
O astronauta Victor Glover, de 49 anos, assumiu os controles manuais da cápsula Orion na última quarta-feira (1º de abril de 2026), realizando manobras precisas no espaço profundo durante a missão Artemis 2 da Nasa. O Brasil acompanha os desdobramentos do programa de perto, já que o país é signatário dos Acordos Artemis, tratado internacional que estabelece princípios para a cooperação e exploração pacífica da Lua. O ex-piloto de testes da Marinha dos Estados Unidos conduziu a espaçonave após a separação do segundo estágio do foguete Space Launch System (SLS), que havia sido lançado de Cabo Canaveral, na Flórida. O objetivo da operação foi testar a responsividade do veículo a caminho da órbita da Lua, garantindo a segurança para futuras missões do programa espacial.
De acordo com informações do UOL Notícias, o teste de voo livre ocorreu sem sobressaltos e deixou a tripulação eufórica. A manobra utilizou o estágio descartado do foguete como um alvo provisório para operações de proximidade, conhecidas tecnicamente pela agência espacial como “prox ops”. Glover conseguiu aproximar a cápsula a uma distância de dez metros da estrutura, sob a vigilância rigorosa dos demais tripulantes para evitar qualquer risco de colisão orbital.
Por que o teste manual da cápsula Orion é fundamental?
A prática de pilotagem manual no espaço sideral é uma etapa crítica preparatória para a missão Artemis 3, com previsão de lançamento para 2027. Nas futuras expedições, a nave precisará realizar acoplagens complexas com módulos de pouso lunar desenvolvidos por empresas privadas, como a SpaceX e a Blue Origin. Como não era possível treinar um acoplamento real com a estrutura descartada do foguete SLS, o estágio serviu como ponto de referência para que os sistemas de navegação e controle fossem avaliados na prática em um ambiente de microgravidade.
Durante uma entrevista coletiva realizada na quinta-feira (2 de abril), Howard Hu, gerente do programa da cápsula espacial, resumiu a atividade de maneira didática, chamando o procedimento de “test drive do carro”. A equipe de terra destacou que todas as manobras planejadas foram concluídas em um tempo menor do que o previsto inicialmente. O piloto da missão também elogiou o desempenho do veículo e a qualidade dos equipamentos visuais a bordo.
“É bem agradável e muito responsiva. E a câmera também é melhor do que a que estávamos usando no simulador”, afirmou Glover ao controle da missão.
Como funcionam os sistemas de propulsão e navegação no espaço?
O sistema de propulsão avaliado apresentou diferenças notáveis em relação a outras naves de passageiros operacionais. Segundo o piloto, não há os sons de estalo mecânico característicos dos propulsores das espaçonaves russas Soyuz ou da Crew Dragon. Em vez disso, o acionamento dos motores gerou apenas uma resposta tátil contínua na estrutura.
“Aquela pequena vibração é como um tremor bem leve, como dirigir sobre uma estrada levemente irregular”, descreveu o piloto da missão Artemis 2.
David Dannemiller, gerente adjunto do sistema de orientação, navegação e controle, explicou que a identificação de dados de voo precisos permite que a agência avalie a necessidade de correções estruturais antes da próxima geração do programa. Os testes forneceram informações cruciais que não poderiam ser obtidas sem ir ao espaço, especialmente em relação ao funcionamento das câmeras de navegação em um vácuo onde não há moléculas de ar para refletir e difundir a luz.
Quais foram os principais objetivos alcançados na manobra?
A operação manual exigiu extrema delicadeza, com mudanças de velocidade tão diminutas que muitas vezes se tornavam imperceptíveis para os acelerômetros internos da espaçonave, representando menos de um centésimo de metro por segundo. A única maneira de a tripulação perceber a movimentação real era observando a posição relativa do estágio do foguete logo à frente.
Os objetivos cumpridos com sucesso pela equipe incluíram uma série de avaliações técnicas rigorosas. Entre os principais parâmetros testados durante a operação espacial, destacam-se:
- Aproximação milimétrica e controlada a dez metros de distância do alvo de acoplagem.
- Avaliação da resposta dos propulsores de manobra no vácuo espacial.
- Testagem e calibração das câmeras enfrentando os contrastes extremos de luz e sombra.
- Verificação da estabilidade aerodinâmica do veículo para futuras interações com módulos lunares.
Após recuar a cápsula de maneira segura e manobrar para ter uma visão lateral do estágio do foguete, o piloto conseguiu visualizar um emblema específico fixado na estrutura. Glover relatou com entusiasmo que conseguia enxergar o alvo e uma “bela bandeira americana”. Após cerca de uma hora, o teste foi concluído com sucesso. Outras tarefas de pilotagem manual e navegação por estrelas estão planejadas para os dias subsequentes da viagem rumo à Lua.