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Mitsubishi Power enfrenta falta de mão de obra para turbinas a gás nos EUA

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Detailed overhead view of industrial jet engine turbine blades showcasing intricate patterns.
Detailed overhead view of industrial jet engine turbine blades showcasing intricate patterns. Foto: Joerg Mangelsen — Pexels License (livre para uso)

A Mitsubishi Power enfrenta dificuldades para ampliar a produção de turbinas a gás nos Estados Unidos devido à escassez de mão de obra especializada e a restrições na cadeia de suprimentos, segundo relato de executivos da empresa divulgado em 1º de abril de 2026. O cenário ocorre em meio ao avanço da construção de data centers e usinas de energia no país, que elevou a disputa por engenheiros, mecânicos e equipamentos usados na fabricação dessas turbinas. De acordo com informações do Valor Empresas, a companhia afirma que a expansão prevista para os próximos dois anos deve superar 30%, mas esbarra em limitações de pessoal e fornecimento.

Para o Brasil, o movimento nos Estados Unidos é relevante porque a disputa global por equipamentos e fornecedores do setor elétrico pode afetar prazos, custos e disponibilidade de tecnologia também em outros mercados. O avanço dos data centers, tema que ganhou espaço no debate energético internacional, também tem impacto sobre cadeias de suprimento usadas por projetos de geração em diferentes países.

Bill Newsom, presidente da Mitsubishi Power Americas, afirmou ao Nikkei Asia que o mercado está mais competitivo e que a empresa tem buscado recrutar profissionais por meio de programas de aprendizagem e parcerias com universidades. Segundo ele, as aposentadorias também contribuem para a redução da força de trabalho qualificada, num momento em que, em 2026, cresce a demanda por infraestrutura energética e digital.

Por que a produção de turbinas enfrenta pressão nos Estados Unidos?

Além da falta de trabalhadores especializados, a Mitsubishi Power relata dificuldades para obter equipamentos específicos necessários à construção das turbinas. Newsom disse que há fila de espera para componentes e que a empresa precisou buscar novos fornecedores em um ambiente de concorrência intensa. Ele afirmou ainda que um fornecedor deixou de atender a companhia para vender a uma empresa de data centers que pagou o triplo do preço.

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“É um mercado realmente competitivo, e por isso estamos focados em recrutar nos lugares certos, trabalhando com programas de aprendizagem e universidades desde cedo”

“Estamos perdendo parte do talento que sabe construir”

Segundo o texto original, turbinas a gás e data centers frequentemente utilizam componentes semelhantes, como skids auxiliares. Esse compartilhamento de insumos ampliou a competição entre os setores. Empresas de hiperescala, como a Amazon Web Services e outras, investiram US$ 300 bilhões em 2025 na aquisição e construção de infraestrutura, o que representou alta de 50% em relação ao ano anterior.

Como o avanço dos data centers afeta o mercado de energia?

Os Estados Unidos anunciaram 252 gigawatts de capacidade de geração de energia a gás em 2025, quase o triplo do volume do ano anterior, de acordo com o Global Energy Monitor. Mais de um terço dessa capacidade deverá abastecer data centers no próprio local. Já os projetos novos de geração a gás, anunciados ou ainda em planejamento, somam 159 GW, o equivalente a um terço da capacidade global nessa etapa.

A Wood Mackenzie estima que 63 GW de nova capacidade de geração a gás entrarão em operação entre 2026 e 2030. Nesse contexto, a procura crescente por turbinas elevou custos e alongou os prazos de entrega. A Mitsubishi Power, que detém 20% do mercado americano segundo a consultoria, enfrenta prazos superiores a três anos, de acordo com Newsom. Ele afirmou ainda que clientes já tentam reservar entregas de turbinas de grande porte para além de 2030.

Embora o foco da reportagem esteja no mercado americano, a pressão sobre fabricantes de turbinas e componentes tem potencial de repercutir em países como o Brasil, que depende de investimentos em infraestrutura elétrica e acompanha a expansão de centros de processamento de dados. Em um mercado globalizado, gargalos de produção nos EUA podem influenciar a competição internacional por máquinas e peças.

  • Escassez de engenheiros e mecânicos especializados
  • Aposentadoria de profissionais experientes
  • Concorrência por componentes com empresas de data centers
  • Fila de espera para equipamentos especiais
  • Prazos de entrega superiores a três anos

O que dizem analistas e executivos sobre a capacidade do setor?

Ben Boucher, analista sênior de cadeia de suprimentos da Wood Mackenzie, afirmou que metade da atual capacidade de produção de turbinas a gás nos Estados Unidos, em torno de 30 GW por ano, já foi destinada a projetos internacionais. Segundo ele, mesmo com uma base industrial relevante, o setor ainda enfrenta dificuldades para responder ao aumento recente da demanda.

“Apesar de possuir uma grande base de produção, ainda é um desafio atender ao crescimento atual da demanda, especialmente considerando o grande número de novos pedidos de turbinas que vimos nos últimos anos”

Tradicionalmente, concessionárias de energia elétrica concentravam as encomendas de turbinas de grande porte. Agora, segundo a reportagem, essas empresas têm optado cada vez mais por máquinas menores e disputam espaço com desenvolvedores de projetos, o que altera a dinâmica de contratação e produção.

Qual é o cenário na Ásia-Pacífico para a Mitsubishi Power?

Akihiro Ondo, diretor executivo da Mitsubishi Power Ásia-Pacífico, afirmou que a região registrou crescimento, mas em volume inferior ao observado nos Estados Unidos. A empresa deverá fornecer turbinas para seis grandes projetos em Cingapura, Vietnã e Malásia.

O texto também relata que a carteira de pedidos de turbinas a gás pode influenciar a matriz energética e a demanda por usinas a gás, especialmente diante de pressões no abastecimento. Na Ásia, recursos energéticos foram afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, segundo a reportagem, o que pressionou o fornecimento de gás natural liquefeito e elevou preços. Em resposta, alguns países da região recorreram ao carvão. Ainda assim, Ondo afirmou que a demanda por gás deve continuar no longo prazo.

“A maioria dos atores na região da Ásia-Pacífico entende os objetivos que temos de equilibrar segurança energética, acessibilidade e sustentabilidade”

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