
A espaçonave Artemis II e sua tripulação de quatro astronautas entraram oficialmente na esfera de influência da Lua. O marco significa que o veículo agora é mais afetado pela gravidade lunar do que pela atração da Terra. O avanço histórico também é acompanhado de perto pelo Brasil, que em 2021 se tornou o primeiro país da América Latina a assinar os Acordos Artemis, parceria internacional voltada à exploração pacífica do espaço. De acordo com informações do Engadget, a transição gravitacional ocorreu a uma distância de 39 mil milhas (cerca de 62.700 km) do satélite natural, exatos quatro dias, seis horas e dois minutos após o início da missão. Este evento prepara o terreno para a fase mais importante da viagem, nesta segunda-feira (6), quando a cápsula contornará o lado oculto da Lua.
Como a missão Artemis II supera os recordes da era Apollo?
Ao realizar esta manobra ao redor do lado afastado da Lua, a espaçonave Orion levará os seres humanos mais fundo no espaço do que jamais estiveram em toda a história da exploração espacial. No ponto de maior distanciamento, conhecido como apogeu, os astronautas Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e o canadense Jeremy Hansen estarão a 252.757 milhas (aproximadamente 406.700 km) de distância do nosso planeta.
Esta marca extraordinária quebrará o recorde anterior estabelecido pela tripulação da missão Apollo 13 no ano de 1970. A nova distância superará a antiga marca histórica de 248.655 milhas por um pouco mais de 4 mil milhas (cerca de 6.400 km). Além do feito numérico, os quatro tripulantes são os primeiros seres humanos a cruzar o limiar lunar desde a última missão de pouso na Lua, a Apollo 17, realizada em 1972.
Quais foram as preparações da tripulação para o sobrevoo lunar?
Durante o fim de semana que antecedeu a aproximação máxima, a equipe a bordo da cápsula Orion dedicou-se intensamente aos preparativos cruciais para o sobrevoo lunar. As atividades incluíram demonstrações práticas de pilotagem manual da espaçonave e a revisão minuciosa dos objetivos científicos estabelecidos para o período de observação, que terá duração de seis horas.
Os astronautas também realizaram avaliações completas de seus trajes espaciais. Estes equipamentos são fundamentais não apenas para o suporte à vida em caso de qualquer emergência no ambiente hostil do espaço, mas também para garantir a segurança durante a futura reentrada e o retorno seguro ao planeta Terra. Apesar da agenda rigorosa, a tripulação teve tempo para apreciar e registrar as vistas espetaculares do globo terrestre através das janelas da nave.
Como acontecerá a aproximação máxima e o eclipse solar no espaço?
A previsão é de que a Orion alcance a vizinhança lunar logo após a meia-noite desta segunda-feira (6). O período oficial de observação lunar terá início às 14h45 no fuso horário do leste norte-americano (ET). Algumas horas depois desse início, a cápsula espacial passará por trás da Lua, o que resultará em uma breve e prevista perda de comunicação com o controle da missão na Terra.
A aproximação máxima da superfície lunar está programada para ocorrer exatamente às 19h02, momento em que a nave ficará a apenas 4.066 milhas (cerca de 6.540 km) do solo do satélite. A agência espacial detalhou o que os tripulantes poderão testemunhar durante esta fase crítica da viagem:
“A partir dessa distância, a tripulação verá o disco inteiro da Lua de uma só vez, incluindo as regiões próximas aos polos norte e sul.”
Posteriormente, os quatro exploradores terão a oportunidade única de observar um eclipse solar a partir do espaço sideral. Os fenômenos celestes ocorrerão sob condições muito específicas para a tripulação:
- A espaçonave Orion, a Lua e o Sol ficarão perfeitamente alinhados na imensidão do espaço sideral.
- A configuração orbital fará com que a nossa estrela desapareça atrás da Lua sob a perspectiva dos quatro astronautas.
- O evento astronômico de ocultação solar durará aproximadamente uma hora, garantindo dados valiosos e registros históricos da missão espacial.