Medo de estupro: percentual de mulheres brasileiras atinge 82% em 2025 - Brasileira.News

    Medo de estupro: percentual de mulheres brasileiras atinge 82% em 2025

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    Cresce percentual de mulheres que relatam medo de ser estupradas

    O medo de violência sexual atinge patamares alarmantes no Brasil. Uma pesquisa recente revelou que 82% das mulheres declararam ter “muito medo” de serem vítimas de estupro em 2025, um aumento em relação aos 78% registrados em 2020. Os dados foram obtidos pelo Instituto Patricia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, e antecipados com exclusividade pela Agência Brasil.

    Além do alto percentual de mulheres com “muito medo”, 15% afirmaram ter “um pouco de medo”, elevando para 97% o total de mulheres que vivem com algum grau de temor da violência sexual no país. A pesquisa também aponta que o medo é ainda maior entre jovens de 16 a 24 anos (87%) e mulheres negras (88%).

    Marisa Sanematsu, diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão, destaca que o medo é constante e nenhum espaço é considerado seguro pelas mulheres. Essa insegurança constante leva as mulheres a adotarem estratégias de proteção, como evitar sair à noite, usar determinados tipos de roupas e acessórios, procurar estar sempre acompanhadas e escolher trajetos mais longos.

    Quais dados revelam a violência dentro de casa?

    A segunda onda de dados da pesquisa de 2025, divulgada pelos institutos, revela que 15% das entrevistadas são sobreviventes de estupro. Um dado ainda mais alarmante é que oito em cada dez vítimas sofreram a violência com 13 anos ou menos. Entre as vítimas com até 13 anos, 72% foram violentadas dentro da própria casa. Em metade dos casos, o abusador era um familiar e, em um terço dos relatos, era um amigo ou conhecido da família. No total, 84% dos estupros foram cometidos por um homem do círculo social da vítima.

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    Essa porcentagem diminui no caso das mulheres violentadas com 14 anos ou mais, porém os conhecidos ou membros da família se mantêm como a maioria: 76% dos abusadores eram pessoas conhecidas, incluindo amigos, parceiros íntimos, familiares e ex-companheiros. Além disso, 59% sofreram a violência dentro de casa.

    Como foi realizada a pesquisa sobre o medo de estupro?

    A pesquisa “Percepções sobre direitos de meninas e mulheres grávidas pós-estupro” ouviu 1,2 mil pessoas, entre homens e mulheres, de todas as regiões do país. Além de questionar as mulheres sobre suas próprias experiências com a violência sexual, as entrevistas também buscaram entender a percepção geral dos entrevistados sobre o tema.

    Os resultados mostram que 99% dos entrevistados concordam que as mulheres têm medo de estupro. No entanto, 80% acreditam que as vítimas raramente revelam a violência sofrida, principalmente por medo de ameaças do agressor, de não serem ouvidas ou por sentirem vergonha.

    Qual o impacto do silêncio e da falta de apoio?

    Os resultados gerais da pesquisa se assemelham ao que foi dito pelas entrevistadas que relataram ter sido vítimas. Cerca de 60% das mulheres que foram vítimas antes dos 14 anos não contaram para ninguém sobre o abuso. Além disso, apenas 15% foram levadas a uma delegacia, e 9% a uma unidade de saúde.

    O apoio a políticas de apoio às vítimas recebeu ampla aprovação: 93% concordam que o Estado deve fornecer acompanhamento psicológico imediato para meninas e mulheres vítimas de estupro, e a mesma porcentagem acredita que as prefeituras e governos devem aumentar a divulgação de serviços de saúde que atendem vítimas.

    O que dizem os depoimentos das vítimas?

    A pesquisa também coletou depoimentos de mulheres que sofreram violência sexual. Uma mulher parda, moradora do Sudeste, com idade entre 25 e 44 anos, relatou:

    “Comecei a ser abusada criança, com seis anos, sem nem entender o que acontecia, e o abusador me fazia acreditar que eu era culpada e que, se eu contasse para alguém, ninguém acreditaria em mim. Meu abusador era o meu pai.”

    Outra vítima, uma mulher preta, moradora da região Sudeste, com 45 anos ou mais, relatou que tentou pedir socorro, mas não foi acolhida:

    “Eu tinha apenas 11 anos, foi horrível, não entendia direito o que estava acontecendo. Tentei falar com a minha mãe, mas ela não acreditava em mim, dizia que eu queria acabar com o casamento dela. Ainda bem que minha avó percebeu algo estranho e me trouxe de volta pra casa dela.”

    Qual a lei de apoio às vítimas de violência sexual?

    A diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão explica que o atendimento imediato e integral às vítimas de violência sexual em todos os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), sem exigência de boletim de ocorrência, é garantido por lei no Brasil desde 2013.

    “É fundamental que o Estado, em todos os níveis de governo, invista na divulgação de informações sobre os direitos das vítimas, na capacitação dos profissionais de saúde e segurança pública e na criação de serviços de apoio especializados”, afirma Sanematsu.

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