A fabricante de veículos Mascarello está avançando na produção de seu novo modelo de ônibus elétrico, denominado Horizon, com quase 500 unidades encomendadas prioritariamente para o sistema de transporte público de São Paulo, gerenciado pela SPTrans. Acompanhando a meta de eletrificação da frota da capital paulista — que visa reduzir as emissões de poluentes na maior metrópole do país —, a empresa sediada em Cascavel, no Oeste do Paraná, prepara-se para apresentar novas tecnologias de tração ainda neste semestre, consolidando sua posição no mercado nacional de veículos sustentáveis.
De acordo com informações do Diário do Transporte, o volume de encomendas saltou das 390 unidades iniciais, registradas durante o lançamento oficial do veículo em 26 de fevereiro deste ano, para o patamar atual que se aproxima de 500 unidades. O representante da Barão Bus, Miguel Rizzo, confirmou a forte demanda por parte das operadoras paulistanas em busca de atualização tecnológica sustentável.
Como a Mascarello pretende expandir sua fatia de mercado em São Paulo?
O foco comercial da fabricante concentra-se nos operadores do subsistema local (antigas lotações), companhias que tiveram origem nas antigas cooperativas de transporte da cidade. Estas operadoras buscam alternativas viáveis para renovar suas frotas com veículos elétricos que variam de midibus de dez metros até modelos básicos de 12 metros. Neste segmento, a encarroçadora paranaense atua fortemente para preencher uma lacuna estratégica de mercado e baratear a transição.
A estratégia também se beneficia do fato de que esses operadores independentes não possuem vínculos empresariais com a líder do setor, a marca paulista Caio, que pertence ao Grupo Ruas — conglomerado com forte presença na operação direta de ônibus na capital. Historicamente, essas empresas de transporte local já adquiriam modelos a diesel da Mascarello e agora mantêm a parceria industrial na transição fundamental para a eletromobilidade urbana brasileira.
Quais são as novas tecnologias esperadas para a frota paulistana?
A primeira versão do modelo Horizon apresentada ao público foi desenvolvida com chassi e tecnologia completa de tração da fabricante chinesa BYD, que hoje possui fábrica de chassis em Campinas (SP). No entanto, o portfólio elétrico da marca nacional será expandido rapidamente para atender às múltiplas exigências, limitações topográficas e perfis de diferentes vias e garagens da cidade.
Representantes da indústria automotiva confirmaram que veículos equipados com sistemas de tração da empresa brasileira Eletra — sediada em São Bernardo do Campo (SP) —, montados sob medida sobre plataformas de engenharia da Mercedes-Benz, já se encontram em fase final de testes e calibração. Esta combinação é atualmente a mais utilizada na capital paulista e apresenta alto índice de aceitação entre os empresários do setor, com lançamentos oficiais previstos para ocorrerem ao longo dos próximos meses.
Por que a infraestrutura ainda é um obstáculo para os ônibus elétricos?
Apesar do sucesso produtivo e nas vendas de veículos pesados de emissão zero, a infraestrutura para o carregamento das baterias permanece como o principal desafio logístico urbano. A cidade de São Paulo não conseguiu cumprir sua meta oficial inicial de alcançar 2,6 mil coletivos elétricos em operação até o final de dezembro de 2024, fato agravado pela falta de suporte estrutural energético nas bases operacionais e garagens.
Atualmente, a frota municipal conta com cerca de 1,3 mil unidades limpas, número que já engloba os tradicionais veículos do tipo trólebus (conectados à rede aérea) em circulação comercial. Para mitigar o problema e permitir a entrada efetiva de novos ônibus movidos a bateria, como os produzidos pela Mascarello, a concessionária de energia Enel precisou iniciar a repotencialização das redes elétricas e a ampliação das ligações de alta tensão diretamente conectadas nas garagens das concessionárias de transporte.
Qual é a atual posição da Mascarello no mercado nacional?
Impulsionada pelo avanço prático da pauta ambiental e pela renovação gradativa e obrigatória das frotas de concessões públicas, a encarroçadora registrou um crescimento expressivo de aproximadamente 20% no último ano consolidado. Os resultados comerciais positivos da empresa mantêm-se em viés de franca expansão logo no início deste calendário econômico de 2026.
Com a forte procura nacional pelo modelo Horizon e a diversificação inteligente de fornecedores de chassis, a fabricante trabalha ostensivamente para se consolidar em definitivo como a terceira maior marca produtora de carrocerias de ônibus do Brasil. Neste cenário extremamente disputado, a companhia fica posicionada atrás apenas das gigantes históricas do setor, a gaúcha Marcopolo e a paulista Caio, evidenciando a força contínua da indústria automotiva do estado do Paraná.
