O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), afirmou, em declaração publicada nesta segunda-feira (23), que uma suposta abertura de conta bancária em seu nome teria sido articulada por pessoas com acesso à gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Segundo ele, o alerta sobre a movimentação teria vindo de um contato em Sant’Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul, e o objetivo seria associá-lo a depósitos que poderiam ser interpretados como propina de empresas do setor de transporte coletivo. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a declaração foi dada ao relatar o caso, que teria sido registrado na Polícia Civil.
O episódio ocorre no comando da maior prefeitura do país, com orçamento e influência política que costumam repercutir além da capital paulista. Embates entre prefeito e vice em São Paulo também têm peso no cenário nacional por envolverem partidos de expressão como MDB e PL.
Mello Araújo disse que os responsáveis seriam dois integrantes de um partido político com acesso ou até presença no primeiro escalão da prefeitura, mas afirmou que não divulga os nomes por ainda não ter provas. Ao jornal, ele declarou:
“É peixe grande, é gente alta, entendeu? Eu sei quem é”
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A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, informou que o próprio vice-prefeito registrou boletim de ocorrência e que a apuração cabe à Polícia Civil. A administração municipal também declarou que não há relação entre a denúncia e qualquer atividade da gestão Nunes.
O que Mello Araújo disse sobre a suposta conta falsa?
De acordo com o relato do vice-prefeito, a informação sobre a suposta conta aberta em seu nome chegou por meio de uma conexão em Sant’Ana do Livramento, cidade gaúcha na fronteira com o Uruguai. Ele afirma que haveria um plano para realizar depósitos nessa conta e, com isso, criar uma ligação artificial entre seu nome e eventuais vantagens indevidas relacionadas a empresas de transporte coletivo.
O vice-prefeito também associou a situação a descontentamentos provocados por decisões tomadas por ele durante a gestão. Entre os episódios citados estão exonerações feitas quando assumiu interinamente a prefeitura e o bloqueio da liberação de uma emenda para um simpósio de vôlei no valor de R$ 200 mil, quantia que considerou alta.
Como a Prefeitura de São Paulo reagiu à denúncia?
Em nota, a prefeitura afirmou que o caso é de competência policial e negou qualquer vínculo entre a acusação e a administração municipal. Nos bastidores, segundo a reportagem, o episódio foi tratado como mais uma crise envolvendo atitudes e declarações do vice-prefeito. Integrantes próximos de Ricardo Nunes consideraram o caso grave, mas disseram que o prefeito teria pouca margem de ação enquanto Mello Araújo não apontar quem seriam os supostos envolvidos.
A mesma reportagem informa que interlocutores da administração negam existir um movimento para isolar o vice. Uma das medidas mencionadas para aproximá-lo do centro das decisões foi sua escalação para coordenar discussões sobre o novo contrato da operação delegada com a Polícia Militar.
Há desgaste entre Mello Araújo e Ricardo Nunes?
Mello Araújo negou que haja rompimento com Ricardo Nunes e afirmou manter acesso direto ao prefeito. Ao comentar a relação entre os dois, disse que as versões sobre desgaste seriam motivadas por insatisfação de pessoas atingidas por suas ações na administração. Ele declarou:
“Todas as vezes que eu levei ao conhecimento dele, ele tomou providência.”
Na entrevista, o vice também rebateu a interpretação de que sua atuação política ou uma eventual candidatura futura ao Senado esteja ligada a um abalo na relação com o prefeito. Segundo ele, as especulações partem de figuras contrariadas por medidas de fiscalização e mudanças internas.
Entre os casos lembrados por Mello Araújo como fonte de atrito com grupos políticos e administrativos estão:
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a exoneração de três funcionários da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania durante período em que ocupou interinamente a prefeitura;
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o bloqueio de uma emenda para simpósio de vôlei no valor de R$ 200 mil;
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denúncias sobre eventuais irregularidades em banheiros químicos de feiras-livres;
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suspeitas de funcionários fantasmas em um Centro de Atenção Psicossocial na região da cracolândia.
Um dos exonerados citados na reportagem foi Carlos Eduardo Batista Fernandes, então secretário-executivo de Segurança Alimentar, ligado à cota do Solidariedade. O presidente nacional do partido, o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), criticou a menção ao episódio. Já o vereador Sansão Pereira, autor da emenda barrada, afirmou manter relação cordial com o vice e disse que o evento ocorreu sem irregularidades.
O caso relatado por Mello Araújo segue sem nomes divulgados publicamente e depende de investigação para esclarecimento. Até o momento, a prefeitura sustenta que não há elo entre a denúncia e a gestão municipal, enquanto o vice afirma ser alvo de articulações de grupos insatisfeitos com sua atuação administrativa.



