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Mohammad Bagher Ghalibaf é visto pela Casa Branca como nome para liderar o Irã

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Mohammad Bagher Ghalibaf aparece em plano médio, vestindo traje formal e olhando em direção à câmera.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã, é apontado por integrantes do governo de Donald Trump como principal interlocutor dos Estados Unidos dentro do país e, possivelmente, como nome para chefiar um futuro governo apoiado por Washington. A informação foi publicada nesta segunda-feira, 24 de março de 2026, em reportagem sobre os bastidores da relação entre Teerã e a Casa Branca, em meio à guerra e à abertura de uma negociação após a pausa anunciada por Trump nos ataques a alvos energéticos iranianos.

De acordo com informações do g1 Mundo, a avaliação foi publicada inicialmente pelo site americano Politico, com base em conversas com autoridades do governo Trump que falaram sob condição de anonimato. Segundo a reportagem, Ghalibaf, de 64 anos, apesar de já ter feito ameaças reiteradas aos EUA, é visto por parte da Casa Branca como um interlocutor confiável para uma eventual saída diplomática.

Para o Brasil, a crise tem relevância porque o Irã é um importante produtor de petróleo e oscilações no preço internacional da commodity costumam repercutir no custo dos combustíveis e no ambiente inflacionário. O tema também entra no radar diplomático brasileiro, já que o país tradicionalmente defende soluções negociadas em crises no Oriente Médio.

Quem é Mohammad Bagher Ghalibaf?

Ghalibaf construiu sua trajetória política a partir da carreira militar. Segundo a reportagem, ele atuou na Guerra Irã-Iraque, nos anos 1980, e depois ascendeu dentro da estrutura da República Islâmica. Entre 1997 e 2000, chegou ao posto de comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, força militar encarregada de defender a Revolução Islâmica no país.

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Ele foi nomeado para esse cargo pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Depois, assumiu o comando da polícia iraniana, tornou-se prefeito de Teerã e, desde 2020, lidera o Parlamento. A reportagem destaca que, embora o Irã tenha Parlamento e presidente, o sistema político do país é subordinado a mecanismos de aprovação de candidaturas alinhados ao líder supremo e aos aiatolás, que concentram o poder real.

Por que o nome dele interessa ao governo Trump?

Segundo funcionários ouvidos pelo Politico, Ghalibaf seria hoje o nome mais forte considerado pela Casa Branca, embora não seja o único. A avaliação ocorre no contexto da tentativa de Washington de abrir uma frente de negociação com Teerã sem abandonar a pressão militar e econômica.

“Ele é uma opção muito promissora”, disse um dos entrevistados, pontuando, no entanto, que não é a única. “Ele é um dos principais candidatos… Mas precisamos avaliá-los, e não podemos nos precipitar.”

A mesma reportagem afirma que há outros nomes em análise. Uma das fontes ouvidas pelo Politico descreveu o objetivo da Casa Branca como o de manter no poder uma liderança disposta a cooperar com os interesses americanos, especialmente em torno de um eventual acordo ligado ao petróleo.

“O objetivo é instalar alguém como Delcy Rodríguez na Venezuela e dizer: ‘Vamos mantê-la lá. Não vamos tirá-la de lá. Você vai trabalhar conosco. Você vai nos dar um bom acordo, um acordo prioritário para o petróleo’”, afirmou uma das fontes ouvidas pelo Politico.

O que Ghalibaf disse sobre as negociações?

Na segunda-feira, 23 de março, quando Trump afirmou que havia um diálogo em curso entre seu governo e autoridades de Teerã, Ghalibaf negou publicamente a informação. A declaração foi apresentada como resposta às falas do presidente americano em meio à escalada regional.

“Notícias falsas estão sendo utilizadas para manipular os mercados”, afirmou Ghalibaf.

A negativa pública contrasta com a avaliação de setores da Casa Branca de que ele poderia ser um interlocutor confiável. O movimento também ocorre depois de Trump anunciar uma pausa de cinco dias nos ataques a instalações de energia do Irã para permitir a abertura de negociações.

Qual é o impacto político e econômico dessa estratégia?

De acordo com a reportagem, um dos principais temores de Trump em uma guerra prolongada no Irã é a alta do preço do petróleo no mercado internacional. Esse cenário poderia pressionar a inflação nos Estados Unidos e ampliar o desgaste político do republicano.

No Brasil, movimentos no mercado internacional de petróleo também são acompanhados com atenção porque podem afetar os preços de combustíveis, fretes e cadeias de transporte, com reflexos mais amplos sobre a economia. Além disso, uma piora na tensão no Oriente Médio costuma ter impacto global sobre comércio, seguros e logística.

O tema ganha peso adicional porque os EUA terão eleições legislativas de meio de mandato em novembro. Indicadores econômicos fracos, segundo o texto, podem prejudicar o partido de Trump e abrir espaço para que os democratas retomem o controle da Câmara e do Senado.

  • Pausa de cinco dias nos ataques a alvos energéticos iranianos
  • Tentativa de abertura de negociação com Teerã
  • Preocupação com a alta do petróleo
  • Risco de impacto inflacionário nos EUA
  • Possível efeito nas eleições legislativas de novembro

Se esse cenário se confirmar, a reportagem aponta que Trump teria mais dificuldade para aprovar projetos de seu interesse e levar adiante sua agenda política. Nesse contexto, o nome de Ghalibaf aparece, para parte do governo americano, como peça relevante em uma estratégia que combina pressão externa, cálculo geopolítico e interesse econômico.

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