Meta encerra Horizon Worlds no Meta Quest em junho de 2026; entenda o impacto

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A Meta, empresa de tecnologia de Mark Zuckerberg, anunciou o encerramento do Horizon Worlds, sua plataforma de realidade virtual social, para os headsets Meta Quest. A decisão, que será efetivada em junho de 2026, faz parte de uma reestruturação mais ampla da empresa, que busca otimizar seus negócios. O anúncio foi feito por meio de um e-mail enviado aos usuários da plataforma. De acordo com informações da revista Wired, a partir de 31 de março de 2026, o aplicativo não estará mais disponível na loja Quest. Além disso, benefícios específicos, como Meta Credits, avatares e roupas digitais, também serão removidos. O encerramento total dos mundos de realidade virtual nos óculos está programado para 15 de junho de 2026, após o qual o serviço operará apenas como plataforma para dispositivos móveis.

No Brasil, onde os headsets da linha Meta Quest não são vendidos oficialmente pela fabricante e dependem de importação, o impacto da medida atinge um nicho específico de entusiastas da tecnologia. A mudança global ocorre após a Meta realizar cortes significativos em sua divisão Reality Labs em fevereiro de 2026, demitindo 10% dos funcionários do departamento de realidade virtual.

O Horizon Worlds representou a grande incursão da Meta na construção do metaverso, um ambiente totalmente virtual inspirado no livro de ficção científica “Snow Crash”, de Neal Stephenson. A empresa acreditava tanto no projeto que mudou seu nome corporativo de Facebook para Meta em 2021, em apoio aos esforços no setor.

A plataforma nunca alcançou grande popularidade. Reações ao seu fim, como as observadas em fóruns do Reddit, indicam certo alívio por parte da comunidade de jogadores. Desde o início, o serviço foi amplamente criticado devido a problemas gráficos, como avatares flutuantes sem pernas e aparências consideradas pouco atraentes — o próprio avatar de Mark Zuckerberg chegou a virar alvo de piadas na internet.

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Por que o Horizon Worlds não decolou?

Quase imediatamente após o lançamento, o Horizon Worlds foi povoado principalmente por crianças, um público que não se mostrou a base de usuários mais estável ou lucrativa para a monetização imaginada pela empresa. A Meta investiu bilhões de dólares no serviço, promovendo parcerias de alto nível com marcas e artistas para realizar concertos virtuais, como os das bandas Imagine Dragons e Coldplay. No entanto, o metaverso de Zuckerberg sempre foi menos popular do que o VRChat, um serviço social concorrente que atrai usuários para atividades que vão desde raves virtuais até simulações de eleições presidenciais.

Com a Meta focando agora fortemente em inteligência artificial e em seus óculos inteligentes em parceria com a Ray-Ban, a gigante da tecnologia reduziu drasticamente os investimentos nas divisões de metaverso, incluindo a suspensão de atualizações de serviços populares como o aplicativo de exercícios Supernatural Fitness.

Qual a análise de especialistas sobre o fim do serviço?

“A mudança da Meta em relação ao Horizon Worlds é o resultado previsto e inevitável de uma aposta grande e arriscada que nunca encontrou um público”, escreveu Mike Proulx, vice-presidente e diretor de pesquisa da consultoria Forrester, em um e-mail à Wired. “A Meta estava tentando resolver um problema do consumidor que não existe. Você não pode construir uma plataforma social de massa dependente de hardware que a maioria das pessoas não possui nem quer usar por mais do que breves momentos.”

Ao ser questionada pela imprensa internacional, a Meta apontou para um comunicado afirmando que ainda planeja investir nos esforços de realidade virtual.

“Temos um roteiro robusto de futuros headsets de realidade virtual que serão adaptados a diferentes segmentos de público à medida que o mercado cresce e amadurece”, diz a nota. “A Meta continua sendo o maior investidor individual na indústria de realidade virtual. Por quê? Porque acreditamos na realidade virtual como uma tecnologia crítica no caminho para a próxima plataforma de computação.”

O que esperar do futuro da Meta e da realidade virtual?

O encerramento do Horizon Worlds pode ser visto como um ato de clemência para um serviço em extremas dificuldades. “Isso era inevitável”, avalia Anshel Sag, analista principal da Moor Insights & Strategy. “Parecia que eles estavam tentando prolongar a vida útil do serviço lançando-o para dispositivos móveis, mas, realisticamente, ele já estava morto há algum tempo. Acho que deveriam ter desistido antes.”

O mercado de realidade estendida, no entanto, segue em movimento. Há a expectativa pelo headset Steam Frame, que a Valve planeja lançar ainda este ano; o Samsung Galaxy XR, lançado em dezembro com a nova plataforma Android XR; e a fabricante Pico, de propriedade da ByteDance (mesma dona do TikTok), que deve lançar o Project Swan ainda em 2026. O Apple Vision Pro também segue no mercado, tendo recebido uma atualização de processador no segundo semestre do ano passado.

Para a Meta, o maior problema do Horizon Worlds pode ter sido sua dependência do mercado publicitário. “Os anunciantes seguem seus públicos-alvo”, conclui Proulx. “E esses públicos nunca estiveram dentro do Horizon Worlds.”

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