo federal, as medidas de proteção foram intensificadas pelo Judiciário.
O objetivo do amplo raio de restrição é evitar o assédio visual e garantir o repouso necessário para a recuperação do ex-presidente, mantendo o ambiente livre de vigilância não autorizada, bisbilhotice e ameaças potenciais de segurança. A articulação rápida entre a avaliação técnica de risco feita pelo Batalhão de Aviação Operacional e a pronta resposta de Alexandre de Moraes demonstra a seriedade com que o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Militar encaram a integridade do perímetro protetivo estabelecido.


