O melasma, uma forma comum de hiperpigmentação da pele que provoca manchas escuras especialmente no rosto, tem sido associado não só à exposição solar, às alterações hormonais e à predisposição genética, mas também a processos como inflamação, alterações metabólicas e estresse oxidativo. Segundo o texto publicado neste sábado, 11 de abril de 2026, a investigação científica sobre o tema passou a considerar de que modo a alimentação pode interferir nesses mecanismos biológicos e contribuir para a prevenção e o tratamento do quadro. De acordo com informações do Poder360, essa relação ainda está em estudo, mas já reúne evidências em diferentes frentes da literatura científica.
Mais frequente em mulheres adultas, sobretudo em fases de variação hormonal, o melasma aparece com maior incidência em populações com maior pigmentação cutânea e em regiões de alta exposição solar, como o Brasil. O problema pode afetar a autoestima, a interação social e o bem-estar emocional, além de persistir em muitos casos mesmo com tratamentos dermatológicos e uso contínuo de protetor solar.
Quais fatores estão relacionados ao surgimento do melasma?
Por décadas, a explicação predominante para o melasma se concentrou em três fatores principais: radiação solar, hormônios e herança genética. Esses elementos seguem centrais para a compreensão do quadro. Revisões científicas citadas no texto também apontam relação, direta ou indireta, com estresse e depressão.
Ao mesmo tempo, revisões recentes sobre a fisiopatologia do melasma indicam que esses fatores, isoladamente, não explicam todos os casos observados na prática clínica. Pesquisadores passaram a examinar o papel da inflamação, das alterações metabólicas e do estresse oxidativo, processos que podem influenciar a atividade dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina.
Estudos recentes também indicam que a ativação de mastócitos, células de defesa da pele, e o aumento de substâncias inflamatórias, como a histamina, podem agravar a inflamação local e favorecer o desenvolvimento do melasma.
O que acontece na pele de quem tem melasma?
As pesquisas mais recentes mostram que o melasma não envolve apenas hiperatividade dos melanócitos. O processo inclui ainda a forma como a melanina é transferida e distribuída entre as células da pele. Nesse contexto, entram em ação genes, enzimas e mecanismos de comunicação celular que ajudam a explicar a hiperpigmentação.
Além dos melanócitos, outras estruturas e células participam desse quadro, como queratinócitos, fibroblastos e mastócitos. Quando ativadas por fatores como radiação ultravioleta, alterações hormonais ou poluentes, essas células liberam moléculas inflamatórias que podem estimular a pigmentação.
O texto também destaca outros fatores observados em pacientes com melasma:
- estresse oxidativo com excesso de radicais livres;
- alterações nos sistemas naturais de defesa antioxidante da pele;
- mudanças na matriz extracelular, que sustenta os tecidos;
- comprometimento da barreira cutânea;
- impacto potencial de partículas da poluição ambiental.
Segundo a reportagem, esses desequilíbrios podem favorecer tanto o surgimento quanto a persistência das manchas, ampliando a visão sobre a doença para além da exposição solar e dos hormônios.
De que forma a dieta pode influenciar esse processo?
Com essa compreensão mais ampla, pesquisadores passaram a avaliar se a alimentação pode modular processos ligados à formação do melasma. A relação entre nutrição e saúde da pele ainda está em investigação, mas algumas linhas de estudo vêm ganhando relevância, especialmente as que envolvem substâncias antioxidantes presentes nos alimentos.
O texto menciona o livro Nutrição Funcional na Estética, no capítulo “Melasma: conexão entre pele e a teia do metabolismo e da nutrição funcional”, em que a nutricionista e esteticista Sheila Mustafá e a bioquímica Mika Yamaguchi reúnem estudos sobre compostos bioativos da dieta e seus efeitos em mecanismos relacionados às manchas.
Entre os compostos mais investigados estão os polifenóis, moléculas antioxidantes presentes em alimentos de origem vegetal. As catequinas do chá verde vêm sendo estudadas por seu potencial anti-inflamatório e pela capacidade de proteger a pele contra danos induzidos pela radiação ultravioleta.
A romã também é citada como alvo de interesse científico. Rica em elagitaninos e ácido elágico, a fruta apresentou, em estudos experimentais, ação anti-inflamatória e aumento da proteção cutânea contra efeitos da radiação ultravioleta. O texto informa que essas moléculas também estão presentes em frutas como jabuticaba, camu-camu, morango e framboesa.
Quais nutrientes e padrões alimentares estão em análise?
Outro grupo de compostos citado é o dos carotenoides, pigmentos naturais encontrados em alimentos como tomate, cenoura e vegetais verde-escuros. Licopeno, luteína e zeaxantina têm sido associados à proteção das células cutâneas contra danos provocados pelo estresse oxidativo.
O texto também afirma que a absorção e o metabolismo de parte dessas moléculas dependem, em parte, da microbiota intestinal, responsável por transformá-las em formas bioativas. Isso amplia o interesse dos estudos para a relação entre intestino, metabolismo e saúde da pele.
Além dos compostos antioxidantes, alterações metabólicas vêm sendo investigadas, entre elas a inflamação sistêmica de baixo grau, frequentemente associada à resistência à insulina. De acordo com a reportagem, esse desequilíbrio pode ser intensificado por padrões alimentares ricos em açúcares, farinhas refinadas e alimentos ultraprocessados.
Embora o texto original indique que a ciência ainda está apurando a extensão desse vínculo, o conjunto de estudos descrito sugere que a dieta pode integrar a discussão sobre o melasma ao lado de fatores já conhecidos, como sol, hormônios e genética. A abordagem, segundo a publicação, não substitui cuidados dermatológicos, mas acrescenta uma nova frente de investigação sobre prevenção e manejo das manchas.