Melissa Auf der Maur, ex-baixista do Hole, relembrou episódios centrais de sua trajetória na banda em entrevista publicada em 28 de março de 2025, ao responder perguntas sobre sua carreira e defender a relevância atual do grupo. A conversa, divulgada pela revista musical NME, reúne memórias sobre sua estreia no Reading Festival de 1994, a convivência com Courtney Love, a influência do Hole em artistas mais recentes e o impacto de experiências traumáticas e caóticas vividas na cena do rock dos anos 1990.
De acordo com informações da NME, a entrevista integra a série “Does Rock ‘N’ Roll Kill Braincells?!”, em que artistas são questionados sobre fatos da própria carreira. Ao longo da publicação, Auf der Maur fala sobre sua entrada no Hole semanas após a morte da então baixista Kristen Pfaff, comenta apresentações marcantes e trata da herança musical e simbólica da banda. Para o público brasileiro, o tema dialoga com a influência duradoura do rock alternativo dos anos 1990, que ajudou a moldar referências de bandas, festivais e ouvintes também no país.
Como Melissa Auf der Maur descreve sua entrada no Hole?
Ao recordar sua chegada ao grupo em 1994, Melissa Auf der Maur afirmou que o processo foi intenso e acelerado. Sua estreia com o Hole ocorreu no Reading Festival daquele ano, em um contexto de forte comoção em torno da banda. Na entrevista, ela descreve aquele momento como uma mudança radical em sua vida e associa a experiência a um mergulho no desconhecido do universo do rock.
“O Hole foi minha graduação em humanidades, e o Smashing Pumpkins foi meu mestrado em música. Eu não poderia ter tido formação melhor do que essas duas bandas em sequência, na casa dos 20 anos.”
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Na mesma resposta, a musicista disse que inicialmente recusou a sugestão de Billy Corgan para integrar o Hole, por considerar insuportáveis o luto, as drogas, a fama e a dor ao redor da banda. Depois, porém, afirmou ter entendido que havia uma força maior em jogo e que sua participação também tinha relação com a história das mulheres na música.
Qual influência do Hole ela enxerga na música atual?
Melissa Auf der Maur disse perceber conexões diretas entre o Hole e artistas contemporâneas. Um dos exemplos citados por ela foi Olivia Rodrigo. Segundo a baixista, durante um encontro nos bastidores de um show, a cantora afirmou à filha dela que, sem sua mãe, aquilo não teria acontecido. Para Auf der Maur, o episódio reforçou a percepção de que a influência do grupo permanece presente.
Ela também mencionou traços dos anos 1990 no repertório e na produção de Olivia Rodrigo, além de uma referência visual entre a capa do álbum “Sour” e “Live Through This”, disco clássico do Hole. Para Melissa, esse reconhecimento foi um dos momentos de maior orgulho de sua vida. No Brasil, artistas da mesma geração do pop e do rock alternativo também costumam ser lidos à luz dessa herança estética dos anos 1990, o que ajuda a explicar o interesse contínuo por bandas como o Hole.
O que a entrevista revela sobre Courtney Love e novos projetos?
A entrevista também aborda a relação de Melissa com Courtney Love. Ao comentar memórias que incluiu em seu novo livro de memórias, “Even The Good Girls Will Cry: My 90s Rock Memoir”, ela alterna relatos de absurdos vividos no meio musical com observações sobre a amizade entre as duas. Segundo a artista, as duas vivem hoje uma fase de apoio mútuo incondicional.
“Courtney e eu estamos em um momento muito bom juntas. Temos apoio incondicional uma à outra. Fiquei muito orgulhosa de cantar no novo disco dela. Fui a Londres no ano passado e cantei em todas as faixas.”
Auf der Maur acrescentou que o próximo disco de Courtney Love seria, em suas palavras, uma continuação de “Celebrity Skin” em vários aspectos. Como a entrevista da NME não traz detalhes adicionais sobre lançamento, título ou data, essas informações não são especificadas no texto original.
Quais episódios dos anos 1990 ela destacou na conversa?
Entre os momentos relembrados, a artista citou a participação do Hole no “Saturday Night Live” em 1994, quando, segundo a entrevista, o episódio foi apresentado por George Foreman. Ela contou ainda que, antes do programa, ela e Courtney Love participaram de um encontro com Adam Sandler e Chris Farley, sem dimensionar, à época, a notoriedade dos dois comediantes.
Outro ponto abordado foi a recusa do Hole em participar do episódio “Homerpalooza”, de “The Simpsons”. De acordo com a NME, a gestão da banda considerou que o roteiro fazia uma caricatura de Courtney Love, e o convite acabou sendo recusado. Melissa também lembrou a turnê do Lollapalooza de 1995, descrita por ela como um período de grande individualidade artística, embora marcado por episódios de hostilidade contra a banda no palco.
- Estreia no Reading Festival de 1994
- Participação no “Saturday Night Live” em 1994
- Recusa ao episódio “Homerpalooza”, de “The Simpsons”
- Memórias da turnê Lollapalooza de 1995
Na entrevista, Melissa Auf der Maur também relaciona essas experiências a um processo de desilusão com a indústria da música e a uma decisão posterior de falar sobre o que testemunhou como mulher naquela geração. O material da NME apresenta esse resgate como parte da divulgação de seu livro e como um balanço da permanência cultural e política da trajetória do Hole.


