O mercado fonográfico brasileiro faturou R$ 3,958 bilhões em 2025, alta de 14,1% em relação ao ano anterior, e o Brasil alcançou a oitava posição entre os maiores mercados de música gravada do mundo, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 24 de março de 2026, no Rio de Janeiro. O avanço foi atribuído principalmente ao crescimento das receitas digitais, com destaque para o streaming, além da expansão das vendas físicas puxadas pelo vinil.
De acordo com informações da Agência Brasil, os números foram apresentados pela Pró-Música Brasil em seu relatório anual. A entidade representa gravadoras e produtoras fonográficas em operação no país e informou que o desempenho consolidou a trajetória recente de crescimento do setor, que já vinha subindo no ranking global da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), entidade internacional que reúne associações da indústria da música gravada: o país estava em nono lugar em 2024 e em décimo no ano anterior.
Segundo a Pró-Música Brasil, este foi o 16º ano consecutivo de expansão do mercado fonográfico nacional. Para a entidade, o resultado reflete a recuperação iniciada após a crise vivida no começo da década de 2010 e o fortalecimento do modelo digital, especialmente com a disseminação do streaming.
O que explica o crescimento do mercado fonográfico brasileiro?
As plataformas de distribuição de música lideraram o avanço do segmento digital. Em 2025, a arrecadação digital chegou a R$ 3,4 bilhões, o que representa elevação de 13,2% na comparação com 2024. De acordo com Paulo Rosa, presidente da Pró-Música Brasil, o streaming mantém participação de 83% das receitas no país nos últimos cinco ou seis anos, em linha com tendências observadas especialmente na América Latina.
“O streaming tem mantido uma participação aqui no Brasil, nos últimos cinco ou seis anos, de 83% das receitas. É uma participação bem alta e segue as tendências mundiais, principalmente, na América Latina”, apontou Rosa.
Paulo Rosa afirmou ainda que o crescimento recorrente do setor tem relevância para uma indústria que investe em produção, marketing e promoção de artistas já consolidados e também de novos nomes, o que, segundo ele, envolve mais risco. Na avaliação do executivo, o ambiente de streaming no Brasil tem se mostrado saudável para o mercado como um todo e permite ampliar investimentos em gravações e na busca por artistas.
Qual foi o papel do vinil e das vendas físicas em 2025?
Embora representem menos de 1% da receita total do setor, as vendas físicas cresceram 25,6% em 2025, impulsionadas pelas aquisições de vinil. Para Paulo Rosa, o formato ainda ocupa espaço na estratégia de produção e marketing da indústria fonográfica, especialmente em determinados projetos de carreira.
“Há alguns anos se comentava que o vinil tinha acabado, mas, ao contrário, começou uma onda de procura de consumidores e começaram a surgir lançamentos e novas edições dos discos”, avaliou.
Ao comentar o desempenho do formato, o presidente da Pró-Música Brasil disse que declarar o fim definitivo de uma tecnologia pode ser precipitado. Ele também relacionou o interesse renovado pelo vinil à curiosidade e à nostalgia dos consumidores.
- Faturamento total em 2025: R$ 3,958 bilhões
- Crescimento do mercado: 14,1%
- Receitas digitais: R$ 3,4 bilhões
- Alta das receitas digitais: 13,2%
- Crescimento das vendas físicas: 25,6%
- Posição do Brasil no ranking global: oitava
O relatório também destacou a arrecadação de direitos conexos de execução pública para produtores, artistas e músicos. Para a entidade, o desempenho geral do setor está ligado à criatividade de artistas e compositores e ao papel das gravadoras no desenvolvimento do ecossistema musical.
Quais desafios o setor aponta para os próximos anos?
Entre os principais pontos de atenção citados por Paulo Rosa estão a inteligência artificial e as fraudes no streaming. Segundo ele, há risco no uso não autorizado de gravações de produtores e artistas para treinamento de sistemas de inteligência artificial. Na avaliação do dirigente, essa tecnologia já começa a transformar a economia criativa, incluindo a música, e por isso ele defende a aprovação, pelo Congresso Nacional, de projetos que conciliem inovação tecnológica e respeito aos direitos sobre criações artísticas.
“Essa é a situação que a gente vive hoje, tanto no mundo quanto aqui no Brasil”, alerta.
No caso das fraudes, a preocupação está concentrada em reproduções artificiais geradas por robôs em redes e plataformas, o que, segundo a Pró-Música Brasil, pode distorcer a remuneração de artistas, compositores e produtores. A entidade informou que encaminha aos ministérios públicos os casos detectados. Como resultado dessas ações, mais de 130 sites de impulsionamento artificial de streaming foram encerrados ou deixaram de oferecer serviços musicais nos últimos anos, sendo 60 apenas em 2025.
Antes chamada de Associação Brasileira dos Produtores de Discos, a entidade passou a se chamar Pró-Música Brasil em 2016. Criada em abril de 1958, ela informa que reúne dados e estatísticas de seus principais associados para acompanhar a evolução do mercado fonográfico brasileiro e divulgar esse panorama ao público e à imprensa.



