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Mette Frederiksen antecipa eleição na Dinamarca sob impacto da crise com Trump e Groenlândia

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Primeira-ministra Mette Frederiksen fala em uma conferência de imprensa, em ambiente formal e iluminado.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca, antecipou as eleições parlamentares para 24 de março de 2026 em meio ao impacto político da crise com Donald Trump sobre a Groenlândia. A votação, que poderia ser convocada até outubro, foi marcada antes após a tensão provocada pela pressão do presidente dos Estados Unidos em relação ao território autônomo dinamarquês, em um contexto de debate sobre defesa europeia, imigração e reposicionamento eleitoral dos social-democratas. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a mudança de cenário ajudou a fortalecer o governo às vésperas do pleito. A disputa é acompanhada com atenção fora da Europa porque a Groenlândia tem posição estratégica no Ártico e a crise envolve os Estados Unidos, parceiro central do Ocidente e ator relevante para a segurança internacional.

A antecipação ocorreu depois de um período de desgaste interno para Frederiksen. A premiê, no cargo desde 2019, enfrentava queda nas pesquisas e sinais de fadiga do eleitorado, agravados pela perda da Prefeitura de Copenhague pelos social-democratas em novembro. O cenário começou a mudar em janeiro, quando Trump elevou o tom ao exigir a anexação da Groenlândia, o que desencadeou reações defensivas na Europa e recolocou a segurança do continente no centro do debate político dinamarquês.

Por que a crise com Trump alterou o cenário eleitoral na Dinamarca?

Segundo a reportagem, a tensão ganhou contornos dramáticos com a revelação, feita pela emissora pública DR, de que tropas dinamarquesas estavam preparadas para destruir pistas de pouso na Groenlândia caso os Estados Unidos invadissem a ilha em janeiro. O episódio ilustrou o grau de preocupação em Copenhague diante das declarações do presidente americano.

Trump chegou ao auge do embate com a Europa ao exigir a anexação do território autônomo, parte do Reino da Dinamarca há mais de três séculos. Embora tenha recuado, a ofensiva deixou efeitos políticos concretos no norte europeu. De acordo com o texto, ela reavivou discussões sobre a relação de países nórdicos com a União Europeia e melhorou as perspectivas de Frederiksen no plano doméstico. Para o Brasil, movimentos desse tipo são relevantes porque afetam a estabilidade entre aliados ocidentais e o debate sobre rotas estratégicas, defesa e comércio no Atlântico Norte e no Ártico.

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“Esta será uma eleição decisiva, pois será nos próximos quatro anos que nós, como dinamarqueses e europeus, teremos realmente de nós virar sozinhos”

Ao anunciar que havia pedido ao rei Frederico 10º a antecipação da eleição, Frederiksen também declarou:

“Precisamos definir nossa relação com os EUA e devemos nos rearmar para garantir a paz em nosso continente.”

Como Frederiksen tenta recuperar sua base eleitoral?

Na campanha, a primeira-ministra passou a enfatizar propostas associadas à centro-esquerda, em uma tentativa de reaproximação com sua base social-democrata. A mudança ocorre após a formação, em 2022, de uma coalizão centrista com liberais e moderados, arranjo que rompeu tradições políticas do país e gerou frustração entre parte de seus eleitores.

Entre as medidas anunciadas está a proposta de taxar em 0,5% patrimônios privados superiores a R$ 20 milhões. Segundo a reportagem, a arrecadação extra seria usada para financiar ações como a redução do tamanho das turmas do ensino fundamental, de 26 para 14 crianças. A medida recebeu críticas de líderes empresariais ligados a grupos como Maersk e Lego.

O pacote defendido por Frederiksen também inclui mecanismos para antecipar a aposentadoria. O tema ganhou relevância após a atualização da idade obrigatória para 70 anos, uma das mais altas da Europa. A combinação de medidas sociais e discurso de segurança busca responder a um eleitorado dividido entre preocupações econômicas, bem-estar social e ameaças externas.

Quais temas dominam o debate político dinamarquês?

Além da defesa e da política social, a imigração segue como um dos eixos centrais da campanha. Mesmo ao retomar bandeiras da centro-esquerda, Frederiksen manteve a linha dura com imigrantes, posição que, segundo a reportagem, ela consolidou ao longo dos últimos anos e que foi incorporada de agendas antes associadas a populistas.

Em 19 de março de 2026, em reunião do Conselho Europeu, a premiê apresentou ao lado da italiana Giorgia Meloni uma carta cobrando da União Europeia o fechamento de fronteiras. As duas líderes, apesar de trajetórias políticas distintas, têm atuado em convergência nesse tema.

  • Defesa europeia e relação com os Estados Unidos
  • Taxação de grandes patrimônios
  • Educação básica e redução do tamanho das turmas
  • Aposentadoria e idade mínima elevada
  • Imigração e controle de fronteiras

A reportagem também relaciona esse movimento ao temor europeu de novo fluxo de refugiados após ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã e à renovação da crise humanitária no Oriente Médio. Nesse contexto, a eleição dinamarquesa ocorre sob influência simultânea de pressões externas e disputas internas sobre o futuro da social-democracia no país.

As projeções ainda apontam os social-democratas com a maior bancada no Folketinget, o Parlamento da Dinamarca. Ainda assim, o reposicionamento de Frederiksen, ao mesmo tempo mais social na economia e rígido na imigração, abre debate sobre o formato da próxima coalizão.

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