
Na manhã desta sexta-feira (3 de abril), a Nasa divulgou publicamente as primeiras imagens da Terra capturadas pela tripulação da missão espacial Artemis 2, que atualmente viaja com destino à Lua. As fotografias, que mostram o planeta de forma parcial em um registro e em sua totalidade no outro, foram capturadas diretamente da cápsula Orion após o lançamento realizado no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, nos Estados Unidos.
De acordo com informações do UOL Notícias, a agência espacial norte-americana utilizou as redes sociais para descrever os detalhes visuais observados pelos astronautas durante o início da jornada lunar.
O que as fotografias revelam sobre o nosso planeta?
Nas imagens compartilhadas pela agência, é possível observar detalhes atmosféricos e geográficos marcantes. Através das lentes da missão, a Terra exibe suas cores características de maneira vibrante, evidenciando fenômenos naturais complexos que ocorrem na atmosfera terrestre.
“Vemos nosso planeta iluminado em tons espetaculares de azul e marrom. Uma aurora verde até ilumina a atmosfera. Somos nós, juntos, observando enquanto nossos astronautas fazem sua jornada até a Lua”
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O comandante da missão, o astronauta Reid Wiseman, que tem 50 anos, destacou em entrevistas as dificuldades técnicas de registrar o globo terrestre a partir do espaço profundo. Durante a comunicação com a base de controle em Houston, ele relatou a experiência prática de operar os equipamentos fotográficos.
“É como sair no quintal de casa e tentar tirar uma foto da Lua. É assim que me sinto agora tentando fotografar a Terra”
Como os astronautas capturaram as imagens espaciais?
Para realizar a documentação visual da viagem, a equipe de astronautas conta com um arsenal diversificado de equipamentos eletrônicos a bordo da cápsula Orion. A decisão estratégica de incluir aparelhos de uso comercial cotidiano foi tomada por Jared Isaacman, administrador da agência espacial e veterano de duas missões privadas da corporação SpaceX.
Os dispositivos fotográficos utilizados pela tripulação incluem as seguintes opções:
- Uma pequena câmera de ação da marca GoPro;
- Aparelhos de telefone celular do modelo iPhone;
- Câmeras profissionais de alta resolução da marca Nikon, historicamente utilizadas na Estação Espacial Internacional (ISS).
Quais foram as reações da tripulação ao observar a Terra?
A saída da órbita terrestre gerou forte comoção entre os tripulantes. Em entrevista concedida a emissoras norte-americanas, o comandante Wiseman classificou o afastamento do planeta e o início da trajetória lunar como o ponto mais alto da viagem até o momento.
“Dá para ver o globo inteiro, de polo a polo. Dá para ver a África, a Europa. Se você olhar bem de perto, consegue ver a aurora boreal. Foi o momento mais espetacular, e nos deixou paralisados.”
A astronauta Christina Koch, de 47 anos, também compartilhou sua perspectiva sobre a magnitude do cenário observado pelas janelas da espaçonave.
“Nada te prepara para a emoção que te invade”
Segundo a astronauta, a visão contemplou um globo iluminado de maneira intensa, como se fosse dia, banhado pela luminosidade refletida pelo satélite natural.
Quais são os próximos passos da jornada lunar?
A atual empreitada espacial teve início na última quarta-feira (1º de abril), quando o foguete SLS impulsionou a cápsula Orion para fora da atmosfera. Após deixar a órbita na quinta-feira, o veículo espacial iniciou definitivamente sua travessia pelo vácuo espacial em direção ao satélite.
A viagem até o destino final exige cobrir uma vasta distância. Enquanto a Estação Espacial Internacional orbita a cerca de 430 quilômetros da superfície, a Lua encontra-se a aproximadamente 384 mil quilômetros. A previsão oficial é que o trajeto de ida dure entre três e quatro dias de navegação ininterrupta.
O objetivo central desta expedição é pavimentar o caminho tecnológico e operacional para que a humanidade retorne fisicamente ao solo lunar no ano de 2028. A missão também possui relevância direta para o Brasil, que acompanha os desdobramentos do programa através da Agência Espacial Brasileira (AEB) desde 2021, ano em que o país se tornou signatário dos Acordos Artemis para a exploração pacífica do espaço. O plano de voo atual determina que a espaçonave faça uma manobra de contorno ao redor do corpo celeste, passando pelo seu lado oculto, com a projeção de retorno à superfície terrestre agendada para o próximo dia 10 de abril.