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Matrículas de alunos com autismo no Pará crescem 231% em seis anos na rede estadual

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O governo do Estado do Pará registrou um crescimento de 231% no número de matrículas de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede estadual de ensino ao longo dos últimos seis anos. Segundo o balanço divulgado em 2 de abril de 2026, data em que se celebra o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a alta é reflexo direto da implementação da Política Estadual dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, instituída em 2020. O avanço local reflete a tendência nacional de inclusão escolar impulsionada pela Lei Berenice Piana (Lei 12.764/2012), que garante o direito de pessoas com autismo de estudarem em escolas regulares no Brasil. As políticas de diagnóstico precoce e a facilitação do acesso ao laudo médico permitiram que o total de estudantes saltasse de 1.611, no início da década, para 5.345 em 2025.

De acordo com informações da Agência Pará, o fortalecimento da rede de apoio contou com a capacitação de mais de 7,5 mil profissionais da educação entre 2020 e março de 2026. A Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc) informou que esse esforço de qualificação abrangeu professores e corpo acadêmico, visando oferecer um atendimento especializado que respeite as potencialidades de cada indivíduo. A titular da Coordenadoria de Educação Especial (Coees), Denise Corrêa, enfatiza que a missão principal é garantir que esses alunos sejam acolhidos e tenham acesso efetivo ao aprendizado.

Atualmente, a rede estadual paraense atende mais de 15 mil estudantes com algum tipo de deficiência ou transtorno. O crescimento específico do público com TEA demonstra uma maior eficácia na identificação e na inclusão desses jovens no ambiente escolar. Esse cenário acompanha a curva do Censo Escolar nacional, divulgado anualmente pelo Inep, que registra aumentos sucessivos nas matrículas da educação especial em todo o país. Os dados apontam para uma transformação estrutural na forma como o estado lida com a neurodivergência nas salas de aula, priorizando a permanência do aluno e a adaptação pedagógica necessária para o seu desenvolvimento.

Qual o impacto das políticas de diagnóstico na rede estadual?

O incremento no quantitativo de estudantes é atribuído principalmente à promoção de políticas que facilitam o acesso ao diagnóstico. Com a garantia de matrícula e o acompanhamento especializado, famílias que anteriormente encontravam barreiras agora conseguem inserir seus filhos no sistema público de educação de forma assistida. Denise Corrêa ressalta as diretrizes do trabalho realizado no estado:

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A nossa principal missão é promover a inclusão, garantindo que esses alunos sejam acolhidos, respeitados e, sobretudo, tenham acesso ao processo de ensino-aprendizagem de acordo com suas especificidades e potencialidades.

Para sustentar esse crescimento, o governo tem investido nos Centros de Atendimento Educacional Especializado (Caees), que funcionam como braços estratégicos da Seduc. Essas instituições são responsáveis por oferecer ações pedagógicas e de inclusão social, atuando de forma complementar ao ensino regular para garantir que o estudante tenha suporte em diversas áreas do desenvolvimento humano.

Como funcionam os Centros de Atendimento Educacional Especializado?

No Caee de Belém, por exemplo, a diretora Eliana Celino explica que são oferecidos serviços que vão além da sala de aula comum. O centro atende hoje 290 crianças, sendo 150 diagnosticadas com autismo. O trabalho envolve uma avaliação minuciosa para compreender as necessidades individuais e oferecer atividades que auxiliem na autonomia dos estudantes, como a modulação sensorial e a psicomotricidade.

Além da avaliação especializada realizada com cada aluno, para entender as necessidades deles, oferecemos diversas atividades de psicomotricidade ou pedagógicas que buscam garantir melhor modulação sensorial, mais autonomia e a alfabetização de cada um.

Além do suporte direto aos alunos, os centros mantêm o núcleo de aliança familiar. Esse espaço permite que os responsáveis participem de oficinas e recebam orientações enquanto aguardam os atendimentos dos filhos, criando uma rede de suporte emocional e prático para as famílias que lidam com os desafios diários do transtorno.

Quais são os benefícios práticos para as famílias e estudantes?

O impacto das atividades é visível no cotidiano das famílias atendidas pela rede. Lucélia Santos, mãe de dois jovens que frequentam o Caee, relata progressos significativos na postura e na comunicação do filho Wanderson, de 14 anos. O adolescente desenvolveu habilidades que chegaram a inspirar o design das estampas das camisas utilizadas pelos profissionais da própria instituição.

Vejo muitas transformações, especialmente, na vida do Wanderson, que é autista, a partir das atividades do Centro, como a melhor postura, mais autonomia e o desenvolvimento de habilidades. Ele é muito estimulado e incentivado pelos professores.

O desenvolvimento de habilidades artísticas e sociais é um dos pilares do atendimento especializado. Wanderson Candeira, autor de um desenho de girassol que simboliza as deficiências ocultas, destaca a relevância do suporte recebido para sua evolução pessoal: “É muito importante o trabalho do Centro para o desenvolvimento de alunos que têm dificuldades em certas partes, como a comunicação e a postura”.

A trajetória de crescimento das matrículas e a expansão dos serviços de apoio no Pará podem ser resumidas pelos seguintes pontos principais:

  • Crescimento de 231% nas matrículas de alunos com TEA em seis anos;
  • Capacitação de 7,5 mil profissionais da educação desde o ano de 2020;
  • Atendimento total de mais de 15 mil alunos com deficiência na rede estadual;
  • Implementação rigorosa da Política Estadual dos Direitos da Pessoa com TEA;
  • Atuação estratégica dos Centros de Atendimento Educacional Especializado (Caees).

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