A startup de reflorestamento Mombak planeja captar até R$ 2 bilhões para financiar projetos de restauração florestal na Amazônia. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atuará como investidor âncora da iniciativa, com potencial para aportar até R$ 500 milhões no negócio. De acordo com informações do Capital Reset, o fundo da empresa foi um dos sete selecionados na chamada pública de mitigação climática do banco estatal. O BNDES é o principal banco público de fomento do país, e a BNDESPAR é seu braço de atuação no mercado de capitais.
O edital prevê a destinação total de R$ 4,3 bilhões por meio da BNDESPAR. Pelas regras estabelecidas na seleção, o banco público pode participar com até 25% do fundo, sendo exigido dos projetos escolhidos um capital comprometido alvo de pelo menos R$ 250 milhões. A entrada do BNDES ocorrerá via participação societária (equity), modelo que divide os riscos e os retornos financeiros com os demais cotistas do fundo.
Como os recursos serão aplicados na Amazônia?
Todo o montante captado será direcionado para a expansão de iniciativas de reflorestamento que utilizam espécies nativas no estado do Pará, onde a empresa concentra suas operações atuais. O Pará abriga parte significativa da Amazônia brasileira e tem peso estratégico em iniciativas de restauração florestal e geração de créditos de carbono. O modelo de negócios consiste na geração e posterior comercialização de créditos de carbono provenientes dessas áreas ecologicamente restauradas. Atualmente, a startup já possui contratos firmados com gigantes da tecnologia, como a Microsoft e o Google.
A estrutura do negócio seguirá o formato de Fundos de Investimento em Participações (FIPs). Os recursos arrecadados serão utilizados majoritariamente durante os primeiros cinco anos de operação. Entre as principais destinações do capital estão:
- Aquisição de áreas degradadas para recuperação;
- Compra de mudas de espécies nativas;
- Trabalhos de preparo do solo e plantio;
- Monitoramento contínuo das áreas restauradas.
Qual é a estratégia financeira por trás do novo fundo?
O vice-presidente financeiro da Mombak, Bruno Figueiredo, destacou a importância da presença de um ente estatal forte na atração de novos parceiros.
Como investidor âncora, o BNDES tem um papel catalítico. Essa estrutura permite acessar investidores mais sofisticados para executar projetos intensivos em capital
afirmou o executivo. Diferentemente do primeiro fundo da companhia, que levantou US$ 120 milhões exclusivamente com investidores estrangeiros, o novo veículo, batizado de The Amazon Reforestation Fund II, busca atrair o capital privado nacional.
Segundo Figueiredo, existe um movimento significativo de atração de capital local para essa classe de ativos. A estruturação em portfólio de projetos visa garantir maior segurança institucional aos envolvidos.
Isso é importante porque permite diluir riscos, por exemplo, riscos climáticos ou operacionais, ao distribuir os investimentos entre diferentes áreas e projetos. O investidor não fica exposto a um único ativo
explicou o executivo.
Qual o impacto ambiental estimado pelo projeto?
Caso a Mombak alcance o valor máximo pretendido na captação, as projeções indicam o plantio de aproximadamente 52 milhões de árvores. Esse volume de reflorestamento apresenta um potencial técnico para remover cerca de 19 milhões de toneladas de carbono da atmosfera. O processo de certificação para a emissão dos primeiros créditos, que garantirão o retorno financeiro aos cotistas, deve ter início entre o segundo e o terceiro ano de execução do projeto.
O mercado atual confere maior credibilidade aos créditos gerados por remoção de carbono por meio de reflorestamento do que àqueles oriundos apenas da conservação de áreas já existentes. No entanto, o custo operacional dessa modalidade é expressivo. A restauração de áreas degradadas exige um investimento que varia entre R$ 20 mil e R$ 50 mil por hectare, fator que impulsiona os desenvolvedores a buscarem estruturas complexas de financiamento para viabilizar as metas ambientais. Desde a sua fundação em 2021, a empresa já captou mais de R$ 1,15 bilhão para projetos do tipo na região amazônica.

