O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recuou e desistiu formalmente, no final de março de 2026, de processar o influenciador digital Bruno Monteiro Aiub, amplamente conhecido como Monark, por declarações proferidas durante um debate em 2022. Na ocasião, o apresentador defendeu a possibilidade de reconhecimento legal de uma legenda nazista no Brasil. A mudança de postura ocorreu após o promotor de Justiça avaliar que a fala se tratou de uma defesa teórica da liberdade de expressão, e não do ideário nazista. As informações foram inicialmente publicadas pelo jornal Estadão e repercutidas pelo portal UOL.
Qual era a acusação inicial contra o apresentador?
O caso teve origem durante a gravação de um episódio do Flow Podcast, onde o influenciador era um dos apresentadores fixos. Durante uma discussão em 2022, ele emitiu opiniões que imediatamente geraram forte reação pública e jurídica.
De acordo com os autos do processo, as declarações que motivaram a ação inicial incluíam frases nas quais ele defendeu que “o nazista tinha que ter o partido nazista reconhecido por lei”. Em outro momento do mesmo debate, ele complementou afirmando que “se o cara quiser ser um anti-judeu, eu acho que ele tinha direito de ser”.
Inicialmente, o MP-SP enquadrou as manifestações do influenciador como um claro discurso de ódio contendo teor antissemita. Em razão dessa avaliação preliminar, o órgão havia ingressado com uma ação exigindo que ele fosse condenado ao pagamento de uma multa estipulada em R$ 4 milhões, valor que seria destinado a reparar danos morais de caráter coletivo decorrentes de sua fala na internet.
Por que o promotor decidiu arquivar a ação?
A reviravolta jurídica ocorreu no dia 31 de março de 2026, quando a promotoria apresentou uma nova manifestação nos autos do processo em andamento. O promotor de Justiça Marcelo Otavio Camargo Ramos assinou o documento pedindo que a ação seja julgada improcedente pela Justiça paulista, mudando o direcionamento institucional sobre o tema.
A justificativa central para a desistência do processo baseia-se na interpretação do contexto e da intenção do comunicador. Segundo o promotor designado para o caso, a análise aprofundada da gravação revelou um viés diferente do que havia sido interpretado na denúncia inicial do órgão público.
“[As declarações] se enquadram na defesa abstrata (embora equivocada) na liberdade de convicção e expressão, e não na defesa do ideário nazista em si.”
Essa nova interpretação estabelece uma distinção legal entre a promoção ativa de uma ideologia e o debate teórico sobre os limites da legislação, ainda que a premissa apresentada pelo réu tenha sido considerada errônea pelo próprio representante do Ministério Público responsável pela análise do caso.
Quais foram os desdobramentos após o episódio de 2022?
A repercussão imediata das falas gerou consequências severas para a trajetória profissional de Bruno Monteiro Aiub. Entre as principais medidas e reações tomadas na época em que a polêmica veio a público, destacam-se:
- O desligamento do influenciador do Flow Podcast, um dos programas de maior audiência do país e do qual era apresentador;
- A forte rejeição pública, que culminou no pedido inicial de indenização milionária;
- A necessidade de o apresentador vir a público para justificar as declarações proferidas ao vivo.
Em sua defesa pública, o comunicador reiterou veementemente seu repúdio ao nazismo. Para explicar o contexto de sua fala durante a transmissão, ele alegou que se encontrava em estado de embriaguez no momento em que formulou o argumento polêmico sobre a legalização da legenda extremista.
Com a recente manifestação do promotor recomendando a improcedência do processo, o influenciador celebrou a decisão favorável na esfera civil. Ele também fez questão de registrar um agradecimento público à entidade Free Speech Union Brasil, organização que atuou ativamente em sua defesa no decorrer do imbróglio legal.

