Vinte e duas pessoas morreram depois de passar seis dias à deriva em um bote inflável no mar Mediterrâneo, em uma travessia que saiu da região de Tobruk, no leste da Líbia, com destino à Grécia. Outras 26 pessoas foram resgatadas ao sul da ilha de Creta por uma embarcação da Frontex, agência de fronteiras da União Europeia, segundo autoridades gregas. De acordo com informações do G1 Mundo, os sobreviventes relataram que o grupo ficou sem água e alimentos, enfrentou mau tempo e perdeu a rota durante a viagem, o que levou as vítimas à exaustão. A crise migratória no Mediterrâneo tem repercussão internacional e influencia debates sobre controle de fronteiras, asilo e cooperação humanitária, temas acompanhados também pelo Brasil em fóruns multilaterais.
O resgate ocorreu a cerca de 53 milhas náuticas ao sul da cidade de Ierapetra, no sul de Creta, e a operação aconteceu na quinta-feira, 26 de março, por volta do meio-dia. Segundo o comunicado das autoridades gregas divulgado na noite de sexta-feira, 27 de março, dois dos sobreviventes precisaram ser levados a um hospital em Heraclião, capital da ilha. O estado de saúde deles não foi informado.
Quem eram as pessoas que estavam na embarcação?
As autoridades informaram posteriormente que o grupo era composto por 21 cidadãos de Bangladesh, um do Chade e quatro do Sudão do Sul, entre eles uma mulher e um menor de idade. Conforme os depoimentos prestados aos guardas-costeiros da Grécia, o bote partiu em 21 de março da região de Tobruk, uma das áreas usadas como ponto de saída de migrantes que tentam chegar à União Europeia em busca de asilo. A Líbia é um dos principais pontos de partida de rotas irregulares pelo Mediterrâneo central e oriental, frequentemente monitoradas por autoridades europeias e organismos internacionais.
Durante o trajeto, a embarcação teria perdido a rota e permanecido à deriva por seis dias. Além da falta de recursos básicos, os passageiros enfrentaram condições climáticas adversas. Segundo um porta-voz dos guardas-costeiros, esse conjunto de fatores levou à morte de 22 pessoas por exaustão.
O que disseram os sobreviventes e quais medidas foram tomadas?
De acordo com os relatos dos sobreviventes, os corpos das vítimas foram lançados ao mar durante a travessia. Ainda segundo esses depoimentos, a ação teria ocorrido por ordem de um dos dois suspeitos de atuar como traficantes de pessoas. Os dois foram presos pelas autoridades gregas.
Os detidos são dois homens, de 19 e 22 anos, naturais do Sudão do Sul. Segundo a reportagem, eles devem responder por entrada ilegal no país e homicídio culposo. Em Bruxelas, sede das principais instituições da União Europeia, um porta-voz da Comissão Europeia afirmou ser urgente ampliar a cooperação com países situados ao longo das rotas migratórias e reforçar as ações contra redes de tráfico de migrantes.
Como está o cenário das mortes nas rotas migratórias para a União Europeia?
O número de migrantes mortos ao tentar chegar à União Europeia mais que dobrou nos dois primeiros meses de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Frontex. Já a Organização Internacional para as Migrações, a OIM, informou que cerca de 660 pessoas morreram no Mediterrâneo em janeiro e fevereiro deste ano, ante 287 no mesmo intervalo de 2025.
- 660 mortes no Mediterrâneo em janeiro e fevereiro de 2026, segundo a OIM
- 287 mortes no mesmo período de 2025
- Aumento de 128% na comparação anual
- Queda de 52% nas travessias irregulares detectadas nas fronteiras externas da União Europeia no início de 2026, segundo a Frontex
Apesar da redução nas travessias irregulares detectadas nas fronteiras externas do bloco, a rota entre a Líbia e a ilha de Creta tem sido usada com mais frequência nos últimos meses, mesmo com os riscos elevados. Em dezembro, outro caso semelhante foi registrado na região: 17 migrantes foram encontrados mortos dentro de uma embarcação parcialmente afundada a sudoeste de Creta, e apenas dois sobreviveram. As autoridades acreditam que outras 15 pessoas morreram afogadas, mas os corpos não foram localizados.
A tragédia também ocorre em meio ao endurecimento do debate migratório na Europa. Nesta semana, o Parlamento Europeu aprovou regras mais rígidas para a política migratória do bloco, incluindo a criação de centros fora da União Europeia para envio de migrantes irregulares. O episódio reforça a pressão sobre autoridades europeias e países das rotas migratórias diante da repetição de mortes no Mediterrâneo. Para o leitor brasileiro, o tema ajuda a entender discussões globais sobre refúgio, migração e combate ao tráfico de pessoas, que também aparecem na agenda diplomática internacional.



