
Nesta quarta-feira (1º de abril de 2026), a ministra Marina Silva se despediu oficialmente do comando do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) durante uma cerimônia em Brasília. A saída atende ao prazo de desincompatibilização exigido pela Justiça Eleitoral para os ministros que pretendem disputar as eleições gerais de outubro. Em um discurso que durou mais de 50 minutos, ela apresentou o balanço de sua gestão de 39 meses, iniciada em 1º de janeiro de 2023, marcando o encerramento de sua terceira passagem pela pasta sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com informações da Agência Brasil, a transição de cargo oficializa a entrada do biólogo João Paulo Ribeiro Capobianco, que já atuava como secretário-executivo da pasta, como o novo titular do ministério. A nomeação foi confirmada por meio de um decreto presidencial publicado em edição extra do Diário Oficial da União.
Quais foram os principais resultados alcançados no combate ao desmatamento?
Durante o evento de transição, a agora ex-ministra enfatizou a retomada do protagonismo internacional do país nas questões climáticas e detalhou estatísticas referentes à proteção de biomas críticos. O foco principal recaiu sobre a preservação da Floresta Amazônica e do Cerrado, áreas que historicamente sofrem forte pressão do desmatamento ilegal e do garimpo.
Apresentando os resultados diretos de sua administração, Marina Silva revelou que o desmatamento na Amazônia registrou uma queda de 50% no ano de 2025, quando comparado aos índices de 2022. No mesmo período de análise, o bioma do Cerrado apresentou uma diminuição de 32,3% na supressão de sua vegetação nativa. Essa redução combinada foi responsável por evitar a emissão na atmosfera de 733,9 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente.
Os dados mais recentes confirmam a manutenção dessa tendência de queda. Entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, os alertas indicaram uma nova redução de 33% na Amazônia e de 7% no Cerrado.
“Se continuarmos nesse ritmo, mesmo neste período tão desafiador, temos a perspectiva de alcançar a menor taxa da série histórica”, projetou a ex-ministra durante o balanço.
Como ocorreu o processo de reestruturação do Ministério do Meio Ambiente?
Um dos pilares do discurso de despedida foi a recuperação institucional dos órgãos de controle ambiental. Segundo a ex-titular da pasta, a estrutura encontrada no início de 2023 demandava uma profunda reconstrução em múltiplas frentes, englobando capacidades políticas, administrativas, técnicas e operacionais que haviam sido desmobilizadas anteriormente.
Para reverter esse cenário, o governo federal promoveu a incorporação de mais de 1.557 novos servidores públicos ao sistema ambiental brasileiro. Esse contingente foi distribuído estrategicamente entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
“Reconstrução institucional significa gente, orçamento, governança e capacidade de execução”, enfatizou.
No aspecto financeiro, o orçamento anual destinado ao ministério registrou um crescimento expressivo de 120%. Os recursos, que somavam R$ 865 milhões no ano de 2022, foram ampliados para a marca de R$ 1,9 bilhão no exercício de 2025, garantindo fôlego para a ampliação das operações em campo.
Qual foi o impacto das operações de fiscalização ambiental nos biomas?
O reflexo direto do aumento de efetivo e da injeção de recursos financeiros foi sentido nas ações de comando e controle, especialmente nas zonas geográficas de maior vulnerabilidade. A presença do Estado foi intensificada com o objetivo de frear o avanço de atividades criminosas sobre as reservas naturais.
O balanço estatístico demonstra que as ações de fiscalização conduzidas pelo Ibama no território amazônico cresceram 80% na comparação com 2022, enquanto as operações do ICMBio tiveram um incremento de 24%. Consequentemente, as áreas embargadas na região aumentaram 51% devido à atuação do Ibama e 44% pelos esforços do ICMBio.
Outro marco destacado pela gestão que se encerra foi o enfrentamento à extração mineral irregular. A área ocupada por atividades de mineração ilegal na Amazônia sofreu uma retração de 50%. Simultaneamente às ações repressivas, as políticas de conservação permitiram que, entre os anos de 2022 e 2025, o território nacional passasse a contar com 3,4 milhões de hectares inseridos em programas oficiais de recuperação da vegetação nativa.
Quem assume a pasta e qual é o futuro das políticas climáticas brasileiras?
Com a saída oficializada, a liderança do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima passa para as mãos de João Paulo Ribeiro Capobianco. A mudança no comando foi descrita por Marina Silva como um movimento que assegura a continuidade direta das diretrizes e políticas públicas implementadas pela atual administração federal nos últimos anos.
Ao se despedir do cargo executivo, ela reiterou seu compromisso contínuo com a causa ambiental, definindo sua atuação política como uma forma de serviço à sociedade. Classificando-se como uma figura persistente, em vez de otimista ou pessimista, ela ressaltou a importância da colaboração coletiva para o alcance dos resultados apresentados.
Encerrando seu discurso de transição, a ex-ministra alertou fortemente sobre os perigos da negação científica frente à crise climática global.
“Não existe civilização se o negacionismo prevalece. Se prevalece, talvez não exista nem planeta”, concluiu, marcando o fim de um ciclo de 39 meses à frente da mais alta instância ambiental do país.